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Polícia

Franquias lavariam dinheiro de traficantes na Cidade de Deus

18 dez 2009 - 03h27
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Mesmo com a Cidade de Deus pacificada, a quadrilha que atua na comunidade tinha planos ambiciosos. Um parente de Ederson José Gonçalves, o Sam, chefe do tráfico preso há sete anos, pretendia abrir, na favela, franquias de três empresas conhecidas: uma loja de produtos naturais, um restaurante de massas e uma choperia. De acordo com o delegado da 32ª DP (Taquara), João Luiz Costa, o objetivo do bando era lavar dinheiro obtido com crime, apesar de os rendimentos com a venda de drogas terem diminuído muito desde a instalação, há um ano, da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) na área.

Durante a Operação Fórceps, quarta-feira, quando oito traficantes remanescentes da quadrilha foram pegos, a polícia encontrou, na casa da mulher de Sam, anotações com o levantamento para a abertura das franquias. No imóvel de três andares, foi presa Denair Martins Gonçalves da Silva, 68, mãe de San e acusada de comandar o tráfico de drogas na comunidade no lugar do filho.

Em duas folhas de papel estavam escritos os valores para a abertura das franquias e em quanto tempo seria necessário para obter o retorno do que foi empregado. Inicialmente, o investimento mínimo para abrir as três lojas seria de R$ 1,1 milhão. Os investigadores acreditam que as estabelecimentos seriam administradas por parentes do traficante Sam.

Lucros em Queda

O delegado João Luiz vai abrir investigação para apurar quem investiria o dinheiro e se a pessoa tem como provar a renda. Como as anotações foram encontradas na casa da mulher do traficante, ela deve ser chamada para depor.

Levantamento das polícias Militar e Civil aponta para uma redução considerável no lucro da venda de drogas na Cidade de Deus. "O que eles ganhavam em uma semana, estão ganhando em um ano. A droga que entra já vem embalada e é basicamente para o consumo interno", disse o comandante do 18º BPM (Jacarepaguá), Luigi Gatto.

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