PF não descarta delação com ex-presidente do BRB e advogado de Vorcaro; ministro promete mais ações 'nos próximos dias'
Autoridades de segurança deram detalhes de fase da Operação Compliance Zero que prendeu Paulo Henrique Costa e Daniel Monteiro
Autoridades de segurança detalharam na tarde desta quinta-feira, 16, parte da quarta fase da Operação Compliance Zero, que prendeu o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa e o advogado Daniel Monteiro, ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Questionado se um acordo de delação premiada com os presos na quarta fase seria interessante para a PF, o diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado da Polícia Federal, Dennis Cali, não descartou a possibilidade.
Receba as principais notícias direto no WhatsApp! Inscreva-se no canal do Terra
"Com relação à delação premiada, é um meio de obtenção de prova, e cabe à pessoa que acha que tem aqueles elementos a colaborar com a investigação que se apresente e que apresente esses fatos que no futuro eles. Ele é analisado, validado e encaminhado para homologação", afirmou Cali.
A fase desta quinta resultou, além das duas prisões, em sete mandados de busca e apreensão. Enquanto a primeira etapa da Compliance Zero, que culminou no afastamento de Costa do BRB, focava nas fraudes no Banco Master, a quarta fase concentrou os esforços da Polícia Federal (PF) "no lado do BRB".
"Não ainda no detalhamento das fraudes do banco em si, mas na corrupção dos gestores do banco relacionada a toda essa operação de compra e venda", explicou o diretor-executivo da Polícia Federal, William Murad, em referência à tentativa de compra de 58% do Banco Master em março de 2025, pelo BRB. O negócio, vetado pelo Banco Central (BC) era avaliado em R$ 2 bilhões.
Durante a coletiva, o ministro da Justiça, Wellington Lima, prometeu reforçar uma série de ações do governo contra o crime organizado. "Este evento desta operação é apenas uma das ações que se inscreverá no rol de outras iniciativas que o governo deve adotar com mais ênfase nos próximos dias, caracterizando nosso obsessivo combate ao crime organizado", disse.
Além da fase desta quinta, a Operação Compliance Zero também teve uma primeira etapa em novembro de 2025, quando a PF investigou fraudes na venda de créditos do Banco Master para o BRB, resultando em prisões, apreensões e afastamento do então presidente do BRB. A segunda fase, em janeiro de 2026, focou em fraudes no sistema financeiro, com novos mandados e bloqueio de bens. A fase três, também neste ano, investigou corrupção e obstrução de justiça, com afastamento de servidores do Banco Central.
4ª fase da Operação Compliance Zero
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça autorizou a prisão do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa por indícios de recebimento de R$ 140 milhões em propinas pagas pelo dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Na decisão, o magistrado também mostrou mensagens entre os dois e afirma que Costa atuava como "mandatário" de Vorcaro.
Além de Costa, o advogado Daniel Monteiro, que atuava para o Master, também foi alvo de mandado de prisão por suspeita de montar a estrutura de lavagem de dinheiro para o ex-presidente do BRB.
A defesa de Costa considerou a prisão desta quinta como desnecessária. "Desde a primeira fase da operação, não há notícia de que ele tenha praticado qualquer fato que pudesse atentar contra a instrução criminal, contra a ordem pública, contra a aplicação da lei penal, de maneira que a defesa considera, no primeiro momento, a prisão absolutamente desnecessária", disse o advogado Cleber Lopes a jornalistas em frente ao prédio em Brasília onde Costa mora.
O Terra tenta contato com a defesa de Monteiro.
(Com informações do Estado de S. Paulo)

Comentários
As opiniões expressas nos comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do Terra.