RJ: desapropriação no Horto causa confronto na Zona Sul
A reintegração de posse do terreno do Clube Caxinguelê, no bairro do Horto, na Zona Sul do Rio de Janeiro, causou tensão entre moradores e policiais do Batalhão de Choque na manhã desta segunda-feira. Os policiais tiveram que usar gás lacrimogêneo e balas de borracha para conter cerca de 60 moradores que tentaram impedir a ação de oficiais de justiça. Estes cumprem mandado judicial de reintegração de posse, expedido pela 17ª Vara Federal do Rio, do terreno ao Jardim Botânico.
De acordo com informações da rádio CBN, dois moradores foram atingidos por balas de borracha e outros dois precisaram ser encaminhadas a um hospital após passarem mal por conta do gás lacrimogêneo. No momento, a situação é mais tranquila e os oficiais de justiça fazem o inventário no prédio.
De acordo com a instituição, o lugar onde funcionava o clube, "além de ser um sítio histórico de extrema relevância para a história do Jardim e da cidade, lá também está localizada uma importante nascente que deve ser protegida e conservada".
Em nota, a presidenta do Instituto Jardim Botânico do Rio de Janeiro, Samyra Crespo, detalhou a reintegração do terreno. A dirigente lembrou que o processo de devolução à instituição da área de sua propriedade, "ocupada indevidamente ao longo de décadas", começou em maio do ano passado, completando agora um ano. Em abril último, conforme a nota, a União passou oficialmente as terras ao Jardim Botânico e encaminhou a decisão para registro em cartório.
"Há um plano organizado para a saída de moradores e de instalações não compatíveis com a destinação da área diversas vezes divulgado. Nesse plano cabe à Secretaria de Patrimônio da União (SPU) - dar assistência aos moradores e cabe à administração do Jardim planificar a requalificação ambiental do espaço", explicou a dirigente. A retirada do clube da área da instituição, informou, faz parte desse processo.
De acordo com a nota, a desocupação da área conhecida como Caxinguelê, onde estava instalado o clube, foi decidida pela Justiça há mais de um ano, após quase 20 anos de litígio. "O clube está dentro do arboreto (coleção de plantas) tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), próximo a um dos monumentos históricos mais importantes do Jardim, o Aqueduto da Levada, construído em 1853, e que tinha por função trazer a abundante água que vinha do Maciço da Tijuca", informou a instituição.
No lugar reintegrado ao Jardim Botânico, a direção anunciou que haverá a instalação de uma nova estufa de orquídeas, "expandindo nossa coleção científica hoje bastante acanhada por falta de espaço, e em um futuro próximo iniciaremos obras para a recomposição paisagística e recuperação do monumento que ali se encontra". (com informações da Agência Brasil)