SP: enterro de advogada é marcado por gritos de "justiça"
- Thais Sabino
- Direto de Guarulhos
Mais de 300 pessoas compareceram no fim da manhã deste sábado ao enterro da advogada Mércia Nakashima. A cerimônia começou por volta das 11h no cemitério São João Batista, em Guarulhos (SP), e foi marcada pela comoção e por gritos de "justiça".
O corpo de Mércia foi encontrado por mergulhadores do Corpo de Bombeiros na manhã de sexta-feira, na represa Atibainha, em Nazaré Paulista, 19 dias após o desaparecimento da advogada.
Além dos familiares e amigos próximos da advogada, uma multidão formada por curiosos e pessoas que se comoveram com o caso lotou o cemitério. Márcio Nakashima, irmão de Mércia que reconheceu o corpo na represa, era uma das pessoas mais emocionadas e não falou com a imprensa.
A mãe de Mércia, Janete Nakashima, engrossou o coro que pedia a punição dos responsáveis pela morte. "Levaram meu bebê embora. Eu quero justiça, que sejam punidos os responsáveis. Acabaram com a minha família", disse. "Eu não sei quem foi, só sei que quem fez isso foi um monstro e vai pagar", afirmou.
Mizael Bispo de Souza, ex-namorado de Mércia e suspeito de ser o autor do crime, não compareceu à cerimônia. Mizael já depôs mais de uma vez na polícia sobre o caso. Ele nega que tenha cometido algum crime e disse em depoimento que tinha uma boa relação com Mércia.
Buscas
Na tarde de sexta-feira, a Polícia Civil de São Paulo realizou uma nova operação de busca e apreensão na casa de Mizael. Segundo o titular da divisão de Proteção à Pessoa, Itagiba Franco, um juiz do tribunal de Guarulhos decretou o sigilo do caso e por isso não era possível fornecer detalhes sobre a movimentação das investigações.
A busca e apreensão teria sido acompanhada por Souza e seu advogado. A ação foi conduzida pessoalmente pelo titular da Divisão de Desaparecidos do DHPP, Antonio Olim, que presidirá o inquérito. Ele disse que a operação terminou pro volta das 19h30 e foi "um sucesso".
"A perícia encontrou o que queria encontrar", disse o delegado. Questionado sobre um possível pedido de prisão cautelar, Olim disse que a polícia fará isso "no momento certo".
"Acredito que agora as investigações caminharão para o rumo certo", disse Franco. Ele evitou classificar Mizael como suspeito do crime e disse que "não podemos acusar sem provas".