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Aziz quer afastar Mayra e resiste em convocar Braga Netto

'Capitã Cloroquina' tentou interferir nos trabalhos da comissão; apesar de ser alvo de críticas em nota do ministro da Defesa e chefes das Forças Armadas, presidente da CPI diverge de colegas e não quer depoimento de titular da pasta

2 ago 2021 14h02
| atualizado às 14h16
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O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, senador Omar Aziz (PSD-AM), cobrou nesta segunda-feira, 2, que a secretária de Gestão do Trabalho e Educação em Saúde do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, seja afastada do cargo. Em entrevista à Rádio Eldorado, o parlamentar ainda recomendou ao ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, que afaste a servidora do cargo. "Se você pensa com a ciência, não pode manter uma pessoa que é contra a ciência", afirmou.

Presidente da CPI da Covid, senador Omar Aziz, durante reunião do colegiado no Senado
06/07/2021 REUTERS/Adriano Machado
Presidente da CPI da Covid, senador Omar Aziz, durante reunião do colegiado no Senado 06/07/2021 REUTERS/Adriano Machado
Foto: Reuters

Em relação ao pedido de convocação do ministro da Defesa, Walter Braga Netto, Aziz disse não ver motivo "concreto" para a medida. "Eu, até hoje, não vejo alguma coisa concreta para convocar o ministro Braga Netto, agora, qualquer senador que é membro da CPI tem o direito de fazer o requerimento que quiser", disse. "Eu, pessoalmente, não investigo pessoas, sempre digo que investigamos fatos. Se tiver um fato concreto e se chegar às pessoas, eu espero que seja responsabilizado por isso", completou.

Na próxima terça-feira, 3, data em que a CPI volta do recesso parlamentar, o colegiado vai votar um requerimento apresentado pelo vice-presidente da CPI, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), que pede o afastamento da secretária, conhecida como "capitã cloroquina". A justificativa é de que ela estaria obstruindo as investigações do grupo. A convocação de Braga Netto, apresentada pelo senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), também está na pauta da comissão, junto a outros 133 requerimentos.

Braga Netto entrou em conflito com a cúpula da CPI ao assinar uma nota em conjunto com os comandantes das Forças Armadas criticando Omar Aziz que, durante depoimento do ex-diretor do Departamento de Logística em Saúde do Ministério da Saúde Roberto Dias, afirmou que o "lado podre das Forças Armadas" estava envolvido em "falcatruas" do governo.

Vacina indiana

Segundo o presidente da CPI, na volta dos trabalhos da comissão, membros do colegiado vão entrar em contato com o embaixador da Índia no Brasil, Suresh Reddy, para solicitar informações do governo do país sobre o laboratório Bharat Biotech, fabricante da vacina Covaxin. A negociação de doses do imunizante com o governo brasileiro por intermédio da Precisa Medicamentos está sob investigação da CPI.

"Essa empresa juntamente com a Precisa chegaram dentro do governo, foram pra dentro do Ministério da Saúde em tempo recorde", disse Aziz.

Na última quinta-feira, 29, o governo federal anunciou que o contrato de compra da vacina Covaxin será cancelado. Segundo o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, a decisão foi tomada após a Controladoria-Geral da União (CGU) analisar o processo de aquisição de 20 milhões de doses por R$ 1,6 bilhão.

Flávio Bolsonaro na CPI

Com a entrada do senador Ciro Nogueira (Progressistas-PI) no governo, o senador Flávio Bolsonaro (Patriotas-RJ) passou a fazer parte da CPI da Covid como suplente. Na avaliação de Aziz, a mudança não gera nenhum efeito direto na atuação do colegiado.

"Para nós não muda nada", afirmou. "Não há nehuma possibilidade de haver mudança do ponto de vista de investigar, sem politizar, e mostrar a verdade para o povo brasileiro", completou.

Estadão
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