MG: Bola é indiciado pelo 4º homicídio desde sumiço de Eliza
- NEY RUBENS
- Direto de Belo Horizonte
A Polícia Civil de Belo Horizonte concluiu nesta terça-feira o inquérito que apurou mais uma morte que teria sido cometida pelo ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, também acusado de matar Eliza Samudio, ex-amante do goleiro Bruno.
Este foi o quarto indiciamento de Bola por homicídio desde o ano passado. Além da morte da ex-amante de Bruno, ele e outros três policiais, que eram do Grupo de Resposta Especial da Polícia Civil, respondem na Justiça de Esmeraldas, região metropolitana de Belo Horizonte, pela morte de dois homens no sítio onde o ex-policial mantinha um local de treinamento de cães, às margens da BR-040.
No inquérito concluído hoje, Bola é suspeito de matar, em julho de 2009, um homem identificado como Devanir Claudiano Alves. O crime, segundo o delegado Fernando Miranda, foi encomendado pelo comerciante Antônio Osvaldo Bicalho, também indiciado por homicídio. Bicalho responde em liberdade.
De acordo com o delegado, o comerciante teria descoberto que a mulher dele mantinha um suposto relacionamento com a vítima. Bola então teria sido contratado para cometer o crime.
Plano para matar juíza
Na última terça-feira, o advogado José Arteiro Cavalcante Lima, assistente de acusação do Ministério Público e representante da mãe de Eliza Samudio protocolou no Fórum de Contagem a denúncia de um suposto plano de Bola para matar a juíza Marixa Fabiane Lopes Rodrigues e o delegado Edson Moreira, envolvidos na investigação do caso. Arteiro também seria alvo do plano, que seria executado por traficantes do Rio de Janeiro a mando de Bola.
De acordo com o advogado, a mulher de um preso, que dividiu cela com Bola na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, o procurou e relatou que o ex-policial confessou para seu marido a intenção de matar os três porque eles estariam "complicando" a sua vida. A Corregedoria do Tribunal de Justiça e a Polícia Civil iniciaram as investigações na segunda-feira e desde hoje a juíza conta com uma escolta policial.
Desaparecimento de Eliza Samudio
Eliza desapareceu no dia 4 de junho, quando teria saído do Rio de Janeiro para Minas Gerais a convite de Bruno. No ano passado, a estudante paranaense já havia procurado a polícia para dizer que estava grávida do goleiro e que ele a agrediu para que ela tomasse remédios abortivos. Após o nascimento da criança, Eliza acionou a Justiça para pedir o reconhecimento da paternidade de Bruno.
No dia 24 de junho de 2010, a polícia recebeu denúncias anônimas de que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. Na noite do dia 25 de junho, a polícia foi ao local e recebeu a informação de que o bebê apontado como filho do atleta, de 4 meses, estava lá. A atual mulher do goleiro, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, negou a presença da criança na propriedade. No entanto, durante depoimento, um dos amigos de Bruno afirmou que havia entregado o menino na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, onde foi encontrado.
Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza seguindo denúncias anônimas, em entrevista a uma rádio no dia 6 de julho, um motorista de ônibus disse que seu sobrinho participou do crime e contou em detalhes como Eliza foi assassinada. O menor citado pelo motorista foi apreendido na casa de Bruno no Rio. Ele é primo do goleiro e, em dois depoimentos, admitiu participação no crime. Segundo a polícia, o jovem de 17 anos relatou que a ex-amante de Bruno foi levada do Rio para Minas, mantida em cativeiro e executada pelo ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola ou Neném, que a estrangulou e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães.
No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Pouco depois, Flávio Caetano de Araújo, Wemerson Marques de Souza, o Coxinha Elenilson Vitor da Silva e Sérgio Rosa Sales, outro primo de Bruno, também foram presos por envolvimento no crime. Todos negam participação e se recusaram a prestar depoimento à polícia, decidindo falar apenas em juízo.
No dia 30 de julho, a Polícia de Minas Gerais indiciou todos pelo sequestro e morte de Eliza, sendo que Bruno responderá como mandante e executor do crime. Além dos oito que foram presos inicialmente, a investigação apontou a participação de uma namorada do goleiro, Fernanda Gomes Castro, que também foi indiciada e detida. O Ministério Público concordou com o relatório policial e ofereceu denúncia à Justiça, que aceitou e tornou réus todos os envolvidos. O jovem de 17 anos, embora tenha negado em depoimentos posteriores ter visto a morte de Eliza, foi condenado no dia 9 de agosto pela participação no crime e cumprirá medida socioeducativa de internação por prazo indeterminado.
No início de dezembro, Bruno e Macarrão foram condenados pelo sequestro e agressão a Eliza, em outubro de 2009, pela Justiça do Rio. O goleiro pegou quatro anos e seis meses de prisão por cárcere privado, lesão corporal e constrangimento ilegal, e seu amigo, três anos de reclusão por cárcere privado. Em 17 de dezembro, a Justiça mineira decidiu que Bruno, Macarrão, Sérgio e Bola vão a júri popular por homicídio triplamente qualificado, sendo que o último responderá também por ocultação de cadáver. Dayanne, Fernanda, Elenilson e Wemerson também irão a júri popular, mas por sequestro e cárcere privado. Além disso, a juíza decidiu pela revogação da prisão preventiva dos quatro. Flávio, que já havia sido libertado após ser excluído do pedido de MP para levar os réus a júri popular, foi absolvido. Além disso, nenhum deles responderá pelo crime de corrupção de menores.