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"No Alemão, até coelho da Páscoa é PM", diz Paulo Pimenta

Pimenta andou pela região, ouviu moradores e tentou encontrar a presença do Estado no lugar

6 abr 2015 17h20
| atualizado às 22h39
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Pimenta (direita) e o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Alerj, o deputado do Psol, Marcelo Freixo (esquerda), querem realizar audiências públicas para saber o que a população realmente quer na região
Pimenta (direita) e o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Alerj, o deputado do Psol, Marcelo Freixo (esquerda), querem realizar audiências públicas para saber o que a população realmente quer na região
Foto: Marcus Vinicius Pinto / Terra

O deputado gaúcho Paulo Pimenta, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, visitou nesta segunda-feira (06) o Complexo do Alemão. Pimenta andou pela região, ouviu moradores e tentou encontrar a presença do Estado no lugar. O que ele encontrou foram policiais militares.

“Passei perto de onde o menino Eduardo foi morto, encontrei uma patrulha e perguntei pela presença do Estado e eles me responderam que eram eles”, disse o deputado. “O professor de violão é policial, o técnico de futebol é policial. Até o coelhinho da Páscoa era um policial e de colete. Qual é o sentido de tudo isso?”, questionou Pimenta.

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Pimenta e o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Alerj, o deputado do Psol, Marcelo Freixo, querem realizar audiências públicas para saber o que a população realmente quer. “Eles querem diálogo, planejamento e não o discurso bélico do governador de que vai reocupar. Por que o governador não despacha de lá durante um mês para realmente ouvir a população?”, desafiou Freixo, que recebeu no seu gabinete parentes de vítimas da violência policial.

“Não é reduzir o debate a quem é favor ou contra a UPP. Eles não escolheram conviver e se submeter ao tráfico. Eles não vão fazer passeata contra o tráfico, porque depois eles voltam para casa. Vamos nos ater à realidade”, disse Freixo.

Criança de 10 anos é baleada e morta no Complexo do Alemão:

Freixo lembrou ainda que, na guerra, quem morre são crianças, policiais, mulheres e jovens. “Morrem em nome do que?”. Pimenta lamentou que as pessoas precisam pedir autorização para qualquer coisa. “Até mesmo para realizar um culto, uma festa”, lamentou.

O deputado Jean Wyllis, do Psol do Rio, ironizou. “Imagina alguém de Ipanema tendo que pedir autorização para realizar uma festa na sua cobertura”, disse.  Willis disse que em breve voltará ao alemão pela CPI que vai investigar a morte da juventude negra no Brasil.

Moradora do Alemão relata drama vivido após a morte do filho:

Pimenta disse que as audiências querem identificar que projetos estavam na ideia original e que podem ser reativados (entre eles um campus de uma Universidade Federal), e disse que vai ser levado em conta também a condição de trabalho dos policiais nas áreas de UPPs.

Rio: moradores pedem paz no Alemão:

Uma reportagem do Fantástico da TV Globo, no último domingo, mostrou as péssimas condições de trabalhos nos improvisados contêineres das Unidades de Polícia Pacificadora. “O que estamos vendo ali é a banalização da violência. Onde uma morte abafa a outra.”

O deputado lamentou a ausência do Estado no caso do filho de seis anos de Elizabeth Moura, que viu a mãe ser morta na semana passada com um tiro de fuzil por um PM. “Esse menino deveria ter voltado à escola hoje. Em que condições? Que apoio psicológico teve? E seus colegas e professores?”, questionou. Freixo disse que já entrou com pedido de assistência à Secretaria de Direitos Humanos do Estado para a família de Elizabeth.

Fonte: Terra
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