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Carandiru: "mundo do crime ganhou", diz defesa dos 25 PMs condenados

3 ago 2013
05h47
atualizado às 05h58
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A advogada de defesa dos 25 policiais condenados a 624 anos de prisão pelo massacre do Carandiru no dia 2 de outubro de 1992, na Casa de Detenção, em São Paulo, afirmou que com a vitória da promotoria no júri popular “a sociedade perdeu e o mundo do crime ganhou”. Os jurados entenderam que os militares foram responsáveis por 52 mortes no terceiro pavimento do Pavilhão 9 do presídio. Os réus aguardarão recurso em liberdade.

“Na verdade quando se condena policiais que trabalharam honestamente, corretamente e que não tiveram nenhuma participação nesse numero de mortes, eu estou responsabilizando quem nos protege”, afirmou a representante da defesa.

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Os réus - todos integrantes do 1º Batalhão de Choque (Rota) - foram condenados à pena mínima para cada homicídio, que é de seis anos, somada à pena de mais seis anos por impossibilitarem a defesa das vítimas. Os 12 anos multiplicados pelo número de vítimas resultou na pena de 624 anos para cada um deles.

Durante os cinco dias de julgamento no Fórum Criminal da Barra Funda, a advogada de defesa insistiu em dois quesitos. O primeiro deles foi o pedido pela individualização dos crimes, solicitando à promotoria que apresentasse qual detento foi morto por cada um dos policiais, já que, segundo ela, não há crime coletivo. O segundo foi a alegação de que os militares apenas reagiram a uma ação dos presos, que os receberam com tiros no momento da invasão.

“A tese vai continuar sendo a mesma, porque é a única que cabe. Não existe, em direito, autoria coletiva. Espero reverter nos tribunais, mas como esse caso é político, ele não vai ser revertido facilmente, assim como ele não é julgado facilmente”, afirmou Ieda, que também defendeu 26 policiais no primeiro julgamento do massacre que totalizou 13 mortes. Neste júri, 23 militares foram condenados a 156 anos de prisão. Em todo massacre, 111 detentos morreram.

Quando questionada se a decisão dos sete jurados refletia a opinião da sociedade em relação à prisão dos 25 policiais, a representante da defesa não concordou.

“Vão à internet ver os comentários. Aquilo reflete a sociedade. E como daquela vez eu tenho um voto de diferença. Um voto exprime o que a sociedade quer?”, questionou. “É o estigma da tropa de confronto. Quem confronta tem uma probabilidade maior de ser mais exposto. Vou defender todos e com a mesma garra e o mesmo sentimento de injustiça”, completou.

Relembre o caso
Em 2 de outubro de 1992, uma briga entre presos da Casa de Detenção de São Paulo - o Carandiru - deu início a um tumulto no Pavilhão 9, que culminou com a invasão da Polícia Militar e a morte de 111 detentos. Os policiais são acusados de disparar contra presos que estariam desarmados. A perícia constatou que vários deles receberam tiros pelas costas e na cabeça.

Entre as versões para o início da briga está a disputa por um varal ou pelo controle de drogas no presídio por dois grupos rivais. Ex-funcionários da Casa de Detenção afirmam que a situação ficou incontrolável e por isso a presença da PM se tornou imprescindível.

A defesa afirma que os policiais militares foram hostilizados e que os presos estavam armados. Já os detentos garantem que atiraram todas as armas brancas pela janela das celas assim que perceberam a invasão. Do total de mortos, 102 presos foram baleados e outros nove morreram em decorrência de ferimentos provocados por armas brancas. De acordo com o relatório da Polícia Militar, 22 policiais ficaram feridos.

Fonte: Terra

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