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Mãe de Eliza diz que não perdoa Bruno e teme represálias

8 mar 2013 09h05
| atualizado às 09h28
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<p>Sônia de Fátima Moura, mãe de Eliza Samudio, acompanhou o julgamento de Bruno e Dayanne em Contagem</p>
Sônia de Fátima Moura, mãe de Eliza Samudio, acompanhou o julgamento de Bruno e Dayanne em Contagem
Foto: Ney Rubens / Especial para Terra

A mãe de Eliza Samudio, Sônia de Fátima Moura, afirmou nesta sexta-feira que não perdoa o goleiro Bruno Fernandes, 28 anos, pela morte da filha, em 2010. Em entrevista ao programa Mais Você, da TV Globo, Sônia disse que ficou decepcionada com a sentença atribuída ao réu, condenado na última madrugada a 22 anos e três meses de prisão - 17 anos e 6 meses em regime fechado. Ele poderá pedir a liberdade após cumprir 2/5 desse total, que equivalem a sete anos - como o ex-goleiro já permaneceu em cárcere por 2 anos e 8 meses, ele pode ficar preso até 2017. Sônia disse que teme represálias. "Quem garante que, quando sair, o Bruno não vai vir atrás de mim, do meu neto, e tentar fazer a mesma coisa que fez com a minha filha?", afirmou.

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Sônia chorou ao mostrar uma foto do neto, filho de Eliza em Bruno - na imagem, o garoto segurava uma foto da mãe. Para ela, a sentença de Bruno não foi justa e o julgamento não esclareceu o caso. "Nesse dia internacional das mulheres, eu esperava que a Justiça me desse um presente. Eu vim aqui buscar uma resposta que eles não me deram. (...) Eu não sei o que fizeram do corpo da minha filha", disse Sônia, chorando. A mãe de Eliza também afirmou não concordar com a absolvição da ex-mulher de Bruno, Dayanne do Carmo. "A Dayanne não é aquela mãe zelosa que tentou parecer perante o júri. Ela pegou o meu neto no colo e não foi para levar para uma farmácia ou para um passeio, foi para levar para as mãos do executor", disse ela. Sônia afirmou que irá acompanhar o julgamento, em abril, de Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, acusado de ser o executor do crime.

O caso Bruno
Eliza Samudio desapareceu no dia 4 de junho de 2010 após ter saído do Rio de Janeiro para ir a Minas Gerais a convite de Bruno. Vinte dias depois a polícia recebeu denúncias anônimas de que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. O filho de Eliza, então com quatro meses, teria sido levado pela mulher de Bruno, Dayanne Rodrigues. O menino foi achado posteriormente na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves.

No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Pouco depois, Flávio Caetano de Araújo, Wemerson Marques de Souza, o Coxinha Elenilson Vitor da Silva e Sérgio Rosa Sales, outro primo de Bruno, também foram presos por envolvimento no crime. Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza, um motorista de ônibus denunciou o primo do goleiro como participante do crime. Apreendido, jovem de 17 anos relatou à polícia que a ex-amante de Bruno foi mantida em cativeiro e executada pelo ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola, que a estrangulou e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães. 

No dia 30 de julho, a Polícia de Minas Gerais indiciou todos pelo sequestro e morte de Eliza, sendo que Bruno foi apontado como mandante e executor do crime. No início de dezembro, Bruno e Macarrão foram condenados pelo sequestro e agressão a Eliza, em outubro de 2009, pela Justiça do Rio. O goleiro pegou quatro anos e seis meses de prisão. 

Em 17 de dezembro, a Justiça mineira decidiu que Bruno, Macarrão, Sérgio Rosa Sales e Bola seriam levados a júri popular por homicídio triplamente qualificado, sendo que o último responderá também por ocultação de cadáver. Dayanne, Fernanda, Elenilson e Wemerson responderiam por sequestro e cárcere privado. 

No dia 19 de novembro de 2012, foi dado início ao julgamento de Bruno, Bola, Macarrão, Dayanne e Fernanda. Dois dias depois, após mudanças na defesa do goleiro, o tribunal decidiu desmembrar o processo.  O júri condenou Macarrão, a 15 anos de prisão, e Fernanda Gomes de Castro, a cinco anos. O julgamento de Bruno e de Dayane Rodrigues do Carmo, ex-mulher do goleiro e acusada de ser cúmplice no crime, foi remarcado para 4 de março de 2013. O ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, que é acusado como autor do homicídio, teve o júri marcado para abril de 2013. 

Fonte: Terra
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