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Polícia

Psiquiatra: massacre foi premeditado por pelo menos 2 meses

8 abr 2011 - 11h35
(atualizado às 12h13)
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O psiquiatra forense Guido Palomba afirmou nesta sexta-feira, em entrevista ao Jornal do Terra, acreditar que Wellington Menezes de Oliveira, 24 anos, que assassinou 12 alunos da Escola Municipal Tasso de Silveira, no Rio de Janeiro, premeditou o crime com bastante antecedência. "Eu acho que ele premeditou por bastante tempo, por pelo menos dois, três meses, porque ele comprou armas, aprendeu a usar as armas. Não foi um crime em curto-circuito, um crime praticado por uma explosão momentânea", disse.

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De acordo com Palomba, há indícios claros de que o atirador sofria de esquizofrenia. O psiquiatra afirmou que a doença não afeta a inteligência da pessoa, que é capaz de traçar planos elaborados. "É uma premeditação mórbida, uma premeditação doentia", declarou.

"Para compreender esse crime, não há outra possibilidade: tem que se admitir a doença mental, como, de fato, ele é doente mental", disse. "A esquizofrenia é uma ruptura com a realidade. O esquizofrênico vive num mundo próprio, e isso fica muito claro na carta que ele deixou", afirmou Palomba, referindo-se ao texto encontrado junto ao corpo de Wellington, que citava rituais islâmicos e criticava "fornicadores e adúlteros".

"Logo no início (da carta) ele já dá o diagnostico (da doença), ele divide o mundo em 'puros' e 'impuros'", completa. "Para mim essa carta é uma imagem nítida e em cores da doença dele", atesta o psiquiatra.

Para o especialista, Wellington delirava com a ideia de que poderia retomar uma segunda vida após cometer o suicídio. "Esta morte dele, para ele não era morte. Porque no final da carta ele diz que, depois de tudo isso, ele acha que vai ressuscitar. Ele entende que existe uma continuidade, uma imortalidade. Seria apenas uma morte do corpo, não é um suicídio do deprimido. É um suicídio de um doente mental, com essas ideias delirantes", afirmou.

Doença

Apesar da "peculiaridade" de ser o primeiro atentado a uma escola no Brasil, o autor do massacre em Realengo possui características semelhantes à maioria dos doentes mentais condenados por crimes violentos, segundo o psiquiatra. "No manicômio judiciário tem muitos esquizofrênicos que cometeram delitos. Felizmente, a maioria absoluta dos doentes mentais não é perigosa", afirmou Palomba.

"O primeiro surto esquizofrênico costuma acontecer dos 18 aos 28 anos. Até antes disso, a pessoa é aparentemente normal, não chama a atenção. Esse surto nasce praticamente do nada. E quando ele nasce, ele vai invadindo o pensamento, que é tomado por ideias delirantes", relata o especialista.

"O que o comportamento dele (Wellington) mostra é que de fato ele era um esquizofrênico. As pessoas que conheceram ele falaram aquilo que as pessoas leigas falam das pessoas esquizofrênicas. Ou seja, ele era esquisito, vivia sozinho, era solitário, não tinha amigos, um indivíduo ensimesmado", disse Palomba.

De acordo com o psiquiatra, a morte do atirador impede que sejam conhecidos, a fundo, os motivos de algumas particularidades do crime, como o fato de a grande maioria das vítimas de Wellington ser do sexo feminino. "Essas questões provavelmente ficarão para sempre sem resposta, somente o exame direto dele que poderia elucidar", afirmou.

O especialista negou com veemência que o massacre tenha sido provocado por influências externas. "Não existe explicação sociológica. A explicação é psicopatológica. Essa doença é orgânica, não é provocada por influência da sociedade", disse. "Se ele fosse apenas uma vítima da escola, quantas crianças são vítimas da escola? Quantas crianças não sofrem por bullying, e nenhuma delas torna criminosa como esse se tornou?", questionou.

Determinação

Segundo Palomba, caso não fosse impedido pelo policial militar que atirou em sua perna, Wellington provavelmente continuaria seu ataque até esgotar suas munições. O especialista acredita que o atirador estava determinado a seguir em seu delírio até o fim. "Ele dispararia contra as crianças até a penúltima bala. E a última seria para cometer o suicídio", afirmou.

O psiquiatra não descartou que o massacre em Realengo possa servir de inspiração para outros crimes semelhantes. "É possível que esse tipo de delito passe a fazer parte também do imaginário do povo, se ele acontecer com uma certa periodicidade", disse.

Atentado

Um homem matou pelo menos 12 estudantes a tiros ao invadir a Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, zona oeste do Rio de Janeiro, na manhã do dia 7 de abril. Wellington Menezes de Oliveira, 24 anos, era ex-aluno da instituição de ensino e se suicidou logo após o atentado. Segundo a polícia, o atirador portava duas armas e utilizava pelo menos 10 dispositivos para recarregar os revólveres rapidamente. As vítimas tinham entre 12 e 14 anos. Outras 18 ficaram feridas.

Wellington atirou em duas pessoas ainda fora da escola e entrou no local alegando ser palestrante. Ele se dirigiu até uma sala de aula e passou a atirar na cabeça de alunos. A ação só foi interrompida com a chegada de um sargento da Polícia Militar, que estava a duas quadras da escola. Ele conseguiu acertar o atirador, que se matou em seguida. Em uma carta, Wellington não deu razões para o ataque - apenas pediu perdão de Deus e que nenhuma pessoa "impura" tocasse em seu corpo.

Fonte: Terra
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