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MS: Dilma pediu para Cardozo manter o diálogo em região de conflito indígena

De acordo com decisão judicial, os índios teriam até as 9h desta quarta para deixar a fazenda Buriti

5 jun 2013
11h40
atualizado às 14h16
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O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo (PT), disse nesta quarta-feira, ao chegar em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, que a orientação da presidente Dilma Rousseff era de manter o diálogo entre fazendeiros e indígenas na região de Sidrolândia. De acordo com decisão judicial, os índios teriam até as 9h desta quarta para deixar a fazenda Buriti, ocupada desde o dia 15. O governo, por meio da Advocacia-Geral da União, tenta mais prazo para negociar a saída dos indígenas da fazenda.

Cardozo chegou à Base Militar de Campo Grande no início da manhã e se encontrou com o governador do Estado, André Puccinelli (PMDB)
Cardozo chegou à Base Militar de Campo Grande no início da manhã e se encontrou com o governador do Estado, André Puccinelli (PMDB)
Foto: Marcos Ermínio/Campo Grande News / Especial para Terra

Cardozo chegou à Base Militar de Campo Grande no início da manhã e se encontrou com o governador do Estado, André Puccinelli (PMDB). Por volta de 11h, segundo a assessoria do Ministério da Justiça, Cardozo sobrevoava a região do conflito, acompanhado por Pucinelli (PMDB), pelo secretário de Justiça e Segurança Pública, Wantuir Jacini, e pelo superintendente da Polícia Federal, Edgar Marcon.

Ao todo, 110 homens da Força Nacional foram convocados para a missão. Além do envio da Força Nacional, Cardozo disse que o efetivo da Polícia Federal será ampliado no Estado em função do acirramento dos conflitos.

Índios baleados
Um índio foi baleado na tarde desta terça-feira na região de fazendas ocupadas por um grupo de terenas em Sidrolândia, a 70 quilômetros de Campo Grande (MS). O índio da etnia Terena Josiel Gabriel Alves, 34 anos, deu entrada no Hospital Sociedade Beneficente Dona Elmiria Silverio Barbosa às 16h30. Exames indicaram que a bala ficou alojada próximo à coluna cervical, o que determinou sua transferência para a Santa Casa de Campo Grande.

A fazenda Buriti também foi palco de confronto no dia 30 de maio.  Nesse dia, o índio terena Osiel Gabriel, 35 anos, foi morto e mais três índios ficaram feridos durante uma ação de reintegração de posse, comandada pela Polícia Federal.

Em nota divulgada na noite de sexta-feira, a Funai criticou o cumprimento da ordem de desocupação da fazenda Buriti e disse que não foi informada sobre a operação. O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, pediu rigor na apuração do caso.

Procuradores da República em Mato Grosso do Sul e no Pará se manifestaram  sobre os conflitos decorrentes da disputa por terras entre índios e produtores rurais. Por meio de notas divulgadas nos sites das procuradorias nos dois Estados, eles dizem que a questão da demarcação de terras indígenas é um problema cuja solução depende, principalmente, de vontade política.

Segundo a Fundação Nacional do Índio (Funai), a disputa por terras, causa dos confrontos entre índios e fazendeiros, se arrasta desde, pelo menos, 1928, quando o antigo Serviço de Proteção ao Índio (SPI, órgão substituído pela Funai em 1967), criou uma reserva terena com 2.090 hectares (um hectare corresponde a 10 mil metros quadrados, o equivalente a um campo de futebol oficial).

Em 2011, a Funai reconheceu como território tradicional indígena os 17 mil hectares reivindicados pelos índios. Fazendeiros que ocupam a área, em alguns casos há décadas e regularizados, conseguiram que a Justiça Federal em Campo Grande anulasse os processos de reconhecimento e homologação.

 

Fonte: Terra
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