Quem foi julgado hoje foi o coronel Ubiratan, diz advogado
- Marina Novaes
- Vagner Magalhães
- Direto de São Paulo
Após a absolvição de Carla Cepollina, que era acusada pela morte de seu ex-namorado, o coronel Ubiratan Guimarães, o advogado de acusação, Vicente Cascione, diz que foi Ubiratan quem foi julgado nesta quarta-feira, na saída do 1º Tribunal do Júri de São Paulo.
"Eu represento os filhos do coronel e eles não tem dúvida nenhuma de quem é a autora. O coronel é um réu difícil. Ele é réu para a vida toda. (O massacre do Carandiru) influenciou. Ele foi massacrado durante anos, anos e anos como autor de um massacre que não houve", afirmou o advogado.
Ele disse ter recebido o resultado com naturalidade. "Ou os jurados julgavam pela prova ou por outras razões. Julgaram o coronel Ubiratan, condenaram o coronel Ubiratan. Julgaram constrangidos porque tiveram de afrontar a prova. Mas eu respeito a decisão dos jurados", disse ele.
Em sua opinião, em muitos casos, o júri abandona a prova. "Eles reconheceram que o coronel foi morto naquele horário que nós sustentamos e só estava ele e a ré (no apartamento)".
Ele disse que ainda não sabe se vai recorrer da decisão e que isso passa por uma conversa com a família. "Eu acho que neste momento não tenho de dar uma resposta. Eu quero ver se vou fazer isso ou não".
O promotor João Carlos Calsavara pediu desculpas à família de Ubiratan e disse que não pretende recorrer. "Quem foi julgado hoje foi o coronel Ubiratan. Ele foi condenado duas vezes e agora não nos resta mais nada. Só aceitar o que a sociedade de São Paulo quis".
Na opinião dele, a decisão do juri está ligada à falta de credibilidade da polícia paulista. "Ele foi o ícone de uma década. É o que a sociedade quer: a polícia caçada nas ruas. Peço perdão à família da vítima. É o que a população pensa da polícia de São Paulo.