O movimento saiu da praça Deodoro, no centro da cidade, até a praça Dom Pedro II, onde fica o Palácio dos Leões, sede do poder Executivo estadual
Foto: Clodoaldo Corrêa / Especial para Terra
Cerca de 500 pessoas foram às ruas da capital maranhense nesta sexta-feira para cobrar do poder público melhoria no sistema de segurança e na prestação de serviços. O movimento saiu da praça Deodoro, no centro da cidade, até a praça Dom Pedro II, onde fica o Palácio dos Leões, sede do poder Executivo estadual. Uma forte barreira policial conteve a manifestação e como é de praxe durante manifestações, todas as entradas da praça foram cercadas com gradeado e os manifestantes não conseguiram se aproximar da frente do palácio.
“Não podemos aceitar que a população não possa pegar ônibus porque não sabe se vai ser queimado dentro do ônibus. A solução é comprar carro? Não tem que ser. O poder público é que deve dar segurança para a população. Não podemos aceitar o que está acontecendo como normal”, afirmou o estudante Marcos Garcia, 27 anos.
Desde as 16h, um pequeno grupo começou a organizar a manifestação em frente à biblioteca pública Benedito Leite. No começo, apenas um pequeno grupo pintava os cartazes e fazia barulho em cima de um carro de som. O estudante Diegon Viana, 23 anos, que faz parte do grupo Acorda Maranhão, afirmou que o grupo não tem lideranças consolidadas para evitar politização. Ele afirma que a reivindicação é para que todo o serviço público no Maranhão. “Não temos segurança. Mas também não temos educação, saúde de qualidade. Nosso grito é pela falência do serviço público no Maranhão”, pontuou.
O movimento não era composto apenas por estudantes. O mecânico Rogério Teixeira, 34 anos, também protestou afirmando que se colocava no lugar de um pai que teve que enterrar a filha com 6 anos idade, lembrando o caso da menina Ana Clara, que não resistiu aos ferimentos após ter 95% do corpo queimado e faleceu na última segunda-feira (6). “Ninguém aguenta mais essa violência no nosso Estado. Um pai de família vê a mulher está entre a vida e a morte. A filha morre dessa forma brutal. Queremos mudança”, lamentou.
Muitas faixas contra a governadora Roseana Sarney (PMDB) foram pintadas pelos manifestantes. Em uma, lembrou uma fala da governadora que disse que a onda de violência acontece porque o Estado está mais rico. “Piada do ano: ‘o Maranhão está mais violento porque está mais rico’. Fora Roseana Sarney”. Em outra dizia que a manifestação era “homenagem a Ana Clara, Márcio Nunes, policiais mortos e todas as vítimas da violência no Maranhão”.
A carreata saiu aos gritos de “Sarney, ladrão, devolve o Maranhão”. Barrada pelas grades que cercaram a Praça Dom Pedro II, a manifestação ficou bloqueada e os manifestantes se dispersaram por volta das 20h (horário local).
No dia 3 de janeiro, quatro ônibus foram incendiados, uma delegacia metralhada, um policial morto e quatro pessoas sofreram queimaduras. A menina Ana Clara não resistiu e morreu na última segunda-feira (6). A mãe, Juliane Carvalho Santos, 22 anos, com 40% do corpo queimado, foi transferida na noite de quinta-feira do Hospital Geral Tarquínio Lopes, em São Luís, para a Unidade de Queimados do Hospital Regional da Asa Norte, em Brasília.
Márcio da Cruz, 37 anos, com 72% do corpo queimado, foi transferido para o Hospital Geral Doutor Alberto Rassi, em Goiânia (GO). Abyancy Silva Santos, 35 anos, com 10% do corpo queimado, permanece no hospital Geral, em São Luís, mas deve receber alta neste sábado.
3 de janeiro - Cinco pessoas foram vítimas de tentativa de homicídio e o sargento reformado da PM Antônio César Serejo, morto, durante onde de ataques ordenadas por detentos do Presídio de Pedrinhas, em São Luís
Foto: Clodoaldo Corrêa / Especial para Terra
3 de janeiro - Na mesma noite, quatro coletivos foram incendiados. Uma menina de 6 anos acabou morrendo em decorrência das queimaduras. Sua mãe e sua irmã, de 1 ano, também ficaram feridas, além de um homem. O bisavô da vítima fatal morreu de infarto ao saber do atentado
Foto: Clodoaldo Corrêa / Especial para Terra
9 de janeiro - A ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, participa de reunião extraordinária do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, para debater a situação no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, e as violações dos direitos humanos cometidas contra presos
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil
9 de janeiro - Pedrinhas foi um dos alvos de investigação da CPI do Sistema Carcerário, em 2008, quando foi listado entre os 10 piores presídios do País
Foto: Clayton Montelles / Governo do Maranhão / Agência Brasil
9 de janeiro - Após reunião com a cúpula da Segurança do Maranhão e com a governadora Roseana Sarney, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, anunciou medidas conjuntas para o enfrentamento ao crime e a melhoria do sistema penitenciário do Estado
Foto: Geraldo Furtado / Governo do Maranhão / Divulgação
10 de janeiro - Muitas faixas contra a governadora Roseana Sarney (PMDB) foram pintadas pelos manifestantes
Foto: Clodoaldo Corrêa / Especial para Terra
10 de janeiro - No começo, apenas um pequeno grupo pintava os cartazes e fazia barulho em cima de um carro de som
Foto: Clodoaldo Corrêa / Especial para Terra
10 de janeiro - Desde as 16h, um pequeno grupo começou a organizar a manifestação em frente à biblioteca pública Benedito Leite
Foto: Clodoaldo Corrêa / Especial para Terra
10 de janeiro - Uma forte barreira policial conteve a manifestação e como é de praxe durante manifestações, todas as entradas da praça foram cercadas com gradeado e os manifestantes não conseguiram se aproximar da frente do palácio
Foto: Clodoaldo Corrêa / Especial para Terra
10 de janeiro - O movimento saiu da praça Deodoro, no centro da cidade, até a praça Dom Pedro II, onde fica o Palácio dos Leões, sede do poder Executivo estadual
Foto: Clodoaldo Corrêa / Especial para Terra
10 de janeiro - Cerca de 500 pessoas foram às ruas da capital maranhense nesta sexta-feira para cobrar do poder público melhoria no sistema de segurança e na prestação de serviços
Foto: Clodoaldo Corrêa / Especial para Terra
5 de janeiro - Dez pessoas foram presas até a tarde do domingo suspeitas de envolvimento com os ataques a coletivos e delegacias na cidade de São Luís
Foto: Clodoaldo Corrêa / Especial para Terra
4 de janeiro - Viatura baleada em delegacia que foi alvo de atentado
Foto: Clodoaldo Corrêa / Especial para Terra
15 de janeiro - Governadora Roseana Sarney recebe apoio logístico da secretária responsável pela administração penitenciária do Paraná
Foto: Janaína Garcia / Terra
16 de janeiro - Segundo funcionários do presídio, a rebelião estaria ocorrendo Centro de Custódia de Presos de Justiça (CCPJ), uma das oito unidades prisionais do complexo
Foto: Janaina Garcia / Terra
16 de janeiro - Do lado de fora de Pedrinhas, as mulheres de dois detentos afirmaram ao Terra que ouviram, por volta das 13h30, barulhos de tiros e bombas
Foto: Janaina Garcia / Terra
16 de janeiro - Agentes da Força Nacional e homens da Tropa de Choque da PM do Maranhão entraram pouco antes das 14h desta quinta-feira em uma das unidades do Complexo Penitenciário de Pedrinhas para conter um princípio de rebelião
Foto: Janaina Garcia / Terra
16 de janeiro - Para o pai de Ana Clara, a filha não será a última vítima da violência no Estado
Foto: Janaina Garcia / Terra
16 de janeiro - Grupo protestou contra a escalada da violência em todo o Maranhão
Foto: Janaina Garcia / Terra
16 de janeiro - O filho de Josaíldes foi baleado e morto em uma escola da Grande São Luís
Foto: Janaina Garcia / Terra
17 de janeiro - A secretária de Administração Penitenciária do Paraná, Maria Tereza Uille Gomes, fala na sede do governo do Maranhão, em São Luís, sobre um software que o governo paranaense cedeu ao Estado para gerenciar a situação dos presos maranhenses
Foto: Janaina Garcia / Terra
17 de janeiro - Sebastião Uchôa conversou com o Terra nesta sexta-feira
Foto: Janaina Garcia / Terra
17 de janeiro - "Não é resto de comida, não: é comida que os presos não querem", faz questão de observar dona Geni
Foto: Janaina Garcia / Terra
20 de janeiro - Comboio de viaturas para transferência de presos do Complexo Penitenciário de Pedrinhas
Foto: Handson Chagas / Sejap / Divulgação
20 de janeiro - Identidade, quantidade e destino de presos transferidos não foram confirmados pelo governo do Maranhão por "questão de segurança"
Foto: Handson Chagas / Sejap / Divulgação
20 de janeiro - Nesta segunda, o Maranhão iniciou a transferência de presos de Pedrinhas para presídios federais de segurança máxima
Foto: Handson Chagas / Sejap / Divulgação
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Comitê gestor
Foi realizada nesta sexta-feira, a primeira reunião do Comitê de Ações Integradas criado para definir as medidas para solucionar os problemas carcerários do Estado.
Participaram da reunião a governadora Roseana Sarney, representantes do poder Legislativo, Judiciário, e também das polícias Civil e Militar, Ministério Público do Maranhão (MP-MA), Polícia Rodoviária Federal (PRF), Secretaria Nacional de Segurança Pública e Departamento Penitenciário Nacional (Depen), entre outros.
Na reunião, foram traçadas metas, tarefas e datas para o cumprimento das ações que estão previstas no conselho. Foram criadas equipes de trabalho para que cada ação seja acompanhada detalhadamente.
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