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Caso Bruno

MG: julgamento do goleiro Bruno começa com tumulto no plenário

Ex-atleta do Flamengo é julgado pela morte de Eliza Samudio

4 mar 2013 - 13h46
(atualizado às 14h27)
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Tribunal do Júri iniciou nesta segunda-feira o julgamento de Bruno e da ex-mulher Dayanne
Tribunal do Júri iniciou nesta segunda-feira o julgamento de Bruno e da ex-mulher Dayanne
Foto: Ney Rubens / Especial para Terra

O primeiro dia de julgamento do ex-goleiro do Flamengo, Bruno Fernandes, começou tumultuado, nesta manhã de segunda-feira, no Fórum de Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte. Como já era esperado, defesa e acusação trocaram farpas logo no início dos trabalhos.

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Como funciona o Tribunal do Júri

Nas questões preliminares, o advogado Lúcio Adolfo, defensor do ex-atleta, fez alguns pedidos para a magistrada e deu algumas afirmações fortes. O assistente da acusação, no entanto, José Arteiro, não gostou das palavras e um bate boca iniciou. “Você precisa ter mais educação, respeitar a juíza, respeitar os outros advogados e todos que estão aqui”, disse Arteiro.

Após cinco minutos de discussão, a juíza Marixa Fabiane conseguiu acalmar os ânimos e os trabalhos retornaram. Neste momento, Lucio Adolfo teve novamente a palavra e pediu que o atestado de óbito, expedido no mês passado onde afirma que Eliza teve morte por esganadura, fosse retirado, algo negado pela magistrada.

Pouco depois Ércio Quaresma também pediu a palavra e disse que precisa do acervo audiovisual, para fazer a defesa de Marcos Aparecido do Santos, o Bola, réu que será julgado somente em abril. A solicitação também foi negada pela juíza.

Em mais uma tentativa de atrapalhar os trabalhos, o defensor de Bruno pediu que o promotor Henry Vasconcelos trocasse de lugar, mas obteve outra resposta negativa da magistrada. “O senhor sabe que a promotoria sempre senta ao lado direito e vamos manter assim”, disse Fabiane.

Às 11h40 os réus foram autorizados e entraram no plenário. Bruno surpreendeu a plateia, cerca de 120 pessoas presentes, se mostrando muito magro. Sempre com a cabeça para baixo, o ex-goleiro em nenhum momento levantou o rosto. 

Por volta do meio-dia, após a escolha dos jurados, sendo cinco mulheres e dois homens, o ex-defensor rubro-negro começou a chorar e abriu a bíblia. Em seguida, a juíza fez uma pausa de uma hora para almoço e descanso. Os trabalhos serão reiniciados à tarde. 

 

O Caso Bruno

Eliza desapareceu no dia 4 de junho de 2010 quando teria saído do Rio de Janeiro para Minas Gerais a convite de Bruno. No ano anterior, a estudante paranaense já havia procurado a polícia para dizer que estava grávida do goleiro e que ele a agrediu para que ela tomasse remédios abortivos. Após o nascimento da criança, Eliza acionou a Justiça para pedir o reconhecimento da paternidade de Bruno. 

No dia 24 de junho, a polícia recebeu denúncias anônimas de que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. Na noite do dia 25 de junho, a polícia foi ao local e recebeu a informação de que o bebê apontado como filho do atleta, então com 4 meses, estava lá. A então mulher do goleiro, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, negou a presença da criança na propriedade. No entanto, durante depoimento, um dos amigos de Bruno afirmou que havia entregado o menino na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, onde foi encontrado.

Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza seguindo denúncias anônimas, em entrevista a uma rádio no dia 6 de julho, um motorista de ônibus disse que seu sobrinho participou do crime e contou em detalhes como Eliza foi assassinada. O menor citado pelo motorista foi apreendido na casa de Bruno no Rio. Ele é primo do goleiro e, em dois depoimentos, admitiu participação no crime. Segundo a polícia, o jovem de 17 anos relatou que a ex-amante de Bruno foi levada do Rio para Minas, mantida em cativeiro e executada pelo ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola ou Neném, que a estrangulou e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães.

No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Pouco depois, Flávio Caetano de Araújo, Wemerson Marques de Souza, o Coxinha Elenilson Vitor da Silva e Sérgio Rosa Sales, outro primo de Bruno, também foram presos por envolvimento no crime. Todos negam participação e se recusaram a prestar depoimento à polícia, decidindo falar apenas em juízo. 

No dia 30 de julho, a Polícia de Minas Gerais indiciou todos pelo sequestro e morte de Eliza, sendo que Bruno foi apontado como mandante e executor do crime. Além dos oito que foram presos inicialmente, a investigação apontou a participação de uma namorada do goleiro, Fernanda Gomes Castro, que também foi indiciada e detida. O Ministério Público concordou com o relatório policial e ofereceu denúncia à Justiça, que aceitou e tornou réus todos os envolvidos. O jovem de 17 anos, embora tenha negado em depoimentos posteriores ter visto a morte de Eliza, foi condenado no dia 9 de agosto pela participação no crime e cumprirá medida socioeducativa de internação por prazo indeterminado. 

No início de dezembro, Bruno e Macarrão foram condenados pelo sequestro e agressão a Eliza, em outubro de 2009, pela Justiça do Rio. O goleiro pegou quatro anos e seis meses de prisão por cárcere privado, lesão corporal e constrangimento ilegal, e seu amigo, três anos de reclusão por cárcere privado. Em 17 de dezembro, a Justiça mineira decidiu que Bruno, Macarrão, Sérgio Rosa Sales e Bola seriam levados a júri popular por homicídio triplamente qualificado, sendo que o último responderá também por ocultação de cadáver.

Dayanne, Fernanda, Elenilson e Wemerson também irão a júri popular, mas por sequestro e cárcere privado. Além disso, a juíza decidiu pela revogação da prisão preventiva dos quatro. Flávio, que já havia sido libertado após ser excluído do pedido de MP para levar os réus a júri popular, foi absolvido. Além disso, nenhum deles responderá pelo crime de corrupção de menores.

Conheça as acusações e penas máximas possíveis contra os réus

Réu Acusações Pena máxima
Bruno Homicídio triplamente qualificado, sequestro e cárcere privado de Eliza Samudio 41 anos
Dayanne Sequestro e cárcere privado do filho de Eliza Samudio 5 anos

 

No dia 19 de novembro de 2012, foi dado início ao julgamento de Bruno, Bola, Macarrão, Dayanne e Fernanda. Dois dias depois, após mudanças na defesa do goleiro, o tribunal decidiu desmembrar o processo.  No dia 22 de novembro de 2012, durante depoimento de cinco horas, Macarrão responsabilizou Bruno pelo sumiço de Eliza. Dois dias depois, o júri condenou Luiz Henrique Romão, o Macarrão, a 15 anos de prisão, e Fernanda Gomes de Castro, a cinco anos.

O julgamento de Bruno e de Dayane Rodrigues do Carmo, ex-mulher do goleiro e acusada de ser cúmplice no crime, foi remarcado para março de 2013. O ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, que é acusado como autor do homicídio, teve o júri marcado para abril de 2013.

Fonte: Especial para Terra
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