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RJ: 8 PMs são afastados na investigação da morte de Eduardo

Dois dos policiais militares são da UPP Nova Brasília, no complexo do Alemão, e confessaram ter atirado durante a ação que culminou com a morte de Eduardo de Jesus Ferreira, de apenas 10 anos, na última quinta-feira (2)

7 abr 2015 15h57
| atualizado às 15h58
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"Nunca fomos ameaçados por bandidos, mas sempre pela polícia", contou José Maria, pai do garoto Eduardo de Jesus Ferreira
"Nunca fomos ameaçados por bandidos, mas sempre pela polícia", contou José Maria, pai do garoto Eduardo de Jesus Ferreira
Foto: Yala Sena / Especial para Terra

A Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro confirmou a informação, nesta terça-feira, de que um total de oito policiais militares foram afastados do trabalho por tempo indeterminado para a investigação sobre a morte do menino Eduardo de Jesus Ferreira, 10 anos, assassinado com um tiro na cabeça na última quinta-feira (2). Jesus Ferreira foi baleado na cabeça, na frente de casa, durante operação policial no complexo de favelas do Alemão, na zona norte do Rio de Janeiro.

De acordo com a assessoria de imprensa das Unidades de Polícia Pacificadoras (UPPs), dois destes policiais pertenciam ao regimento da UPP Nova Brasília e são os que confessaram terem disparado, não na vítima, durante a ação contra o tráfico organizado na região. Os outros seis homens são do Batalhão de Choque, estavam no local, mas participam na condição de testemunhas.

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Esse foi um pedido da Delegacia de Homicídios (DH) a fim de que os policiais não atrapalhem as investigações. De acordo com o delegado titular da DH, Rivaldo Barbosa, que se reuniu com um grupo de moradores do Alemão nesta terça-feira (7), um total de 16 pessoas já foram ouvidas na investigação – sendo que 11 são policiais. As armas usadas na operação já foram apreendidas para perícia e uma reconstituição será feita pela Polícia Civil.

A mãe de Eduardo de Jesus Ferreira, 10 anos, segura a foto da criança, baleada no complexo do Alemão
A mãe de Eduardo de Jesus Ferreira, 10 anos, segura a foto da criança, baleada no complexo do Alemão
Foto: Twitter

O intuito é de aproximação com os líderes locais a fim de se ter um maior número de informações sobre o caso. De acordo com a família de Jesus Ferreira, foram policiais que atingiram o menino com o tiro fatal – os PMs, no entanto, alegam que atiravam em traficantes locais.

Nesta terça-feira (7), teve início o processo de reocupação do conjunto de favelas do Alemão com cerca de 300 homens do Batalhão de Choque e do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e de Batalhão de Ações com Cães. Este processo é de prazo indeterminado.

Alemão: vídeo mostra pânico após morte em confronto com PM:

Após críticas por falta de estrutura e despreparo de alguns de seus PMs, um total de 60 homens da UPP Nova Brasília iniciaram também um processo de reciclagem, com apoio, além dos batalhões citados, com o Grupamento Aeromóvel. O objetivo principal é que os PMs recebam técnicas de autoproteção nas áreas de atuação, abordagem e primeiros socorros. Esta é a segunda a UPP a passar pelo treinamento – a primeira, no mês passado, foi a de São João, também na zona norte da capital fluminense.

Enquanto isso, policiais que seguem em rotina normal na UPP de Nova Brasília, em incursão pela localidade do Alemão, apreenderam um fuzil 7.62, 38 munições do mesmo calibre, 48 munições calibre 9mm, além de 149 pedras de crack, meio quilo de pasta base de cocaína e 250 gramas de maconha.

Fonte: Terra
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