MG: advogado de primo de Bruno diz ter sido ameaçado de morte
- Ney Rubens
- Direto de Contagem
O advogado Marco Antônio Siqueira, que defende Sérgio Rosa Sales, primo do goleiro Bruno de Souza acusado de envolvimento na morte de Eliza Samudio, disse ao chegar ao Tribunal do Júri de Contagem (MG), por volta das 12h desta quarta-feira, que tem recebido ameaças de morte para que deixe o caso. Siqueira não quis dizer quem o estaria ameaçando, mas afirmou que recebeu ligações telefônicas em casa depois de ter discutido, na última sexta-feira, com o advogado de Bruno, Ércio Quaresma.
Siqueira disse ainda que chegou a encaminhar uma carta de desligamento do caso para a juíza Marixa Fabiane Lopes, na qual explica os motivos pelos quais estaria deixando a defesa de Sérgio Rosa Sales, mas ele afirma que primeiro vai conversar com a magistrada, o cliente e a família dele para decidir se renuncia ou não ao caso. "O Sérgio também tem recebido ameaças e está chorando muito. Vou conversar com a juíza e definir o que fazer", disse.
O primo de Bruno começou a chorar em uma sala reservada do fórum quando soube da iminente saída de Siqueira do caso. Ele chegou a pedir a um dos policiais que fazem a escolta dele que repassasse um recado para a família. Sales pediu que os familiares conversem com o advogado e convençam a não abandonar o caso.
Ércio Quaresma, que foi o primeiro a anunciar que Siqueira havia abandonado o caso, no início da manhã, nega as ameaças ao advogado e também a familiares e à noiva de Bruno, a dentista Ingrid Oliveira. Quaresma disse que tem dois telefones e que está à disposição da Justiça para que o sigilo dele seja quebrado, mas informou que até amanhã, caso Marco Antônio Siqueira saia, indicará um novo advogado para Sérgio Rosa Sales.
Denúncias
Em entrevista ao Fantástico, Ingrid acusou Ércio Quaresma de chantagear a família do jogador. "Se você tem amor à sua vida, eu quero que você saia do meu caminho", teria dito Quaresma, segundo a versão da dentista. Ela também acusa o advogado de ter sugerido a Bruno que tentasse suicídio para ganhar mais regalias na prisão. Pelo menos duas tentativas de suicídio teriam ocorrido, segundo ela.
As denúncias foram corroboradas pela avó do jogador, Estela Santana Trigueiro, 78 anos, que foi quem criou Bruno. "Eu briguei com o Ércio Quaresma porque eu estou chateada. Ele não faz nada para o menino (Bruno). Já fazem 3 meses que eles estão lá e ele só fica enrolando o menino. Dá remédio a ele, que fica desmaiando. A gente vai lá, conversa com o Bruno e ele começa a desmaiar. Lá no Rio, eles deram remédio. Ele (Quaresma) mesmo deu, para o Bruno não falar nada. Para mim ele não seria mais advogado dele não. O Bruno já tentou trocar de advogado cinco vezes, mas o Quaresma não deixa. Ele disse que se trocar, ele vai ameaçar a família. Ele ameaça a gente aqui fora", disse.
Segundo Quaresma, as denúncias são fomentadas por um amigo de Bruno, que estaria articulando um plano para administrar o dinheiro do jogador quando ele for solto da prisão. "O Bruno livre vale R$ 10 milhões. E ele (amigo) quer administrar a vida do menino quando ele sair. Mas até o momento - e eu vou conversar hoje com o Bruno pra essa peleja acabar - sou eu o defensor legal, por meio de instrumento público, e, portanto, que administro todas as operações financeiras do atleta", disse o advogado em frente ao Tribunal do Júri de Contagem (MG), onde o jogador e outros oito acusados pela morte de Eliza Samudio participam de audiência nesta quarta-feira.
O caso
Eliza Samudio desapareceu no dia 4 de junho, quando teria saído do Rio de Janeiro para Minas Gerais a convite de Bruno. No ano passado, a estudante paranaense já havia procurado a polícia para dizer que estava grávida do goleiro e que ele a agrediu para que ela tomasse remédios abortivos. Após o nascimento da criança, Eliza acionou a Justiça para pedir o reconhecimento da paternidade de Bruno.
No dia 24 de junho, a polícia recebeu denúncias anônimas dizendo que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. Na noite do dia 25 de junho, a polícia foi ao local e recebeu a informação de que o bebê apontado como filho do atleta, de 4 meses, estava lá. A atual mulher do goleiro, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, negou a presença da criança na propriedade. No entanto, durante depoimento, um dos amigos de Bruno afirmou que havia entregado o menino na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, onde foi encontrado.
Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza seguindo denúncias anônimas, em entrevista a uma rádio no dia 6 de julho, um motorista de ônibus disse que seu sobrinho participou do crime e contou em detalhes como Eliza foi assassinada. O menor citado pelo motorista foi apreendido na casa de Bruno no Rio. Ele é primo do goleiro e, em dois depoimentos, admitiu participação no crime. Segundo a polícia, o jovem de 17 anos relatou que a ex-amante de Bruno foi levada do Rio para Minas, mantida em cativeiro e executada pelo ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola ou Neném, que a estrangulou e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães.
No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Pouco depois, Flávio Caetano de Araújo, Wemerson Marques de Souza, o Coxinha Elenilson Vitor da Silva e Sérgio Rosa Sales, outro primo de Bruno, também foram presos por envolvimento no crime. Todos negam participação e se recusaram a prestar depoimento à polícia, decidindo falar apenas em juízo.
No dia 30 de julho, a Polícia de Minas Gerais indiciou todos pelo sequestro e morte de Eliza, sendo que Bruno responderá como mandante e executor do crime. Além dos oito que foram presos inicialmente, a investigação apontou a participação da atual amante do goleiro, Fernanda Gomes Castro, que também foi indiciada e detida. O Ministério Público concordou com o relatório policial e ofereceu denúncia à Justiça, que aceitou e tornou réus todos os envolvidos. O jovem de 17 anos, embora tenha negado em depoimentos posteriores ter visto a morte de Eliza, foi condenado no dia 9 de agosto pela participação no crime e cumprirá medida socioeducativa de internação por prazo indeterminado.