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Pela 1ª vez, senador boliviano prestará depoimento à Justiça do Brasil

9 set 2013 08h06
| atualizado às 08h06
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<p>O senador boliviano de oposição Roger Pinto Molina, 53 anos, está no Brasil</p>
O senador boliviano de oposição Roger Pinto Molina, 53 anos, está no Brasil
Foto: Valter Campanato / Agência Brasil

Pela primeira vez, o senador boliviano de oposição Roger Pinto Molina, 53 anos, prestará depoimento à Justiça do Brasil desde que chegou ao País há duas semanas. O parlamentar será ouvido na próxima quinta-feira, às 14h30, na 4ª Vara da Justiça, em Brasília. O testemunho de Molina faz parte do processo de retirada da Bolívia, no último dia 22, coordenado pelo encarregado de Negócios do Brasil em La Paz, Eduardo Saboia.

"O senador será ouvido em juízo com vistas a preservar provas que podem ser importantes. A expectativa é que ele (Pinto Molina) ateste a verdade e relate todo o processo vivido", ressaltou o advogado Ophir Cavalcante Junior, que defende o diplomata Eduardo Saboia.

O defensor de Saboia, no entanto, disse que entrará ainda hoje com um requerimento para que seu cliente preste depoimento apenas depois de ter acesso a todos os documentos sobre o caso. O diplomata brasileiro tem audiência prevista na comissão também na quinta-feira, às 9h. Ophir vai protocolar o requerimento na comissão de sindicância, que investiga a atuação de Saboia no processo.

A defesa quer ter acessos a todos os e-mails, telegramas e notas trocados entre a Embaixada do Brasil na Bolívia, o Ministério das Relações Exteriores e a Presidência da República. A relação de documentos é extensa e mantida pela comissão em caráter sigiloso.

Paralelamente, Ophir vai solicitar que Pinto Molina seja arrolado como testemunha pela comissão no processo que investiga a atuação de Saboia. Ele conversou com Fernando Tibúrcio Peña, que defende o boliviano, e ambos consideram que o depoimento pode ser esclarecedor e indicar a verdade.

“A expectativa é que o senador fale à comissão o que ocorreu e conte em detalhes como foram os 15 meses na embaixada brasileira em La Paz”, disse Ophir. “É importante que a comissão ouça o senador Pinto Molina porque o ministro (encarregado de Negócios do Brasil na Bolívia) Saboia se envolveu na questão por causa dele. É fundamental ouvi-lo para entender o que ocorreu ao longo do processo”, disse Tibúrcio.  

As investigações
Pinto Molina ficou 455 dias abrigado na Embaixada do Brasil na Bolívia. Ele foi retirado da Bolívia rumo ao Brasil em uma operação, organizada por Saboia, desencadeando uma crise diplomática. O então chanceler Antonio Patriota foi substituído por Luiz Alberto Figueiredo Machado. Em junho de 2012, o Brasil concedeu asilo diplomático ao senador, mas o governo boliviano não deu o salvo-conduto para ele deixar o país.

Saboia é alvo de investigações de uma comissão de sindicância, formada por dois embaixadores e um auditor da Receita Federal, que apura as responsabilidades do diplomata na retirada de Pinto Molina da Embaixada do Brasil em La Paz. O ex-encarregado de Negócios é acusado de quebra de hierarquia. A defesa nega.

No Brasil há 15 dias, Pinto Molina é classificado como um "delinquente comum" pelo governo boliviano. O senador nega as acusações relativas a desvios de recursos públicos e corrupção. No total, são mais de 20 processos.

Na semana passada, esteve em Brasília uma missão boliviana de alto nível, formada por três ministros integrantes do Ministério Público, que apresentou documentos ao Ministério da Justiça sobre os processos judiciais envolvendo Pinto Molina.

 

 

Agência Brasil Agência Brasil
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