Juiz solicita retirada de filhos de Ubiratan do plenário
- Marina Novaes
- Vagner Magalhães
- Direto de São Paulo
O juiz Bruno Ronchetti de Castro solicitou, na tarde desta quarta-feira, a retirada de Diogo e Fabrício Guimarães, filhos do coronel Ubiratan, assassinado em setembro de 2006, do plenário do Fórum Criminal da Barra Funda, na zona oeste de São Paulo. Ambos acompanhavam o julgamento da ré Carla Cepollina, ex-namorada de Ubiratan e acusada pelo crime, que acontece desde a última segunda-feira (5). A retirada se deu depois que o advogado da família, Vicente Cascione, afirmou que estava defendendo a vítima e atuando como assistente de acusação no júri por consideração à sua família, e pediu para que os dois se levantassem.
"Peço que os filhos, que estão aqui, se levantem, por favor", disse ele. Porém, quando ambos se levantaram, o juiz interferiu e pediu a retirada dos dois. "Já alertei aqui, mais de uma vez, que não seria permitida nenhuma manifestação, ainda que silenciosa".
Fabrício perguntou, então, se o juiz queria que os dois se retirassem e a resposta foi afirmativa. Ambos deixaram o plenário demonstrando contrariedade, mas sem falar nada, e foram encaminhados para uma sala no Fórum. Demonstrando estar inconformado com a determinação, Cascione, quando retomou a palavra, ironizou: "Os filhos têm de sair, mas a ré tem de ficar".
No primeiro dia do julgamento, na última segunda-feira, Carla Cepollina também foi retirada do júri, após se exaltar e gritar durante o depoimento do delegado Marco Antonio Olivato, responsável pela investigação, que depôs como testemunha de acusação. No dia seguinte, ela foi autorizada a continuar em plenário.
Acusação e exames
Durante a réplica, a acusação voltou a sustentar que não havia uma terceira pessoa no apartamento da vítima, e que a acusada foi a última pessoa vista deixando o local. Tanto o assistente de acusação quanto o promotor de Justiça João Carlos Calsavara insistiram ainda que os exames realizados no cadáver, como a autópsia que indicou os alimentos encontrados no estômago dele, comprovariam que ele morreu entre as 19h e 19h30 - quando apenas Carla estava com o coronel no apartamento.
"Querem inventar que ele morreu depois do horário, quando o bolo alimentar fala, o cadáver fala! Não dava para ele comer depois de morto", disse Cascione, em referência à autópsia e à necrópsia feitas na ocasião.
O advogado da família de Ubiratan também aproveitou para esclarecer a acusação da advogada Liliana Prinzivalli, mãe e responsável pela defesa da filha, que em sua fala anterior o acusou de saber quem era o assassino do coronel e agir para tentar encobertá-lo. Ironicamente, ele rebateu: "eu sei mesmo, e ela sabe também: foi a Carla Cepollina", disse.
Conhecido por ter comandado a operação policial que resultou no massacre do Carandiru, em 1992, o coronel Ubiratan foi encontrado morto com um tiro em seu apartamento, em setembro de 2006, nu e enrolado em uma toalha de banho. De acordo com a acusação, Carla Cepollina matou o então ex-namorado por ciúme, já que a vítima teria um envolvimento amoroso com uma outra mulher, a delegada federal Renata Madi.
Única acusada pelo crime, ela responde por homicídio qualificado por motivo torpe e por ter cometido o crime com a impossibilidade de defesa da vítima. Em caso de condenação, a pena pode variar entre 12 e 30 anos de reclusão.