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Política

Bolsonaristas repudiam fala de Lula em que chama bebês frutos de estupro de monstros

O presidente criticou o Projeto de Lei que propõe equiparar abortos realizados após as 22 semanas ao crime de homicídio, mesmo em casos de estupro; políticos de direita criticam a colocação de Lula que questiona "que monstros" vão nascer em gestações ocasionadas a partir de violência sexual

19 jun 2024 - 18h39
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Após o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ter questionado "que monstro vai sair do ventre dessa menina?" ao se referir a gestações concebidas em decorrência de um estupro, políticos de direita têm criticado o posicionamento do petista.

Durante o Plenário do Senado da última terça feira, 18, o senador Eduardo Girão (Novo-CE) disse que a audiência requerida por ele no dia anterior, 17, a qual contou com uma encenação de como acontece o aborto, provocou Lula, levando-o às falas polêmicas.

"A audiência de ontem foi tão importante que provocou o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, a dizer hoje uma barbaridade sem precedentes numa entrevista à CBN", disse, complementando: "A gente sabe que o estupro é uma violência brutal, mas aquela criança não tem culpa. Ela não é monstro, senhor Presidente! Ela não é monstro!".

Girão argumentou que há "milhares de casos" de pessoas que foram geradas a partir de um estupro. Ele cita como exemplo a deputada Fátima Pelaes (PMDB-AP), que revelou ter sido concebida em um ato de violência sexual.

"Como é que o senhor tem a audácia de chamar essas pessoas de monstros? Nós temos outras definições para monstro", pontua.

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão

O senador Cleitinho (Republicanos-MG) também se manifestou. Durante o Plenário, ele falou que a criança é uma vítima, assim como a mãe.

"Nunca que um bebê, independentemente do motivo por que ele foi gerado, se foi de um estupro, é um monstro! Ele é vítima, ele é inocente, como a mãe! Ele é inocente! O monstro da história é o estuprador!", diz. O parlamentar defendeu que é necessário prevenir essas situações aumentando a pena para os agressores.

Nas redes sociais, a família Bolsonaro e aliados compartilham o repúdio ao caso.

"Falta humanidade, empatia e civilidade. Lula é raivoso, impaciente e não respeita as mulheres. É um absurdo chamar um bebê de monstro. As crianças, como ensinou Jesus, são inocentes e merecem toda a nossa proteção. Não o tipo de tratamento que Lula defende", escreve Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no X (antigo Twitter).

Os irmãos se pronunciaram compartilhando a repercussão da fala do presidente na mesma plataforma. O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) diz que "Cristão jamais aceitará isso", se referindo ao aborto. Enquanto o vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) alega ser fácil entender o lado em que Lula está.

"Não é difícil entender de que lado esse sujeito está. Os tais liberais da 'direita permitida' então fingem surpresa diante do cristalino para se colocarem no jogo do sistema e então, novamente, fazer tudo para levantar novamente seus "adversários" democráticos. A história só se repete!", pontua Carlos.

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) rebateu Lula com um vídeo, no qual ela questiona "quem diz que filho de ladrão é ladrão? quem diz que filho de estuprador é estuprador?". A parlamentar defende que é necessário combater a violência sexual, "não a criança que foi gerada". "Presidente Lula, pare de tensionar este tema, pare de tensionar essa discussão", concluí.

Os deputados Chris Tonietto (PL-RJ) e Nikolas Ferreira (PL-MG) também usaram o X para criticar Lula.

"Faço um desagravo público a todas as mães que foram vítimas de estupro, deram SIM à vida, e que foram ofendidas pela fala irresponsável do@LulaOficial. E a todas as pessoas que foram fruto de gravidez resultante de estupro: a forma em que foram geradas não define o seu caráter!", escreve a Tonietto. Nikolas diz que "monstro é quem mata uma criança inocente".

A fala de Lula foi proferida em uma entrevista à rádio CBN na última segunda-feira, 18. O governo editou o vídeo e postou o trecho modificado nas redes sociais oficiais, retirando o trecho em questão. O conteúdo foi recompartilhado pela deputada federal e presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), Gleisi Hoffmann.

Estadão
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