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Bolsonaro atribui a Witzel vazamento envolvendo Marielle

Em live gravada durante a madrugada na Arábia Saudita, presidente classificou reportgem da TV Globo como "patife" e "canalha"

29 out 2019
23h20
atualizado às 23h30
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Em uma transmissão em vídeo nas redes sociais, o presidente Jair Bolsonaro (PSL-RJ) criticou fortemente a veiculação nesta terça-feira, 29, de reportagem pelo Jornal Nacional, da TV Globo, que o vincula a um dos acusados de assassinar a vereadora Marielle Franco (PSOL) em 2018. Bolsonaro ainda atribuiu o vazamento de informações do inquérito ao governador do Rio, Wilson Witzel (PSC).

"Não devo nada a ninguém. Não tenho o menor motivo para mandar matar quem quer que seja", disse Bolsonaro. Ele disse que só soube quem era Marielle Franco no dia em que a vereadora foi executada, e chamou os responsáveis pela reportagem da TV Globo de "patifes, canalhas".

O presidente Jair Bolsonaro, durante transmissão nas redes sociais
O presidente Jair Bolsonaro, durante transmissão nas redes sociais
Foto: Reprodução/Facebook / Estadão Conteúdo

"Por que querem me destruir? Por que essa sede de poder, seu governador Witzel?", questionou o presidente. Ele disse que o governador teria atuado pessoalmente para o vazamento de informações do inquérito, mas não apresentou evidências. "O senhor quer destruir a minha família para chegar à presidência da República."

Em viagem à Arábia Saudita, o presidente fez a transmissão durante a madrugada do país. Ele disse que tinha interesse em conversar com delegados do caso para mostrar que não tem envolvimento, e cobrou uma supervisão do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) tanto nas investigações do assassinato de Marielle quanto no atentado a faca que sofreu durante a campanha eleitoral de 2018.

Bolsonaro citou protestos na América do Sul, que provocaram tumultos no Chile, no Equador e na Bolívia, e sugeriu que a emissora tem a intenção de criar instabilidade no País. "Será que a Globo quer criar um fato, uma narrativa, de que eu deveria me afastar?", questionou

O presidente citou um suposto interesse da emissora em verbas de publicidade governamental, cujos contratos são renovados anualmente. Em um momento do vídeo, ele chegou a dizer que não haveria retaliação à Globo por matérias críticas a seu governo.

"Não vou perseguí-los", disse. "Deixem eu governar o Brasil. Vocês perderam."

A reportagem exibida pelo Jornal Nacional diz que o porteiro do condomínio Vivendas da Barra, onde morava um dos acusados de assassinar Marielle, afirmou à Polícia Civil que um homem chamado Elcio (que seria Elcio Queiroz, o outro acusado pelo duplo homicídio) entrou no condomínio dirigindo um Renault Logan prata e afirmou que iria à casa 58, onde morava Bolsonaro. A visita teria ocorrido horas antes do crime, segundo o relato.

O porteiro afirma que então ligou para a casa 58 e o "seu Jair" atendeu e autorizou a entrada de Elcio. O então deputado, porém, estava em Brasília, segundo registros da Câmara.

"Se vocês tivessem o mínimo de decência, por saber que o processo corre em segredo de Justiça, não poderiam divulgar", disse o presidente, dirigindo-se a jornalista da emissora. "Eu não deveria perder a linha, sou presidente da República, mas confesso que estou no limite com vocês (Globo)."

O Estadão não havia conseguido contato com o governador Wilson Witzel até a publicação deste texto. Procurada, a TV Globo também não havia se pronunciado até a publicação deste texto.

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Estadão
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