Eleição em Israel tem disputa acirrada nas urnas três anos após ataques do Hamas
Primeiras pesquisas de boca de urna não indicam maioria para a base de Benjamin Netanyahu nem para os partidos de oposição
A primeira eleição em Israel após os atentados de outubro de 2023 terminou com forte indefinição, sem maioria para o premiê Benjamin Netanyahu nem para a oposição, liderada por Gadi Eisenkot. Sob debates sobre segurança, custo de vida e tensões regionais, o pleito testou a popularidade do governo e exigirá complexas negociações partidárias para formar alianças no parlamento, definindo se o país manterá a atual estratégia bélica ou buscará novos rumos diplomáticos e institucionais.
As urnas em Israel registraram nesta terça-feira (27) uma disputa eleitoral marcada por forte indefinição, na primeira consulta popular realizada desde os atentados que deixaram 1,2 mil mortos no país. As pesquisas de boca de urna não apontam maioria absoluta nem para a base do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu nem para os blocos da oposição no Knesset, o parlamento sediado em Jerusalém. O pleito testou a popularidade do atual chefe de governo após o conflito desencadeado pelos eventos de 7 de outubro de 2023, sob cobranças intensas de parentes das vítimas por investigações sobre falhas de segurança.
O sistema político e os rumos da eleição parlamentar
A formação do novo Executivo depende inteiramente de negociações para construir coalizões, uma vez que a legislação eleitoral israelense não exige o voto obrigatório e adota o sistema proporcional de listas partidárias. Na busca pelo seu sétimo mandato à frente do país, o líder do partido Likud aposta em alianças com legendas ultraortodoxas e de extrema-direita, além do alinhamento com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Do outro lado da disputa, o principal nome opositor é Gadi Eisenkot, ex-chefe das Forças Armadas de Israel, que perdeu familiares nos confrontos na Faixa de Gaza e desponta como a principal alternativa para liderar a renovação política.
Desafios de segurança e a análise da conjuntura regional
O debate eleitoral dividiu a população em torno de temas centrais para o futuro do país, incluindo o custo de vida, a independência do Poder Judiciário, a isenção do serviço militar para judeus ortodoxos e as diretrizes de defesa frente ao Irã. O mestre em História pela Universidade de Tel Aviv, João Miragaya, analisou o peso do pleito para a região. "As eleições israelenses, agora de 2026, elas representam as eleições mais importantes, pelo menos, das últimas décadas no país. Porque ela contrapõe o governo atual, cuja continuidade significaria uma perpetuação da situação bélica e de crise por mais alguns anos ou, talvez, a médio ou longo prazo, por muito mais tempo, contra uma possibilidade de tentativa de sair dessa situação, de resolver essas questões que foram inauguradas no 7 de outubro e de partir para um conserto dos problemas".
Sem um vencedor claro nas projeções iniciais, as negociações entre as 120 cadeiras do parlamento prometem ser decisivas para o desfecho da composição governamental. Pequenas legendas que ultrapassarem a cláusula de barreira terão papel central no diálogo entre a ala conservadora e os grupos de oposição. A definição sobre quem ocupará o cargo de primeiro-ministro indicará se a nação manterá a estratégia militar adotada nos últimos anos ou se buscará novos caminhos diplomáticos e institucionais.
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