Brasileiros vítimas de tráfico de seres humanos chegam ao País
Um grupo de 10 brasileiros que teriam sido vítimas de uma rede internacional de tráfico de seres humanos na Turquia chegou, nesta sexta-feira, ao Brasil. Os integrantes da Companhia Gafieira Brasil desembarcaram no aeroporto de Guarulhos, região metropolitana de São Paulo, e foram ouvidos até às 22h45 pela Polícia Federal à pedido do Ministério das Relações Exteriores.
Os integrantes da companhia, acusados de matar um empresário turco, afirmam que foram enganados e mantidos em cárcere privado em uma fazenda na Turquia. Segundo o cônsul-geral do Brasil na Turquia, Michael Gepp, os artistas foram vítimas de uma rede internacional de tráfico de seres humanos, drogas, armas e lavagem de dinheiro, que possui ramificações no Rio de Janeiro e São Paulo. "Outros brasileiros já caíram nessa armadilha", disse, afirmando que o empresário turco tem passagens pela polícia e é investigado pela Interpol.
A Companhia Gafieira Brasil, que difunde a cultura afro-brasileira, deixou o Brasil em abril. Eles dizem que foram presos e ameaçados de morte pelo empresário turco Öner Bayran, que os contratou para uma temporada de seis meses de shows em Istambul e outras cidades turcas.
Segundo o grupo, o empresário teria prometido um cachê de US$ 10 mil (R$ 18 mil) por mês, além de hospedagem e três refeições diárias. No entanto, após não receber o dinheiro, o dono da companhia, Paulo Franco, 28 anos, acreditou ter sido vítima de uma rede internacional de tráfico de seres humanos.
Paulo relatou em emails enviados à mãe, a artista plástica Sheila Franco, que foi ameaçado e agredido pelo empresário. De acordo com ele, o grupo foi alojado em condições sub-humanas em um hotel fazenda abandonado, em Bodrun, chegando a passar fome.
Eles não conseguiram o visto de trabalho, porque o empresário os manteve no país como turistas. Os brasileiros ficaram detidos por oito horas em uma delegacia de Bodrun, sob ameaça de terem os passaportes confiscados e serem deportados.
Sheila, que é membro da membro da Comissão Jurídica de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR), recorreu ao advogado Carlos Nicodemos, que acionou o Consulado do Brasil na Turquia para conseguir a liberação do grupo.
Com informações do JBOnline.