Tráfico usava câmeras clandestinas para vigiar comunidades e a polícia no Recife
A Operação Sinapse da Polícia Civil conseguiu interromper a ação de criminosos que usavam câmeras clandestinas para vigiar comunidades e a polícia no Recife.
A Polícia Civil de Pernambuco (PCPE) deflagrou, nesta quinta-feira, 28 de maio, uma operação contra um grupo criminoso suspeito de utilizar câmeras clandestinas para monitorar comunidades da Zona Oeste do Recife.
Segundo as investigações, os equipamentos eram usados para vigiar moradores, acompanhar a chegada da polícia e proteger integrantes da organização de possíveis rivais.
Batizada de Operação Sinapse, a ação cumpriu seis mandados de prisão e 14 mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados.
Além das prisões, policiais também iniciaram a retirada de câmeras e equipamentos de internet instalados irregularmente em postes e vias públicas.
Sistema clandestino
De acordo com o delegado Vitor Freitas, responsável pelas investigações no Departamento de Repressão ao Narcotráfico (Denarc), o grupo utilizava a estrutura para manter controle territorial sobre regiões dos bairros de Areias, Barro e áreas vizinhas.
Segundo a polícia, o sistema permitia que criminosos acompanhassem a movimentação de moradores e identificassem rapidamente operações policiais nas comunidades.
As investigações apontam ainda que o videomonitoramento ajudava a organização a impedir a atuação de grupos rivais.
Controle da internet
Além do tráfico de drogas, a investigação identificou que a organização passou a monopolizar serviços ilegais de internet em algumas localidades.
Segundo o delegado, empresas autorizadas eram expulsas das comunidades e tinham equipamentos destruídos para que apenas a estrutura ligada ao grupo criminoso permanecesse funcionando.
Ainda conforme a polícia, técnicos responsáveis por manutenção chegavam a ser ameaçados por homens armados quando tentavam reinstalar equipamentos.
Lavagem de dinheiro
As apurações também identificaram movimentações financeiras suspeitas ligadas ao tráfico de drogas e à lavagem de dinheiro.
A polícia informou que empresas de fachada eram usadas para ocultar recursos obtidos de forma ilícita.
Durante a operação, agentes apreenderam celulares, computadores, anotações, DVRs de monitoramento e uma arma de fogo.
Um escritório de advocacia também foi alvo de buscas. Segundo a investigação, um dos suspeitos atuaria como operador jurídico da organização criminosa.
Prisões ocorreram no Recife e Mata Norte
Dos seis mandados expedidos pela Justiça, cinco pessoas foram presas durante a operação. Um dos investigados já estava detido anteriormente no presídio de Igarassu.
As prisões ocorreram no Recife e também em Lagoa do Carro, na Mata Norte pernambucana.
A Polícia Civil informou que as investigações continuam e novas fases da operação não estão descartadas.
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