Jovem é preso no Grande Recife ligado a esquema de R$ 7 milhões que vendia dados sigilosos de brasileiros
Operação Perseu 7 alcança seis estados e mira plataforma clandestina que oferecia informações pessoais mediante pagamento de mensalidade.
A Polícia Civil do DF deflagrou a Operação Perseu 7 contra um esquema que lucrou mais de R$ 7 milhões vendendo dados sigilosos na plataforma Mind-7. Um jovem de 22 anos foi preso em Camaragibe (PE), entre 13 mandados expedidos em seis estados. O sistema cobrava mensalidades para consultar informações vazadas de órgãos públicos, usadas em golpes como o do falso advogado. A Justiça bloqueou R$ 7 milhões em bens e criptomoedas, além de determinar a desativação da plataforma clandestina.
Um homem de 22 anos foi preso nesta quinta-feira, 24 de setembro, em Aldeia, em Camaragibe, na Região Metropolitana do Recife, durante uma operação contra um grupo investigado pela venda de dados sigilosos de brasileiros. A identidade do suspeito não foi divulgada.
Batizada de Perseu 7, a ação é coordenada pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) e tem como alvo a estrutura responsável pela plataforma clandestina Mind-7. Segundo a investigação, o esquema teria faturado mais de R$ 7 milhões entre março de 2021 e março de 2026.
A operação mobiliza mais de 80 policiais para cumprir 13 mandados de prisão temporária, além de ordens de busca e apreensão. As medidas abrangem Pernambuco, São Paulo, Minas Gerais, Piauí, Paraná e Espírito Santo.
Plataforma cobrava mensalidade por consultas
O sistema investigado permitia pesquisar informações a partir de um CPF ou CNPJ. Entre os dados disponíveis estavam nome, filiação, endereço, documentos, vínculos e processos judiciais.
As bases reuniam centenas de milhões de registros. A polícia aponta que o material era obtido por vazamentos e pela exploração de vulnerabilidades em sistemas de órgãos públicos, conselhos profissionais e operadoras de telefonia.
Para acessar as informações, os usuários pagavam uma mensalidade. A investigação identificou uma divisão de tarefas entre os suspeitos, com responsáveis pela administração, desenvolvimento, fornecimento de dados e comercialização dos serviços.
Informações eram usadas para preparar golpes
Os dados comercializados serviam de suporte para fraudes. Um dos exemplos citados pela polícia é o golpe do falso advogado, no qual criminosos utilizam informações verdadeiras de processos judiciais para abordar vítimas e cobrar pagamentos indevidos.
Nesse tipo de abordagem, o conhecimento sobre o processo ajuda o golpista a se passar pelo profissional responsável pelo caso. A investigação também aponta que o grupo finalizava uma segunda plataforma semelhante à Mind-7.
Justiça determinou bloqueio de bens
Além das prisões e buscas, a Justiça determinou a retirada da plataforma do ar e o bloqueio e sequestro de até R$ 7 milhões em bens, valores e criptoativos. As medidas alcançam imóveis, veículos de alto padrão e uma embarcação.
Segundo a apuração, o dinheiro obtido pelo esquema era ocultado por meio de empresas de fachada e transações com criptomoedas.
Os investigados podem responder por organização criminosa, lavagem de dinheiro, receptação qualificada, invasão de dispositivo informático e estelionato.
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