Técnicas de enfermagem denunciam estupros em hospitais públicos no Recife; acusados são afastados
Duas técnicas de enfermagem denunciaram estupros em hospitais públicos do Recife. Servidores investigados foram afastados preventivamente pela Secretaria de Saúde.
Duas técnicas de enfermagem denunciaram terem sido vítimas de estupro dentro de hospitais da rede estadual de Pernambuco, no Recife. Segundo a defesa das profissionais, os crimes teriam sido praticados por servidores que exercem a mesma função e ocorreram em áreas de repouso destinadas aos trabalhadores das unidades de saúde.
Os casos foram registrados em momentos distintos. Um deles aconteceu no Hospital da Restauração (HR), em 2024, e o outro no Hospital Getúlio Vargas (HGV), em 2026. Os nomes das vítimas e dos investigados não foram divulgados.
Em nota, a Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco (SES-PE) informou que os dois servidores apontados nas denúncias foram afastados preventivamente das atividades enquanto os casos seguem sendo acompanhados.
Denúncias ocorreram em salas de repouso
De acordo com o advogado que representa as vítimas, os episódios ocorreram enquanto as profissionais descansavam durante o expediente.
No caso registrado no Hospital da Restauração, a técnica de enfermagem relatou que acordou durante o repouso e percebeu que estava sendo vítima de violência sexual. Conforme a defesa, o acusado foi condenado em primeira e segunda instâncias pelo crime de estupro.
Mesmo após o processo judicial, a vítima continua trabalhando na unidade hospitalar, embora em outro setor. Segundo o advogado, a presença frequente do condenado no ambiente de trabalho provoca sofrimento psicológico e agrava o trauma enfrentado pela profissional.
Já o segundo caso ocorreu no Hospital Getúlio Vargas, em março deste ano. A vítima afirmou que despertou ao perceber que estava sendo tocada nas partes íntimas por outro servidor. O caso foi registrado na Delegacia do Cordeiro e segue sob investigação.
Vítimas recebem acompanhamento psicológico
Segundo a defesa, as duas profissionais permanecem em tratamento psicológico e fazem uso de medicamentos para controlar sintomas de ansiedade e crises de pânico decorrentes dos episódios.
O advogado afirma que ambas enfrentam dificuldades para continuar exercendo suas atividades e convivem diariamente com os impactos emocionais provocados pela violência.
Novos relatos chegam à defesa
Após a divulgação dos casos, outras quatro mulheres procuraram o escritório de advocacia relatando situações semelhantes ocorridas em um hospital público do Recife.
De acordo com o advogado, essas profissionais ainda não formalizaram denúncia às autoridades por receio de sofrer consequências no ambiente de trabalho, já que não possuem estabilidade no serviço público.
A defesa informou que mantém acompanhamento jurídico e psicológico dessas mulheres e busca orientá-las sobre os procedimentos legais disponíveis.
Secretaria confirma afastamento
A Secretaria Estadual de Saúde informou que adotou o afastamento preventivo dos servidores citados nas denúncias e acompanha os desdobramentos dos casos.
As investigações seguem sob responsabilidade das autoridades competentes, que irão apurar as circunstâncias das denúncias e definir os próximos encaminhamentos legais.
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