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Polícia

Farah volta a confessar crime e diz: "talvez queira morrer"

14 mai 2014 - 13h33
(atualizado às 15h55)
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Com bengala em mãos e aparência frágil, o ex-cirurgião plástico Farah Jorge Farah foi interrogado nesta quarta-feira por quatro horas e meia e voltou a confessar o assassinato da ex-paciente e amante Maria do Carmo Alves, no Fórum Criminal da Barra Funda, zona oeste de São Paulo. Ele afirmou não se lembrar de detalhes pois não estava em uma situação “normal”, mas afirmou ter matado Maria do Carmo, embora não tenha confessado o esquartejamento da mulher. Farah, que chegou a se emocionar ao falar de seus pais, disse também ter vontade de morrer.

Cirurgião é julgado pela morte da amante em 2003
Cirurgião é julgado pela morte da amante em 2003
Foto: André Lucas / Futura Press

“Eu não estava no meu normal e não lembro de nada, nem de colocar os sacos no carro. Foi terrível. Não dá pra lembrar, pois não foi premeditado e nem consciente. No domingo, quando caiu minha ficha e me dei conta do que havia ocorrido, eu disse que queria morrer e talvez eu ainda queira”, afirmou Farah.

Em vários momentos durante o interrogatório o ex-cirurgião fez referências religiosas e teve dificuldades em falar do momento do crime. O juiz Rodrigo Tellini precisou, inclusive, levantar-se e ir em direção ao réu para que se concentrasse e contasse como ocorreram os fatos. Porém, Farah continuou mudando o foco.

O réu também fez questão de lembrar de seus pais, sempre olhando em direção aos sete jurados que acompanharam o julgamento. "Não tenho noção de ter cometido um crime. Agi de acordo com a lei pois foi em legítima defesa". 

Além disso, apesar de testemunhas afirmarem terem sido vítimas de abuso sexual por parte de Farah, o ex-cirurgião afirmou jamais ter cometido esse crime e classificou o fato como “mentira deslavada”. Segundo ele, houve um relacionamento com Maria do Carmo, mas apenas depois de ela deixar de ser sua paciente.

Ao descrever o momento do crime, Farah disse que Maria do Carmo o perseguia e que naquele dia 24 de janeiro de 2003, quando estava sozinho na clínica, a ex-paciente tocou a campainha. “Deixei ela entrar e pedi pra parar de fazer ameaças a mim, aos meus pais e às minhas secretárias, mas de repente ela começou a me ofender, xingar meus pais e mostrou uma faca. Mas depois de cinco anos de perseguição não dá, vossa excelência. É difícil descrever porque em um momento de stress não consegui me segurar”, justificou, alegando não estar em sã consciência ao cometer o crime.

O ex-cirurgião disse que tentou tomar a faca das mãos de Maria do Carmo e, quando conseguiu, a golpeou com o objeto no pescoço. “Não lembro da sequência dos fatos, mas nos atracamos e ela veio pegar a faca de novo. Cravei a faca no pescoço dela e depois disso não sei dizer o que aconteceu. Estou tremendo e muito nervoso”, completou.

O julgamento de Farah Jorge Farah começou na segunda-feira e hoje chega ao seu último dia com a fase de interrogatório e debates entre acusação e defesa. Condenado em 2008 a 13 anos de prisão, Farah está sendo julgado novamente depois de o Tribunal de Justiça de São Paulo acatar pedido de sua defesa, em janeiro do ano passado, alegando que laudos oficiais que atestavam o estado semi-imputável do réu na época do crime foram ignorados pelos jurados. De acordo com a tese da defesa, no momento do crime o cirurgião não tinha compreensão total de sua conduta. 

Réu confesso do crime, o cirurgião não nega ter assassinado Maria. Sua defesa, porém, diz que, em março de 2002, a vítima ligou 3.708 vezes para o cirurgião, o que o teria efeito agir sob pressão. A defesa de Farah disse também que a mulher o ameaçava e, no dia do crime, o teria atacado com uma faca. 

A defesa sustentou que Farah não premeditou o crime e que ele foi perseguido durante cinco anos pela vítima. Durante o julgamento, o acusado disse que se lembra apenas de uma luta corporal com a vítima. Após a briga, Maria do Carmo teria sido esfaqueada no pescoço e, com o ferimento, morrido dentro do próprio consultório. Farah então teria deixado o local, ido para o seu apartamento, e voltado quatro horas depois.

Utilizando os seus conhecimentos de médico e instrumentos cirúrgicos do próprio consultório, ele teria dissecado o corpo da mulher, retirando o sangue e seus órgãos vitais. Em seguida, teria cortado o corpo de Maria do Carmo em nove pedaços. Os relatos mostram também que ele retirou a pele das pontas dos dedos da mulher e destruiu as partes que pudessem levar a uma identificação.

A mulher foi morta e esquartejada no consultório do ex-cirurgião em Santana, na zona norte de São Paulo. O crime ocorreu em 24 de janeiro de 2003, mas partes do corpo de Maria do Carmo só foram achadas pela polícia três dias depois.

Farah ficou preso por quatro anos até que, em maio de 2007, a Justiça o autorizou a esperar pelo julgamento em liberdade. Desde 2006, o cirurgião está proibido pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) de exercer a profissão. 

Fonte: Terra
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