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Planalto confirma que Dilma conversou com Obama para tratar de espionagem

Casa Branca já havia confirmado o encontro entre os dois presidentes

5 set 2013
19h39
atualizado às 21h00
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O Palácio de Planalto confirmou o encontro da presidente Dilma Rousseff com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, durante a 8ª cúpula do G20, iniciada nesta quinta-feira na Rússia. De acordo com o twitter do Blog do Planalto, a reunião ocorreu logo depois da abertura do evento. A conversa era esperada após denúncias de que os americanos espionaram brasileiros, entre eles a própria presidente.

Dilma chega ao jantar oficial do G20, em São Petersburgo, na Rússia, depois de se reunir a sós com o presidente americano, Barack Obama
Dilma chega ao jantar oficial do G20, em São Petersburgo, na Rússia, depois de se reunir a sós com o presidente americano, Barack Obama
Foto: AP
Obama e Dilma se reúnem e chegam atrasados a jantar do G20

Encerrada a cerimônia de boas-vindas do G20, líderes das 19 maiores economias mundiais participaram da primeira reunião de trabalho. Depois, se dirigiram ao Palácio Grand Peterhof, em São Petersburgo, onde o presidente da Rússia, Vladimir Putin, ofereceu um jantar aos chefes de Estado. Dilma e Obama chegaram atrasados ao local.

O governo americano confirmou o encontro, mas não deu qualquer detalhe. Antes, Ben Rhodes, vice-assessor de segurança para comunicações estratégicas da Presidência americana, disse que Obama buscaria fazer com "que os brasileiros tenham um melhor entendimento sobre o que fazemos e o que não fazemos". 

No último fim de semana, reportagem do Fantástico revelou documentos mostrando que a Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos monitorou conversas entre Dilma e seus principais assessores.

As revelações de espionagem causaram mal-estar na relação bilateral e colocaram em dúvida a visita que Dilma deve fazer aos Estados Unidos em outubro. Nesta quinta-feira, o Planalto confirmou o cancelamento da ida a Washington, no sábado, de uma equipe que faria os preparativos da viagem.

Espionagem americana no Brasil
Matéria do jornal O Globo de 6 de julho denunciou que brasileiros, pessoas em trânsito pelo Brasil e também empresas podem ter sido espionados pela Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (National Security Agency - NSA, na sigla em inglês), que virou alvo de polêmicas após denúncias do ex-técnico da inteligência americana Edward Snowden. A NSA teria utilizado um programa chamado Fairview, em parceria com uma empresa de telefonia americana, que fornece dados de redes de comunicação ao governo do país. Com relações comerciais com empresas de diversos países, a empresa oferece também informações sobre usuários de redes de comunicação de outras nações, ampliando o alcance da espionagem da inteligência do governo dos EUA.

Ainda segundo o jornal, uma das estações de espionagem utilizadas por agentes da NSA, em parceria com a Agência Central de Inteligência (CIA) funcionou em Brasília, pelo menos até 2002. Outros documentos apontam que escritórios da Embaixada do Brasil em Washington e da missão brasileira nas Nações Unidas, em Nova York, teriam sido alvos da agência.

Logo após a denúncia, a diplomacia brasileira cobrou explicações do governo americano. O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, afirmou que o País reagiu com “preocupação” ao caso.

O embaixador dos Estados Unidos, Thomas Shannon negou que o governo americano colete dados em território brasileiro e afirmou também que não houve a cooperação de empresas brasileiras com o serviço secreto americano.

Por conta do caso, o governo brasileiro determinou que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) verifique se empresas de telecomunicações sediadas no País violaram o sigilo de dados e de comunicação telefônica. A Polícia Federal também instaurou inquérito para apurar as informações sobre o caso.

Após as revelações, a ministra responsável pela articulação política do governo, Ideli Salvatti (Relações Institucionais), afirmou que vai pedir urgência na aprovação do marco civil da internet. O projeto tramita no Congresso Nacional desde 2011 e hoje está em apreciação pela Câmara dos Deputados.

Agência Brasil Agência Brasil
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