RJ: Erir da Costa Filho assume PM e quer corregedoria pró-ativa
- Luís Bulcão
- Direto do Rio de Janeiro
A Secretaria de Segurança do Rio de Janeiro informou na tarde desta quinta-feira que o coronel Erir da Costa Filho, 54 anos, é o novo comandante-geral da Polícia Militar. Ao assumir o cargo, ele afirmou que a nova corregedoria da instituição vai ter que se antecipar nas denúncias e investigações de má conduta, como a que resultou na prisão do ex-comandante do 7º BPM (São Gonçalo) Cláudio Luiz Silva de Oliveira, suspeito de ser o mandante do assassinato da juíza Patrícia Acioli, em agosto.
"A Corregedoria vai ter que ser pró-ativa e vai ter que vir de cima para baixo. Vamos tentar melhorar a instituição a partir dos líderes. Eles é que vão ter que ter a iniciativa", afirmou. Na quarta-feira, o então chefe da corporação, coronel Mário Sérgio Duarte, pediu exoneração do cargo.
À imprensa, Costa Filho disse que a tropa já o conhece e que as mudanças virão automaticamente. "É bom assumir em crise. Conseguimos nos unir. O crescimento vem da crise. A PM sabe a postura de cada um que está aqui. Só a minha presença já indica a mudança", afirmou.
O novo comandante disse que não houve qualquer tipo de exigência política para que aceitasse o cargo. Segundo ele, o comando de Segurança no Rio está desvinculado da política. Questionado se teria mais flexibilidade ao assumir o cargo, o coronel respondeu: "Para deixar de lado meus princípios de ser digno, não terei flexibilidade", afirmou.
Duarte pediu demissão alegando ser o responsável pela nomeação de Oliveira para o comando do 7° BPM. A escolha do ex-comandante, diz Duarte, "não pode ser atribuída a nenhuma pessoa a não ser a mim".
Nesta tarde, o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, confirmou que Duarte ignorou um relatório da secretaria sobre Oliveira e o nomeou para o comando do 22º BPM, mas declarou que ele tinha autonomia para a escolha de seus oficiais. "Obviamente, na medida em que você dá autonomia, essa pessoa tem responsabilidade sobre a autonomia que recebeu. O que se pretende nesse Estado é muito maior do que qualquer cargo", afirmou o secretário.
De acordo com Beltrame, é a própria polícia do Rio investiga e prende maus policiais, seja "civis, militares, delegados ou comandante". Segundo ele, não pode haver recuo nas ações de combate ao crime e à corrupção dentro das instituições de segurança. "É cortando na própria carne que a instituição ganha legitimidade perante a população."
O secretário disse ainda que está sem dormir desde a noite de domingo, quando a crise teve início. Segundo ele, nenhum atrito nas polícias do Rio o surpreende. "Desde que assumi, nada me surpreende. Sei do tamanho da missão. Sei que poderia botar a cabeça debaixo da mesa e não fazer nada. Mas não é meu perfil. Estou aqui de passagem, mas não de passeio. Desde domingo não durmo, mas isso faz parte do meu trabalho. Gostaria de dar apenas notícias boas, mas não estou aqui para ser um mercador de ilusões", disse.
Quem é o novo comandante
Costa Filho, que tem 31 anos de experiência na PM, já comandou o 14º BPM (Bangu), o 4º BPM (São Cristóvão), o Batalhão Rodoviário e, interinamente, o Batalhão de Choque. Foi diretor geral de Apoio Logístico do Quartel General e comandante do Segundo Comando de Policiamento de Área (2º CPA). Atualmente, ele estava na Superintendência de Comando e Controle da Secretaria de Segurança.
Em 2003, ele foi exonerado do 4º BPM, após acusar o então secretário estadual de Esportes, Chiquinho da Mangueira, de lhe pedir uma trégua nas operações policiais contra traficantes no Morro da Mangueira, pois as ações da polícia atrapalhariam o comércio de droga no local. Chiquinho desmentiu a acusação e afirma que somente pediu cautela nas incursões da PM em horário escolares.
Hoje, os coronéis Kátia Néri Nunes Boaventura e Alberto Pinheiro Neto foram nomeados subcomandantes administrativa e operacional, respectivamente. Kátia, 47 anos, está na corporação há 28 anos e foi chefe de gabinete do comandante-geral. Ela ainda comandou o 10º BPM (Barra do Piraí) e a Academia D. João VI. Há 26 anos na PM, Pinheiro Neto, 47 anos foi comandante do Bope. Desde 2009 estava na chefia da Coordenadoria de Assuntos Estratégicos e, desde fevereiro deste ano, também no comando de Operações Especiais da corporação.
Juíza teria sido morta a mando de tenente-coronel
A prisão do ex-comandante do 22º BPM, na terça-feira, ocorreu após a confissão de um dos cabos que executaram a juíza Patricia Acioli, titular da 4ª Vara Criminal de São Gonçalo, em 11 de agosto. Mais de 20 tiros foram disparados contra o carro da magistrada quando ela chegava em casa, em Niterói. Patrícia era conhecida por mandar prender policiais envolvidos com crimes e já havia sofrido ameaças.
O policial afirma que Oliveira foi o mandante do crime. O ex-comandante, porém, se diz inocente e afirma desconhecer o depoimento do cabo. Outros cinco policiais foram presos suspeitos de participação nos crime.
Acusado de envolvimento na morte da juíza, o cabo Jefferson de Araújo Miranda, responde a 11 processos por homicídio e fraude processual (auto de resistência forjado) na 4ª Vara Criminal de São Gonçalo. Entre os casos, está o de Diego da Conceição Beliene, 18 anos, morto em operação do 7º BPM no Complexo do Salgueiro em junho. Foi após decretar a prisão de Araújo e de outros PMs que participaram do caso que a juíza foi morta.
Com informações do O Dia.