'Quero olhar nos olhos dele e pedir que me perdoe', diz Bruno sobre filho

O ex-goleiro do Flamengo afirmou ainda que tem esperanças de voltar a jogar futebol profissionalmente

11 ago 2013
22h48 atualizado às 22h54
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<p>O ex-goleiro do Flamengo em entrevista na manhã deste domingo na Penitenciária de Segurança Máxima Nelson Hungria</p>
O ex-goleiro do Flamengo em entrevista na manhã deste domingo na Penitenciária de Segurança Máxima Nelson Hungria
Foto: Hoje em Dia / Futura Press

O ex-goleiro do Flamengo Bruno Fernandes, que foi condenado pelo sequestro e assassinato da modelo Eliza Samudio, afirmou que, se pudesse passar o Dia dos Pais com seu filho Bruninho, fruto da relação com Eliza, pediria que o menino o perdoasse. “Queria que ele estivesse do meu lado, abraçá-lo e pedir perdão. Esse momento um dia há de chegar. Preciso só de uma oportunidade para olhar no olhos dele e dizer que ele me perdoe, que eu possa abraçá-lo e dizer que o amo”, disse o atleta em entrevista ao Domingo Espetacular. Bruno também afirmou que quer ter mais contato com seu filho, mas que seu maior receio é que o menino pergunte sobre ele ter sido condenado a mais de 20 anos por ter sequestrado e matado a mãe dele.

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Ao ser questionado sobre o que responderia caso Bruninho quisesse saber onde está o corpo de Eliza, o goleiro respondeu: “Eu até peço, nesta oportunidade que estou tendo, que entreguem os restos mortais (de Eliza) para que possam dar um enterro digno para esta pessoa. Mas é uma coisa que eu não posso fazer, não está na minha mão.” Bruno afirmou ainda que tem esperanças de voltar a jogar futebol. “Hoje eu caí, mas eu vou me levantar de novo. Eu sonho com isso (jogar futebol novamente)”, disse o atleta, que ainda pratica o esporte dentro da prisão. “Eu não sei quanto tempo mais eu tenho que ficar aqui, mas enquanto houver sangue correndo nas minhas veias, eu vou lutar opor isso (voltar a jogar profissionalmente). Me perguntam: ‘Você sonhar em voltar em jogar pela seleção?’ Eu digo: por que não sonhar?”, afirmou. “Eu tenho capacidade para isso, eu gosto disso, eu respiro futebol. Eu vou dar a volta por cima, eu acredito nisso”, disse.

O caso Bruno
Eliza Samudio desapareceu no dia 4 de junho de 2010 após ter saído do Rio de Janeiro para ir a Minas Gerais a convite de Bruno. Vinte dias depois a polícia recebeu denúncias anônimas de que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. O filho de Eliza, então com quatro meses, teria sido levado pela mulher de Bruno, Dayanne Rodrigues. O menino foi achado posteriormente na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves.

No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Pouco depois, Flávio Caetano de Araújo, Wemerson Marques de Souza, o Coxinha Elenilson Vitor da Silva e Sérgio Rosa Sales, outro primo de Bruno, também foram presos por envolvimento no crime. Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza, um motorista de ônibus denunciou o primo do goleiro como participante do crime. Apreendido, jovem de 17 anos relatou à polícia que a ex-amante de Bruno foi mantida em cativeiro e executada pelo ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola, que a estrangulou e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães.

No dia 30 de julho, a Polícia de Minas Gerais indiciou todos pelo sequestro e morte de Eliza, sendo que Bruno foi apontado como mandante e executor do crime. No início de dezembro, Bruno e Macarrão foram condenados pelo sequestro e agressão a Eliza, em outubro de 2009, pela Justiça do Rio. O goleiro pegou quatro anos e seis meses de prisão.

Em 17 de dezembro, a Justiça mineira decidiu que Bruno, Macarrão, Sérgio Rosa Sales e Bola seriam levados a júri popular por homicídio triplamente qualificado, sendo que o último responderá também por ocultação de cadáver. Dayanne, Fernanda, Elenilson e Wemerson responderiam por sequestro e cárcere privado.

No dia 19 de novembro de 2012, foi dado início ao julgamento de Bruno, Bola, Macarrão, Dayanne e Fernanda. Dois dias depois, após mudanças na defesa do goleiro, o tribunal decidiu desmembrar o processo.  O júri condenou Macarrão, a 15 anos de prisão, e Fernanda Gomes de Castro, a cinco anos. No dia 8 de março de 2013, Bruno foi condenado a 22 anos e três meses de prisão, dos quais 17 anos e seis meses terão de ser cumpridos em regime fechado. Dayanne Rodrigues do Carmo, ex-mulher do goleiro e acusada de ser cúmplice no crime, foi absolvida. O ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, que é acusado como autor do homicídio, teve o júri marcado para abril de 2013.

Fonte: Terra
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