Líder do Novo Cangaço teria levado R$ 5 mi do BC de Fortaleza
- Ney Rubens
- Direto de Belo Horizonte
O assaltante de banco Rubens Ramalho de Araújo, 43 anos, o Rubão, suspeito de ter participado do roubo ao Banco Central de Fortaleza, no Ceará, em 2005, que foi apresentado pela Polícia Civil em Belo Horizonte nesta quinta-feira pode ter levado da ação a quantia de, aproximadamente, R$ 5 milhões. "Nessa ação, mais uma dele, o Rubão levou uma quantia grande, cerca de R$ 5 milhões", disse o delegado Marcio Nabak, do Departamento Estadual de Operações Especiais da Polícia Civil em Belo Horizonte (Deoesp).
No roubo, o maior da história do País, os criminosos levaram mais de R$ 160 milhões por um túnel cavado entre o banco e uma casa próxima. A ação chegou a virar tema do filme Assalto ao Banco Central, do diretor Marcos Paulo. Perguntado se já havia assistido ao filme, o suspeito respondeu com ironia. "Não assisti a filme, não quero ser ator. Eu não sou bandido, não sou ladrão, sou laranja, vocês é que estão fazendo isso comigo. Tudo é o Rubão que está roubando", disse o suspeito, sorrindo.
Rubão foi preso na quinta-feira em Palmas, no Tocantins, e transferido para a capital mineira. Sobre a participação deles nos assaltos, o inspetor Endemburgo Rezende, um dos policiais que o prendeu, destacou a audácia e o status dele dentro do crime: "O Rubão é uma lenda no crime. Todo assalto que falam que tem o Rubão, os bandidos querem participar. Ele é uma lenda para os outros criminosos", afirmou.
O criminoso é suspeito de chefiar a quadrilha que comete a modalidade de crime conhecida como "Novo Cangaço", em que os criminosos cercam cidades com armamentos pesados e, depois de fazer os habitantes reféns, levam tudo que podem de carros-fortes e agências bancárias. Contra Rubão existem 19 mandados de prisão em oito Estados: Minas Gerais, Paraíba, São Paulo, Mato Grosso, Piauí, Maranhão, Bahia e Ceará.
De acordo com uma fonte da Polícia Civil ouvida pelo Terra, que pediu para não ter nome e cargo divulgados, a atuação da quadrilha era maior no interior dos Estados. "Ele praticava assaltos há mais de 10 anos. Sempre agia em cidades do interior e em dias de muito movimento nos bancos. Geralmente cidade onde circulava grande quantidade de dinheiro". As ações do bando chamam a atenção pela violência e terror às vítimas que estavam nos locais no momento dos assaltos.
"É uma quadrilha que agia pelo impulso, com muita frieza e sempre em locais com muito movimento. Essa era inclusive uma arma deles, já que isso inibe a atuação da polícia, uma vez que existem reféns no local. Eles atiravam para todos os lados e usavam armamentos pesados, usados inclusive em guerras", completou a fonte.
Prisão
O paraibano foi preso em uma periferia de Palmas por policiais da 1ª Delegacia Especializada de Repressão a Organizações Criminosas (Deroc), de Belo Horizonte, após um ano de investigações.
No ano passado, Rubens chegou a ser preso no Piauí, mas conseguiu fugir. Ele usava pelo menos três identidades falsas, com os nomes de João Batista Oliveira, Antônio de Sousa, e Fábio Cavalcante.
Em uma das vezes que foi preso, o assaltante estava com um arsenal que incluía carregadores de pistola 380, um fuzil AK 47, uma pistola 45 mm, munição de pistolas de calibres Ponto .40 e .45, além de sete bananas de dinamite, estopim de nove metros e 11 espoletas, usadas para explodir blindados.
"Posso definir como um bandido extremamente perigoso. Consegue armamentos pesados para interceptar carros-fortes e destruir agências bancárias. Além dos explosivos para caixas-eletrônicos", afirmou..
Novo Cangaço
Em Minas, um dos mandados de prisão contra Rubão é referente a um assalto ocorrido em maio de 2008. A quadrilha seguiu um carro-forte que iria de Santana do Paraíso, no Leste de Minas, para a cidade de Ipatinga, no Vale do Aço.
Durante a ação de interceptação do veículo, dois seguranças foram baleados e mortos. Foram usados armamentos de uso exclusivo das Forças Armadas. Rubão ainda é considerado o mais experiente assaltante a banco no nordeste do País. Em 2010, ele assaltou uma agência do Banco do Brasil em Colinas (MA). O bando chefiado pelo paraibano levou R$ 2 milhões nesta ação.
Em 2007, outra ação chamou atenção pela ousadia. A quadrilha invadiu o Shopping Iguatemi, em São Paulo, e roubou malotes que eram recolhidos da agência da Caixa Econômica Federal. Neles, haviam cerca de R$ 480 mil.
João da ponto 50
A Polícia Civil deve investigar agora a possível ligação entre Rubão e João Ferreira Lima, conhecido também por João da ponto 50 ou ainda João de Goiânia. Considerado o "Rei do Cangaço", ele foi preso após cometer diversos assaltos a bancos da mesma forma como agia a quadrilha de Rubão.
Quando foi preso, em 2009, João de Goiânia confessou ter matado o Senador da República, Olavo Pires, há quase 19 anos. Pires foi morto com rajadas de metralhadora, depois de vencer o primeiro turno das eleições para o governo de Rondônia, em 1990.Em um vídeo gravado pela Polícia Civil, João monta uma .50, arma capaz de derrubar aeronaves.