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Bolsonaro é denunciado por tragédia humanitária na pandemia

Governo brasileiro terá que responder ao Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas

15 mar 2021
16h12 atualizado às 16h17
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16h12 atualizado às 16h17
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O governo do presidente Jair Bolsonaro foi denunciado nesta segunda-feira no Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) em Genebra pela gestão que faz da pandemia de covid-19, doença que já matou mais de 278 mil pessoas no Brasil, maior número do mundo atrás apenas dos Estados Unidos.

23/02/2021
REUTERS/Ueslei Marcelino
23/02/2021 REUTERS/Ueslei Marcelino
Foto: Reuters

A denúncia foi feita pelas organizações não-governamentais de defesa dos direitos humanos Comissão Arns e Conectas Direitos Humanos, que apontaram que o governo Bolsonaro levou o país a uma "devastadora tragédia humanitária".

"Viemos aqui hoje para criticar as atitudes recorrentes do presidente Jair Bolsonaro sobre a pandemia", disseram as entidades ao conselho.

"Ele desdenha das recomendações dos cientistas; ele tem, repetidamente, semeado descrédito em todas as medidas de proteção - como o uso de máscaras e distanciamento social; promoveu o uso de drogas ineficazes; paralisou a capacidade de coordenação da autoridade federal de Saúde; descartou a importância das vacinas; riu dos temores e lágrimas das famílias e disse aos brasileiros para parar 'de frescura e mimimi'."

Por várias vezes Bolsonaro minimizou a pandemia de Covid-19, afirmando que ela estava sendo superdimensionada e classificando a doença de "gripezinha".

Ele também ataca constantemente as medidas de distanciamento social e restrições adotadas por governadores e prefeitos, além de raramente usar máscaras e de frequentemente promover aglomerações, desrespeitando assim recomendações de entidades internacionais, como a Organização Mundial da Saúde (OMS), para conter a disseminação do vírus.

O presidente também já criticou vacinas e chegou a comemorar como uma vitória pessoal a breve interrupção, determinada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), dos testes no Brasil da CoronaVac, vacina contra Covid-19 do laboratório chinês Sinovac que foi testada no Brasil pelo Instituto Butantan, vinculado ao governo do Estado de São Paulo.

Bolsonaro chegou a afirmar que seu governo não compraria a CoronaVac e que ela não inspirava confiança por causa de sua origem chinesa. Atualmente, no entanto, a vacina da Sinovac responde pela esmagadora maioria das doses disponíveis na campanha nacional de vacinação contra a Covid-19.

Ele também defende medicamentos sem comprovação científica no tratamento da Covid, como a hidroxicloroquina, e afirma, contrariando as evidências disponíveis, que juntamente com outros remédios o medicamento, usado no tratamento de malária e doenças autoimunes, compõe um "tratamento precoce" contra o coronavírus.

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