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RS: saiba como pote de pepino ajudou a desvendar fraude do leite

O recipiente continha uma etiqueta com uma espécie de fórmula para a adulteração do leite

22 mai 2013 16h54
| atualizado em 24/5/2013 às 17h06
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<p>Na casa de um dos transportadores foi encontrado um escrito contendo a fórmula possivelmente utilizada para a adulteração do leite</p>
Na casa de um dos transportadores foi encontrado um escrito contendo a fórmula possivelmente utilizada para a adulteração do leite
Foto: Marjuliê Martini / MP-RS / Divulgação

Um pote de pepino que continha um pó branco, com uma etiqueta com uma espécie de fórmula, foi o que levou o Ministério Público a descobrir como era feita a adulteração do leite no esquema identificado na Operação Leite Compen$ado, que entrou em sua segunda fase na manhã desta quarta-feira no Rio Grande do Sul, com novas prisões e apreensões.

Batismo de fogo: veja os nomes "inusitados" das operações policiais

Operação Leite Compen$ado prende mais quatro pessoas:

O pote foi entregue por um informante ao Ministério Público, em fevereiro. Continha um pó branco com cheiro de amônia e, na frente, uma etiqueta com os dizeres '10 gramas de produto, para 100 mililitros de água e 900 mililitros de leite'. O produto seria a ureia que era adicionada para compensar a perda de proteína com a adição de água.

A ureia foi detectada por análise química, após exames feitos pelos químicos do Ministério Público e do Ministério da Agricultura. No entanto, o esquema só foi descoberto porque os fraudadores usavam um tipo de ureia mais barata, o mesmo tipo usado na agricultura, que acabava produzindo o formol.

Após a prisão de dois empresários, na manhã desta quarta-feira, o promotor responsável pela operação, Mauro Rockenbach, afirmou que existem suspeitas de que o método de adulteração do leite pode estar sendo realizado em outras cidades do Rio Grande do Sul, mas, para preservar as investigações, preferiu não dar mais detalhes. “É muito cedo”, disse.

Para comprovar a fraude, o Ministério Público vai comparar os registros do volume de leite que era recolhido nas produtoras com o que chegava às indústrias. “A diferença é o produto da adulteração”, afirmou.

Diferentemente do que aconteceu na primeira fase da investigação, onde foram divulgados os nomes das marcas de leite adulteradas, nesta segunda etapa não foi possível fazer essa identificação, uma vez que o leite que era transportado pela empresa era enviado para uma cooperativa de Pato Branco, no Paraná.

Prisões
Mais quatro pessoas foram presas nesta quarta-feira por suspeita de envolvimento na adulteração do leite no Rio Grande do Sul com o uso de água e ureia. Entre os detidos está o vereador de Horizontina, Larri Lauri Jappe (PDT). A investigação aponta que o grupo adulterou cerca de 120 mil litros de leite em três meses.

Ao todo, foram cumpridos quatro mandados de prisão e seis de busca e apreensão nos municípios de Rondinha, Boa Vista do Buricá e Horizontina. Além do vereador, foram presos dois empresários - os irmãos Adelar Roque e Antenor Pedro Signor, sócios da empresa Aérea - e o motorista de uma das empresas que fazia o transporte do produto, Odirlei Fogalli. As prisões foram efetuadas entre a noite de terça e a manhã desta quarta-feira. 

Apreensões
Nos trabalhos desta manhã foram apreendidos três caminhões utilizados para o transporte de leite, notas fiscais que comprovam a aquisição de ureia e planilhas com os dados do recolhimento do produto alimentício junto a produtores. Na residência do transportador Paulo Rogério Schultz, que teve o pedido de prisão negado, em Boa Vista do Buricá, foi encontrado um escrito contendo a fórmula possivelmente utilizada para a adulteração do leite. Com Adelar Roque Signor foi recolhida uma arma calibre 36 sem registro. 

Somente em Rondinha, 11 laudos do Ministério da Agricultura, entre os meses de fevereiro e maio deste ano, confirmaram a presença de formol no leite cru, somando um total de 113 mil litros impróprios para o consumo da população.

Todo o produto tinha como destino a Confepar, uma união de cooperativas agropecuárias do norte do Paraná. Conforme a investigação do MP, o elo entre os transportadores e a cooperativa do PR era Daniel Villanova. Segundo o promotor, nessa fase não é possível dizer quais as marcas envolvidas. 

CPI em Horizontina
A Câmara de Vereadores de Horizontina instalou nesta quarta-feira uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar a quebra de decoro parlamentar do vereador Larri Lauri Jappe (PDT). A comissão será presidida por Alessandro Rafael dos Santos (PTB) e terá como relator Rafael Tiago Godói (PMDB). Os parlamentares irão se reunir novamente para debater sobre o assunto na próxima segunda-feira, às 9h. 

A operação
As investigações do Ministério Público começaram em fevereiro deste ano e comprovaram que empresas gaúchas de transporte de leite adulteraram o leite cru entregue para a indústria. Uma das fraudes identificadas é a da adição de uma substância semelhante à ureia e que possui formol em sua composição. A adulteração consiste no crime hediondo de corrupção de produtos alimentícios, previsto no artigo 272 do Código Penal. 

A simples adição de água, com o objetivo de aumentar o volume, acarreta perda nutricional, que é compensada pela adição da ureia – produto que contém formol em sua composição – e é considerado cancerígeno pela Agência Internacional para Pesquisa sobre Câncer e pela Organização Mundial de Saúde (OMS). 

A fraude foi comprovada através de análises químicas do leite cru, onde foi possível identificar a presença do formol, que mesmo depois dos processos de pasteurização, persiste no produto final. Com o aumento do volume do leite transportado, os "leiteiros" lucravam 10% a mais que os 7% já pagos sobre o preço do leite cru, em média R$ 0,95 por litro. 

O total de leite movimentado pelo grupo, no período de um ano, chega a 100 milhões de litros. Mais de 100 toneladas de ureia foram compradas pelos envolvidos para utilização na prática criminosa.

A Operação Leite Compen$ado foi deflagrada no dia 8 de maio e desarticulou o esquema de adulteração de leite. A investigação mapeou que a fraude não estava sendo praticada pela indústria nem pelo produtor de leite, mas pelo transportador. 

Nove pessoas foram presas. Durante o cumprimento dos 13 mandados de busca e apreensão, foram recolhidos diversos caminhões utilizados no transporte do leite, cerca de 60 sacos de ureia, R$ 100 mil em dinheiro, uma régua com a fórmula utilizada para medir a mistura adicionada ao leite, revólveres e pistolas, soda cáustica, corantes, coagulantes líquidos e emulsão para obtenção de consistência, entre outros produtos e documentos. Até o momento, a Justiça aceitou a denúncia contra 13 envolvidos. 

Confira as marcas que apresentaram adulteração por formol conforme laudos de laboratórios credenciados pelo Mapa:

MARCA LOTE
Italac Integral L05KM3, L13KM3, L18KM3, L22KM4 e L23KM1

Italac Semidesnatado
L12KM1
Líder UHT Integral TAP1MB (produzido em 17/12/2012 e com validade até 17/04/2013)
Mu-Mu UHT Integral 3ARC
Latvida UHT Semidesnatado Lote 190, de 2 de abril de 2013; 
Lote 193, de 5 de abril de 2013;
Lote 103, de 18 de abril de 2013
Só Milk e Latvida UHT Desnatado Lote 188, de 4 de abril de 2013;
Lote 198, de 10 de abril de 2013;
Lote 202, de 11 de abril de 2013;
Lote 104, de 15 de abril de 2013;
e leite com fabricação em 16 de fevereiro de 2013 e validade até 16 de junho de 2013
Hollmann, Goolac, Só Milk e Latvida UHT Integral Lote 103, de 1º de abril de 2013;
Lote 184, de 3 de abril de 2013;
Lote 189, de 4 de abril de 2013;
Lote 190, de 5 de abril de 2013;
Lote 196, de 9 de abril de 2013;
Lote 200, de 10 de abril de 2013;
Lote 201, de 19 de abril de 2013;
Lote 202, de 20 de abril de 2013;
Lote 204, de 21 de abril de 2013;
Lote 205, de 22 de abril de 2013

 

 

 

Fonte: Terra
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