RJ: operação contra remédios falsificados prende 4 médicos
Policiais da Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Saúde Pública (DRCCSP) prenderam nesta segunda-feira oito pessoas, dentre elas um médico equatoriano, um capitão da Polícia Militar (PM) especializado em Medicina e outros dois médicos. Eles integrariam um grupo acusado de comercializar ou aplicar medicamentos sem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
A operação Beleza Pura teve como objetivo cumprir 18 mandados de busca e apreensão em consultórios e clínicas de estética. Os trabalhos se concentraram em 17 pontos da cidade, nos bairros das zonas sul, oeste, na Baixada Fluminense, além da cidade de Anápolis (GO) onde, segundo o titular da especializada, delegado Fábio Cardoso, funciona uma indústria, o Laboratório MTC Medical, que produz o cosmético Botox.
O esquema
Segundo a Polícia Civil, o grupo atuava há cinco anos. O dono do laboratório, o farmacêutico Maurício Castillo Olmedo, enviava os produtos de Goiás para o suspeito Christiano Matheus Sommer, que realizava a distribuição para o Rio. Em seguida, a suspeita Verônica Casado Maia redistribuía o material para clínicas e profissionais, dentre eles ao médico equatoriano Bolivar Guerreiro, proprietário de um hospital em Duque de Caxias e dono de consultórios em outras regiões, além do capitão da PM especializado em Medicina estética Luis Eduardo Andrade Salgado, que possui um consultório na Barra da Tijuca. A exceção de Olmedo, todos foram presos pela polícia.
A polícia prendeu ainda as supostas clientes de Verônica, Antônia Guimarães Leite Rosa, e Elizabeth Alves Peixoto de Souza, que é diretora de uma clínica estética na Barra da Tijuca, além dos também suspeitos de integrar a quadrilha Leandra da Silva Bonfim e Juan Eugênio Mauser.
"O mais importante é que a Polícia Civil agiu de forma preventiva, evitando a morte de pacientes que usam esses produtos. A distribuição do material era para países do Mercosul e outros estados do Brasil", disse o delegado Fábio Cardoso.
Entre os produtos e medicamentos vendidos irregularmente, foram apreendidos grande quantidade da toxina botulínica, conhecida como Botox, o gliconato hidrolático de magnésio (Carboxi), o polimetilmetacrilato (usado em procedimentos de bioplastia) e o ácido hialurônico. Segundo a polícia, o material vinha da China e era vendido mais barato. O Botox, por exemplo, que custa em torno de R$ 1 mil, era vendido pelo grupo por R$ 450.
Todos foram indiciados por formação de quadrilha, relação de consumo e exercício ilegal da Medicina. Eles podem ficar até 15 anos na prisão.