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Polícia

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Delator do Master é alvo de operação que investiga lavagem de dinheiro no setor de combustíveis

Antonio Carlos Freixo Jr., o “Mineiro”, é investigado por supostamente ajudar Beto Louco e Primo a ocultar patrimônio

24 set 2026 - 08h29
(atualizado às 09h18)
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CEO do Grupo Entre, Antônio Carlos Freixo Júnior e Daniel Vorcaro
CEO do Grupo Entre, Antônio Carlos Freixo Júnior e Daniel Vorcaro
Foto: Grupo Entre/Divulgação e Banco Master/Divulgação

Antonio Carlos Freixo Jr., conhecido como “Mineiro” e delator nas investigações sobre o Banco Master, é um dos alvos da Operação Crédito Oculto, deflagrada nesta quinta-feira, 24. Segundo informações do Estadão, ele é investigado por supostamente ajudar os empresários Roberto Augusto Leme, o “Beto Louco”, e Mohamad Hussein Mourad, o “Primo”, a ocultar a participação deles na aquisição de uma distribuidora de combustíveis.

Os dois empresários são apontados pelo Ministério Público como chefes da organização investigada e estão foragidos. A apuração envolve suspeitas de lavagem de dinheiro e organização criminosa no setor de combustíveis.

Freixo é dono da Entre Investimentos e ficou conhecido nas investigações do Banco Master por sua atuação como operador financeiro de Daniel Vorcaro. Em sua delação, ele admitiu ter realizado operações a pedido do ex-banqueiro.

A empresa de Freixo teria sido utilizada, segundo as investigações, em operações relacionadas a Beto Louco e Primo. Uma delas envolve a Usina Itajobi, no interior de São Paulo, que teria sido usada para ocultar a identidade dos verdadeiros controladores do negócio.

A usina também teria participado de uma estrutura financeira usada na aquisição da distribuidora Tobras Distribuidora de Combustíveis, conhecida como Terrana. A empresa teria sido adquirida por até R$ 153 milhões.

De acordo com o Ministério Público, mais de R$ 120 milhões teriam circulado por diferentes empresas e contas de passagem antes de chegar à estrutura responsável pela aquisição da Terrana. Entre as empresas citadas estão Aster Petróleo, SM Serviços Empresariais, Duvale Distribuidora e Usina Itajobi.

O Ministério Público afirma ainda que o Grupo Entre, de Freixo, mantinha relações com empresas ligadas a Beto Louco e Primo e com outros grupos investigados. “O ecossistema de clientes do Grupo Entre aparentemente orienta que as suas atividades são direcionadas para a lavagem de capitais”, afirmou o MP em manifestação à Justiça.

Segundo a Promotoria, também foram identificadas estruturas financeiras relacionadas a prêmios e apostas que, em tese, poderiam ter sido utilizadas para lavagem de dinheiro.

Freixo também aparece nas investigações relacionadas ao financiamento do filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo informações divulgadas sobre sua delação, ele realizou sete remessas ao fundo Havengate, nos Estados Unidos, que totalizaram US$ 12,3 milhões em 2025. O caso é uma das frentes mencionadas na colaboração firmada no âmbito das investigações do Banco Master.

Entenda o caso

Operação Crédito Oculto é realizada pela Receita Federal e Gaeco
Operação Crédito Oculto é realizada pela Receita Federal e Gaeco
Foto: Divulgação/Receita Federal

A Operação Crédito Oculto é uma nova frente da Operação Carbono Oculto, investigação que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao setor de combustíveis.

Nesta quinta-feira, agentes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, e da Receita Federal cumpriram mandados de busca e apreensão em sete estados. Entre os alvos estão o executivo do Banco Genial Humberto Arthur Tupinambá Neto, seus irmãos André e Bruno Tupinambá, além de Freixo.

A investigação se concentra na aquisição da Terrana e na suspeita de que fundos de investimento, empresas e operações financeiras tenham sido utilizados para ocultar os verdadeiros responsáveis pelo negócio.

Quem são Beto Louco e Primo?

Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco, e Mohamad Hussein Mourad, o Primo, são apontados pelo Ministério Público como líderes da organização criminosa investigada. Eles são associados às empresas Copape e Aster, do setor de combustíveis.

Segundo as investigações, o grupo teria construído uma estrutura financeira e societária para ocultar patrimônio e movimentar recursos por diferentes empresas até chegar à aquisição da Terrana.

Os dois não estão entre os alvos de busca e apreensão desta fase e são considerados foragidos.

Relação com o Banco Master

A presença de Antonio Carlos Freixo na operação estabelece uma conexão entre as investigações sobre o setor de combustíveis e o caso Banco Master. Freixo firmou acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República no âmbito das investigações sobre o banco. Ele também é apontado como operador financeiro de Daniel Vorcaro e relatou operações realizadas a pedido do ex-banqueiro.

Agora, os investigadores apuram se empresas ligadas a Freixo também foram utilizadas na estrutura financeira montada para a aquisição da Terrana.

A participação de Freixo e dos demais investigados ainda é apurada. As buscas desta quinta-feira têm como objetivo recolher documentos e outros elementos que possam esclarecer a origem dos recursos, os responsáveis pelos negócios e a eventual ocultação dos verdadeiros controladores das empresas.

Fonte: Portal Terra
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