Nova fase da Operação Carbono Oculto mira diretor do Banco Genial e executivo ligado ao Master
Agentes atuam para cumprir mandados de busca e apreensão em sete estados nesta quinta-feira, 24
A terceira fase da Operação Carbono Oculto investiga Humberto Arthur Tupinambá Neto, diretor do Banco Genial, e Antonio Carlos Freixo Junior, um executivo ligado ao Banco Master, de Daniel Vorcaro. A nova fase da operação, realizada nesta quinta-feira, 24, é chamada de Crédito Oculto.
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As autoridades apuram suposta lavagem de dinheiro e organização criminosa ligada ao setor de combustíveis na aquisição da distribuidora Tobras Distribuidora de Combustíveis Ltda., conhecida como Terrana. A investigação aponta que houve a participação de executivos do mercado financeiro no esquema de lavagem de dinheiro.
A ação é realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) do Ministério Público de São Paulo, em parceria com a Receita Federal, na manhã desta quinta-feira, 24. Agentes cumprem mandados de busca e apreensão em sete estados.
Os mandados de busca e apreensão foram autorizados pela 2ª Vara Criminal de Catanduva com buscas em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Santa Catarina e Espírito Santo. Participam da operação a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) e a Secretaria Estadual da Fazenda de São Paulo.
O Gaeco afirma que o grupo criminoso montou uma estrutura financeira e societária complexa para assumir o controle da distribuidora Terrana, com o objetivo de ocultar patrimônio através de fundos de investimento, empresas de fachada e operações financeiras consideradas atípicas.
Quem está envolvido no esquema?
A estrutura foi liderada por Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como "Beto Louco", e Mohamad Hussein Mourad, chamado de "Primo", segundo informações do Estadão. Os dois são apontados como chefes do esquema, mas não aparecem na lista de alvos de busca desta fase da operação.
Os alvos de buscas nesta quinta-feira, 24, são Humberto Arthur Tupinambá Neto, executivo do Banco Genial, seus irmãos, André e Bruno Tupinambá, além do empresário Antonio Carlos Freixo Junior, dono da Entre Investimentos. Freixo, conhecido como “Mineiro”, assinou um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) no âmbito das investigações sobre o escândalo do Banco Master.
Compra de distribuidora e lavagem de dinheiro
O Gaeco sustenta que a aquisição da Terrana aconteceu por intermédio de fundos e empresas criados especificamente para fazer essa transação. Entre as estruturas investigadas, estão os fundos Radford, Derby 44 e Los Angeles 01, além das empresas Berna Holdings Ltda. e Branson Holdings Ltda., criadas poucos meses antes da operação de compra da distribuidora.
Segundo o Ministério Público, mais de R$ 120 milhões circularam por diferentes empresas e contas usadas como “passagem”, com dinheiro sendo movido por companhias como Aster Petróleo, SM Serviços Empresariais, Duvale Distribuidora e Usina Itajobi, antes de chegarem à responsável pela aquisição da Terrana.
Relatórios do Coaf sustentam as mesmas suspeitas, com documentos bancários, informações do Banco Genial e análise de movimentações financeiras e mensagens extraídas de celulares apreendidos em outras fases da operação.
Investigadores encontraram conversas que indicariam o uso de “laranjas”, pessoas interpostas para ocultar a verdadeira identidade dos controladores dos ativos e da distribuidora.
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