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Mãe de Henry deu sinais de frieza após morte do garoto

Conversas obtidas pela Polícia Civil mostram sinais de uma 'vida normal' incompatível com o trauma de uma perda violenta. Publicações e ida ao salão de beleza chamaram a atenção dos investigadores

10 abr 2021 05h10
| atualizado às 09h00
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Conversas por aplicativo de mensagem entre Monique Medeiros, mãe do menino Henry Borel, e a babá dele, Thayná Ferreira, obtidas pela Polícia Civil, indicavam que ela tinha alguma preocupação com agressões sofridas pelo filho de 4 anos. Mas qualquer indício disso ficou obscurecido pelo comportamento da mãe após a morte do menino - ela deu impressionantes sinais de frieza e de uma 'vida normal' incompatível com o trauma da perda violenta que sofreu.

O padrasto de Henry Borel, dr. Jairinho, e a mãe do menino, Monique Medeiros
O padrasto de Henry Borel, dr. Jairinho, e a mãe do menino, Monique Medeiros
Foto: Câmara Municipal do Rio e Reprodução / Estadão Conteúdo

Detalhes como a ida a um salão de beleza um dia depois do enterro do filho, a troca de roupas com selfies antes de ir depor na 16.ª DP (Barra da Tijuca) e publicações nas redes sociais chamaram a atenção de investigadores. Eles ajudam a conhecer um pouco a professora que trocou o emprego de R$ 4 mil em uma escola na zona oeste do Rio por um cargo de R$ 12 mil no Tribunal de Contas do Município. Também passou a morar com o namorado, Dr. Jairinho, em um condomínio na Barra da Tijuca, a parte rica da mesma região.

Foi uma mudança e tanto para Monique, que se separou do pai de Henry no ano passado, e foi morar com Dr. Jairinho. Foi ali, no condomínio Majestic, que Henry sofreu as agressões que o levaram à morte, segundo a polícia. Nas conversas com a babá Thayná, a professora parecia dividida. Demonstrava preocupar-se com o que acontecia com o garoto, denotando medo. Mas não deu sinais - pelo menos nas conversas reveladas até agora - de ter tomado alguma providência para protegê-lo. Na prática, segundo a polícia, permitiu as agressões e se tornou cúmplice dos crimes contra o próprio filho.

Suas preocupações, aparentemente, eram outras. Quando o caso foi descoberto e passou a repercutir - ainda sem provas da autoria de Jairinho -, Monique pediu a amigos e parentes, por WhatsApp, "um grande favor", segundo revelou a revista Veja. Queria uma declaração escrita sobre como ela se relacionava com o filho. O objetivo era apresentá-la como uma pessoa carinhosa e incapaz de causar mal à criança.

Os relatos apontam, porém, para uma mulher que parece não ter demonstrado sentimentos pela morte do próprio filho de 4 anos. Quando voltou às redes sociais, por exemplo, postou a foto de uma bolsa Louis Vuitton ao lado de copos de café da marca California Coffee. Um dia após o enterro, gastou R$ 240 num salão de beleza. E, antes de prestar depoimento à Polícia, testou mais de um look e consultou o advogado: queria escolher a vestimenta ideal.

A postura de Monique no depoimento chocou os investigadores, quando apreenderam as conversas dela com a babá. Ao contrário do que se via naqueles diálogos - até então desconhecidos da polícia -, a mulher que sentou por mais de quatro horas na delegacia passou a mensagem de que a família era carinhosa e não vivia conflitos. E o fez friamente, sem tensão, de acordo com os policiais.

A polícia diz não haver indícios de coação de Monique por Dr. Jairinho. Mas a versão, em meio a relatos sobre comportamentos agressivos do vereador contra mulheres e crianças, colhidos pela Polícia, não convenceu todo mundo. Tanto essas histórias do parlamentar em outros relacionamentos quanto os diálogos de Monique com o pai de Henry alertam para uma preocupação com a figura de Jairinho.

"Me chamou atenção um diálogo divulgado entre a mãe e o pai de Henry sobre a reação dele em não querer voltar para casa. Ela parecia atordoada, não parecia só uma dificuldade de lidar com o filho", aponta Raquel Narciso, coordenadora do Centro de Defesa da Vida (CDVida), voltado para o combate à violência doméstica. "Observando relatos de ex-companheiras de Dr. Jairinho, é possível que a mãe de Henry estivesse num relacionamento abusivo, passando por coação. Mas, afirmar sem conhecer seria mera especulação". Raquel também questiona a repercussão muito focada no "mito do amor materno incondicional", aspecto muito destacado nas análises sobre os passos de Monique após a morte de Henry.

Casal foi preso na quinta-feira

Monique e Dr. Jairinho foram presos na quinta-feira, por ordem da Justiça. A juíza Elisabeth Louro Machado aceitou os argumentos de que o casal tentava atrapalhar as investigações. Determinou prisão temporária por 30 dias, mas é possível que nesse prazo o casal seja denunciado pelo MP.

Ainda na quinta, Monique foi exonerada do cargo no TCM, órgão auxiliar da Câmara Municipal. Dr. Jairinho foi afastado do Conselho de Ética da mesma Casa, onde seu salário foi suspenso. O Solidariedade anunciou a "expulsão sumária" do vereador. E o Conselho Regional de Medicina vai investigá-lo.

Estadão
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