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RJ: cinegrafista morto em protesto é homenageado durante manifestação

13 fev 2014
13h41
atualizado às 20h45
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A praia de Copacabana amanheceu nesta quinta-feira com uma cruz negra de 15 metros de altura pregada na areia em homenagem ao cinegrafista Santiago Andrade, morto após ser atingido por um rojão enquanto cobria uma manifestação no Rio de Janeiro. Santiago também foi homenageado por seus colegas de profissão, que participaram de seu velório no Memorial do Carmo, no Caju, zona portuária da capital.

O ato em Copacabana foi organizado pela ONG Rio de Paz, que instalou uma câmera de televisão apontada para a areia e uma faixa onde se lia: "Em memória de quem morreu no exercício de profissão de valor indispensável para a democracia".

Ao lado da frase, foi colocada uma foto de Santiago e flores. Após o velório, o corpo de Santiago Andrade foi cremado em um ato privado no qual companheiros do cinegrafista usaram camisetas que pediam uma maior segurança para os profissionais de imprensa.

A filha de Santiago, a também jornalista Vanessa Andrade, disse no velório que a "morte de seu pai não seria em vão".

Manifestantes homenageiam cinegrafista
Manifestantes que fizeram um protesto contra o aumento da tarifa do ônubus urbano no Rio de Janeiro fizeram uma homenagem a Santiago. Quando os ativistas passaram em frente ao local onde o cinegrafista foi atingido por um rojão próximo ao prédio da Central do Brasil, foi feito um minuto de silêncio, seguido por uma salva de palmas.

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Os manifestantes saíram por volta das 19h da Praça Pio X, atrás da Igreja da Candelária, e seguiram pela avenida Presidente Vargas em direção à zona norte da cidade. O protesto tem representantes do Psol, PSTU e PCB, da Central Sindical Popular - Conlutas e do Sindicato dos Petroleiros e também tem participantes do grupo Black Bloc.

Atingido em protesto, cinegrafista tem morte cerebral
O cinegrafista Santiago Andrade foi atingido na cabeça por um rojão durante a cobertura de um protesto contra o aumento das passagens de ônibus no Centro do Rio de Janeiro, no dia 6 de fevereiro. Além dele, outras seis pessoas ficaram feridas na mesma manifestação.

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro, o cinegrafista chegou em coma ao hospital municipal Souza Aguiar. Ele sofreu afundamento do crânio, perdeu parte da orelha esquerda e passou por cirurgia no setor de neurologia. A morte encefálica foi informada pela secretaria no início da tarde de 10 de fevereiro, após ser diagnosticada pela equipe de neurocirurgia do hospital onde ele estava internado no Centro de Terapia Intensiva.

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O tatuador Fábio Raposo confessou à polícia ter participado da explosão do rojão que atingiu Santiago. Ele foi preso na manhã de domingo em cumprimento a um mandado de prisão temporária expedido pela Justiça. O delegado Maurício Luciano, titular da 17ª Delegacia de Polícia (São Cristóvão) e responsável pelas investigações, disse que Fábio já foi indiciado por tentativa de homicídio qualificado e crime de explosão e que a pena pode chegar a 35 anos de reclusão.

Raposo ajudou a polícia a reconhecer um segundo responsável pelo disparo do artefato que causou a morte do cinegrafista. O tatuador, preso no Complexo Penitenciário de Gericinó, na zona oeste do Rio de Janeiro, afirmou, de acordo com o relato do delegado, que “eles se encontravam em manifestações" e que "esse rapaz tem perfil violento”.

A Polícia Civil do Rio de Janeiro divulgou, na manhã do dia 11, uma foto do suspeito de ter acendido o rojão que atingiu Santiago Andrade. Caio Silva de Souza, 23 anos, tem duas passagens pela polícia e era considerado foragido desde que foi expedido um mandado de prisão temporária em seu nome. Fábio Raposo, que passou o rojão, reconheceu o autor do disparo a partir da imagem levada pelo delegado.

Procurado por homicídio doloso qualificado – quando há intenção de matar – por uso de artefato explosivo e pelo crime de explosão, o suspeito foi preso na madrugada de 12 de fevereiro em uma pousada na cidade de Feira de Santana, na Bahia. De acordo com o advogado Jonas Tadeu Nunes, que também defende Fábio Raposo, Caio Silva de Souza seguia em direção ao Ceará, para a casa de um avô, mas foi convencido a se entregar. Ele não reagiu ao ser preso.

Com informações da Agência Brasil

EFE   
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