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Cena do crime da chacina foi prejudicada, diz associação de peritos

Entidade diz que o trabalho dos peritos pode ser prejudicado por causa da aglomeração de pessoas na cena do crime

9 ago 2013
12h10
atualizado às 12h18
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<p>Casa da família morta em chacina amanheceu com pichações na Brasilândia, zona norte de São Paulo</p>
Casa da família morta em chacina amanheceu com pichações na Brasilândia, zona norte de São Paulo
Foto: Renato Ribeiro Silva / Futura Press

A Associação dos Peritos Criminais do Estado de São Paulo (Apcesp) criticou o grande movimento de pessoas na casa da família Bovo Pesseghini, encontrada morta na última segunda-feira na Vila Brasilândia, zona norte da capital. Segundo a presidente da entidade, Maria do Rosário Mathias Serafim, o trabalho dos peritos pode ser prejudicado por causa da aglomeração de pessoas na cena do crime.

"O local tem que ser preservado. Quando alguém vê um corpo morto, tem de avisar a autoridade policial e ela liberar o trabalho da perícia, sem deixar ninguém perturbar. Com certeza vai atrapalhar. A pessoa, sem querer, pode desfazer algum vestígio importante da cena do crime e a perícia não encontrá-lo. Tinha um batalhão de gente aquele dia. Também não é bom que no trabalho pericial estejam presentes pessoas estranhas à perícia", ressaltou ela.

O único suspeito do crime até o momento é o adolescente Marcelo Eduardo Bovo Pesseghini, 13 anos, que teria assassinado o pai, o sargento da PM Luis Marcelo Pesseghini, 40 anos; a mãe, a cabo da PM Andreia Regina Bovo Pesseghini, 35 anos; a avó Benedita de Oliveira Bovo, 65 anos; e a tia-avó Bernadete Oliveira da Silva, 55 anos. Após o crime, o garoto teria cometido suicídio.

O delegado Itagiba Franco afirmou que a Polícia Civil irá ouvir outras quatro pessoas nesta sexta-feira, dando sequência às investigações da chacina, e o Ministério Público de São Paulo passará a acompanhar o caso a partir de hoje. De acordo com Itagiba, dois professores da escola de Marcelo serão ouvidos ainda hoje. Além disso, a Polícia Civil busca outros dois vizinhos que teriam dado declarações importantes à imprensa. Um deles teria dito que Marcelo dirigia o carro com frequência e outro afirmou que observou um carro rondando a casa da família em diversas oportunidades.

“Hoje vamos ouvir dois professores e as próximas pessoas ainda estamos tentando localizar. Estamos com pressa de ouvi-las. Queremos saber principalmente o comportamento do garoto na escola, se ele fez alguma confidência. O que vier, de quem vier, vai nos ajudar para termos uma visão completa do caso”, afirmou o delegado do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa.

O procurador-geral de Justiça Márcio Fernando Elias Rosa designou dois promotores para acompanhar o caso. Norberto Joia e André Luiz Bogado Cunha foram designados na tarde da última quinta-feira. O delegado Itagiba disse que a presença do MP dará credibilidade ao caso. “É uma honra para nos tê-los aqui e isso só pode dar credibilidade ao que estamos defendendo. Eles (promotores) vão acompanhar todas as oitivas etc. A presença deles vai reforçar nossa objetividade e honestidade e a certeza que tudo está correndo bem”, afirmou o delegado.

Itagiba disse ainda que até agora cerca de 15 pessoas foram ouvidas, porém, o que ainda intriga a Polícia Civil é a motivação que o suspeito teria para cometer o crime. “O que me intriga é a motivação. O que ocasionou esse comportamento que o levou, no nosso entender, a tomar aquela atitude?”, questionou o delegado.

Chacina de família desafia polícia em São Paulo
Cinco pessoas da mesma família foram encontradas mortas na noite de segunda-feira, dia 5 de agosto, dentro da casa onde moravam, na Brasilândia, zona norte de São Paulo. Entre os mortos, estavam dois policiais militares - o sargento Luis Marcelo Pesseghini, 40 anos, e a mulher dele, a cabo de Andreia Regina Bovo Pesseghini, 35 anos. O filho do casal, Marcelo Eduardo Bovo Pesseghini, 13 anos, também foi encontrado morto, assim como a mãe de Andreia, Benedita Oliveira Bovo, 65 anos, e a irmã de Benedita, Bernardete Oliveira da Silva, 55 anos.

A investigação descartou que o crime tenha sido um ataque de criminosos aos dois PMs e passou a considerar a hipótese de uma tragédia familiar: o garoto teria atirado nos pais, na avó e na tia-avó e cometido suicídio. A teoria foi reforçada pelas imagens das câmeras de segurança da escola onde Marcelo estudava: o adolescente teria matado a família entre a noite de domingo e as primeiras horas de segunda-feira, ido até a escola com o carro da mãe, passado a noite no veículo, assistido à aula na manhã de segunda e se matado ao retornar para casa.

Os vídeos gravados pelas câmeras mostraram o carro de Andreia sendo estacionado em frente ao colégio por volta da 1h15 da madrugada de segunda-feira. Porém, a pessoa que estava dentro do veículo só desembarcou às 6h30 da manhã. O indivíduo usava uma mochila e tinha altura compatível à do menino: ele saiu do carro e caminhou em direção à escola.

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Fonte: Terra
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