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Depoimento de delegado em julgamento de Bola termina após 15 horas

Responsável pelas investigações da morte de Eliza Samudio, Edson Moreira prestou depoimento por dois dias no Fórum de Contagem

25 abr 2013 19h21
| atualizado às 19h49
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O delegado Edson Moreira depõe no julgamento de Marcos Aparecido dos Santos, o Bola
O delegado Edson Moreira depõe no julgamento de Marcos Aparecido dos Santos, o Bola
Foto: Renata Caldeira / TJMG / Divulgação

Após mais de 15 horas respondendo a questionamentos, o delegado Edson Moreira encerrou seu depoimento por volta das 19h no Fórum de Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte (MG), no julgamento do ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola. O réu é acusado de ser o executor da modelo Eliza Samudio, ex-amante do goleiro Bruno de Souza. Iniciado ainda na noite de quarta-feira, o depoimento de Moreira foi interrompido e retomado hoje. Ao término da oitiva de Moreira, a juíza Marixa Fabiane suspendeu o julgamento, que prosseguirá na manhã de sexta-feira.

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Durante os dois dias, as táticas estavam bem definidas. A defesa buscava desqualificar o trabalho feito pela Polícia Civil de Minas Gerais, na época dos fatos. Durante todo o tempo em que teve a palavra, o advogado Ércio Quaresma, que defende Bola, tentou mostrar para os jurados as falhas no inquérito.

Em um dos momentos mais fortes do depoimento, Edson Moreira rebateu uma das teses utilizadas pela defesa desde o início do caso: a falta de sangue na casa de Bola. Para isso, o delegado - que hoje é vereador de Belo Horizonte pelo PTN - explicou que o réu não esquartejou Eliza em sua casa. Ele ainda deixou claro que a história da entrega da mão de Eliza para que os cachorros comessem, como foi relatado por Jorge Luiz, primo de Bruno, no início do caso, foi uma "ilusão" criada pelo ex-policial para confundir as testemunhas e deixá-las em descrédito caso fossem investigadas.

Já o promotor Henry Vasconcelos entrou nos detalhes da investigação. Com isso, o depoente ficou até o início da noite respondendoo aos questionamentos de defesa e acusação.

Brigas
O dia foi marcado também pelas brigas no plenário. O primeiro desentendimento foi entre Ércio Quaresma e Moreira. Durante as perguntas, o advogado deu a entender que o delegado teria pedido uma quantia em dinheiro para Bruno, na época das investigações.

"O senhor me respeite. Já vi você falando na imprensa que eu teria pedido dinheiro para o Bruno, então você prova", disse Moreira, se mostrando nervoso. Pouco depois, após um intervalo, o defensor de Bola pediu perdão e seguiu seu trabalho.

No entanto, a maior discussão aconteceu entre Quaresma e o promotor Henry Vasconcelos. A primeira delas foi quando eles começaram a trocar farpas e ofensas. "O senhor é canalha. Você é um canalha e eu vou provar", disse o advogado de defesa para o promotor Henry Vasconcelos, que rebateu: "Canalha é você. Me respeite. Você fez uma afirmação mentirosa e canalha", gritou. Tudo se acalmou somente com a intervenção da juíza Marixa Fabiane.

O caso Bruno
Eliza Samudio desapareceu no dia 4 de junho de 2010 após ter saído do Rio de Janeiro para ir a Minas Gerais a convite de Bruno. Vinte dias depois a polícia recebeu denúncias anônimas de que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. O filho de Eliza, então com quatro meses, teria sido levado pela mulher de Bruno, Dayanne Rodrigues. O menino foi achado posteriormente na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves.

No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Pouco depois, Flávio Caetano de Araújo, Wemerson Marques de Souza, o Coxinha Elenilson Vitor da Silva e Sérgio Rosa Sales, outro primo de Bruno, também foram presos por envolvimento no crime. Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza, um motorista de ônibus denunciou o primo do goleiro como participante do crime. Apreendido, jovem de 17 anos relatou à polícia que a ex-amante de Bruno foi mantida em cativeiro e executada pelo ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola, que a estrangulou e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães. 

No dia 30 de julho, a Polícia de Minas Gerais indiciou todos pelo sequestro e morte de Eliza, sendo que Bruno foi apontado como mandante e executor do crime. No início de dezembro, Bruno e Macarrão foram condenados pelo sequestro e agressão a Eliza, em outubro de 2009, pela Justiça do Rio. O goleiro pegou quatro anos e seis meses de prisão. 

Em 17 de dezembro, a Justiça mineira decidiu que Bruno, Macarrão, Sérgio Rosa Sales e Bola seriam levados a júri popular por homicídio triplamente qualificado, sendo que o último responderá também por ocultação de cadáver. Dayanne, Fernanda, Elenilson e Wemerson responderiam por sequestro e cárcere privado. 

No dia 19 de novembro de 2012, foi dado início ao julgamento de Bruno, Bola, Macarrão, Dayanne e Fernanda. Dois dias depois, após mudanças na defesa do goleiro, o tribunal decidiu desmembrar o processo.  O júri condenou Macarrão, a 15 anos de prisão, e Fernanda Gomes de Castro, a cinco anos. No dia 8 de março de 2013, Bruno foi condenado a 22 anos e três meses de prisão, dos quais 17 anos e seis meses terão de ser cumpridos em regime fechado. Dayanne Rodrigues do Carmo, ex-mulher do goleiro e acusada de ser cúmplice no crime, foi absolvida. O ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, que é acusado como autor do homicídio, teve o júri marcado para abril de 2013.

Fonte: Especial para Terra
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