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Polícia

Líder do Novo Cangaço teria levado R$ 5 mi do BC de Fortaleza

30 mar 2012 - 19h09
(atualizado às 19h21)
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Ney Rubens
Direto de Belo Horizonte

O assaltante de banco Rubens Ramalho de Araújo, 43 anos, o Rubão, suspeito de ter participado do roubo ao Banco Central de Fortaleza, no Ceará, em 2005, que foi apresentado pela Polícia Civil em Belo Horizonte nesta quinta-feira pode ter levado da ação a quantia de, aproximadamente, R$ 5 milhões. "Nessa ação, mais uma dele, o Rubão levou uma quantia grande, cerca de R$ 5 milhões", disse o delegado Marcio Nabak, do Departamento Estadual de Operações Especiais da Polícia Civil em Belo Horizonte (Deoesp).

No roubo, o maior da história do País, os criminosos levaram mais de R$ 160 milhões por um túnel cavado entre o banco e uma casa próxima. A ação chegou a virar tema do filme Assalto ao Banco Central, do diretor Marcos Paulo. Perguntado se já havia assistido ao filme, o suspeito respondeu com ironia. "Não assisti a filme, não quero ser ator. Eu não sou bandido, não sou ladrão, sou laranja, vocês é que estão fazendo isso comigo. Tudo é o Rubão que está roubando", disse o suspeito, sorrindo.

Rubão foi preso na quinta-feira em Palmas, no Tocantins, e transferido para a capital mineira. Sobre a participação deles nos assaltos, o inspetor Endemburgo Rezende, um dos policiais que o prendeu, destacou a audácia e o status dele dentro do crime: "O Rubão é uma lenda no crime. Todo assalto que falam que tem o Rubão, os bandidos querem participar. Ele é uma lenda para os outros criminosos", afirmou.

O criminoso é suspeito de chefiar a quadrilha que comete a modalidade de crime conhecida como "Novo Cangaço", em que os criminosos cercam cidades com armamentos pesados e, depois de fazer os habitantes reféns, levam tudo que podem de carros-fortes e agências bancárias. Contra Rubão existem 19 mandados de prisão em oito Estados: Minas Gerais, Paraíba, São Paulo, Mato Grosso, Piauí, Maranhão, Bahia e Ceará.

De acordo com uma fonte da Polícia Civil ouvida pelo Terra, que pediu para não ter nome e cargo divulgados, a atuação da quadrilha era maior no interior dos Estados. "Ele praticava assaltos há mais de 10 anos. Sempre agia em cidades do interior e em dias de muito movimento nos bancos. Geralmente cidade onde circulava grande quantidade de dinheiro". As ações do bando chamam a atenção pela violência e terror às vítimas que estavam nos locais no momento dos assaltos.

"É uma quadrilha que agia pelo impulso, com muita frieza e sempre em locais com muito movimento. Essa era inclusive uma arma deles, já que isso inibe a atuação da polícia, uma vez que existem reféns no local. Eles atiravam para todos os lados e usavam armamentos pesados, usados inclusive em guerras", completou a fonte.

Prisão
O paraibano foi preso em uma periferia de Palmas por policiais da 1ª Delegacia Especializada de Repressão a Organizações Criminosas (Deroc), de Belo Horizonte, após um ano de investigações.

No ano passado, Rubens chegou a ser preso no Piauí, mas conseguiu fugir. Ele usava pelo menos três identidades falsas, com os nomes de João Batista Oliveira, Antônio de Sousa, e Fábio Cavalcante.

Em uma das vezes que foi preso, o assaltante estava com um arsenal que incluía carregadores de pistola 380, um fuzil AK 47, uma pistola 45 mm, munição de pistolas de calibres Ponto .40 e .45, além de sete bananas de dinamite, estopim de nove metros e 11 espoletas, usadas para explodir blindados.

"Posso definir como um bandido extremamente perigoso. Consegue armamentos pesados para interceptar carros-fortes e destruir agências bancárias. Além dos explosivos para caixas-eletrônicos", afirmou..

Novo Cangaço
Em Minas, um dos mandados de prisão contra Rubão é referente a um assalto ocorrido em maio de 2008. A quadrilha seguiu um carro-forte que iria de Santana do Paraíso, no Leste de Minas, para a cidade de Ipatinga, no Vale do Aço.

Durante a ação de interceptação do veículo, dois seguranças foram baleados e mortos. Foram usados armamentos de uso exclusivo das Forças Armadas. Rubão ainda é considerado o mais experiente assaltante a banco no nordeste do País. Em 2010, ele assaltou uma agência do Banco do Brasil em Colinas (MA). O bando chefiado pelo paraibano levou R$ 2 milhões nesta ação.

Em 2007, outra ação chamou atenção pela ousadia. A quadrilha invadiu o Shopping Iguatemi, em São Paulo, e roubou malotes que eram recolhidos da agência da Caixa Econômica Federal. Neles, haviam cerca de R$ 480 mil.

João da ponto 50

A Polícia Civil deve investigar agora a possível ligação entre Rubão e João Ferreira Lima, conhecido também por João da ponto 50 ou ainda João de Goiânia. Considerado o "Rei do Cangaço", ele foi preso após cometer diversos assaltos a bancos da mesma forma como agia a quadrilha de Rubão.

Quando foi preso, em 2009, João de Goiânia confessou ter matado o Senador da República, Olavo Pires, há quase 19 anos. Pires foi morto com rajadas de metralhadora, depois de vencer o primeiro turno das eleições para o governo de Rondônia, em 1990.

Em um vídeo gravado pela Polícia Civil, João monta uma .50, arma capaz de derrubar aeronaves.

Rubão foi preso em Palmas, no Tocantins
Rubão foi preso em Palmas, no Tocantins
Foto: Ney Rubens / Especial para Terra
Fonte: Especial Especial 
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