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Papa diz que bispos não podem ter 'psicologia de príncipes'

28 jul 2013 16h49
| atualizado às 18h18
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Papa diz que bispos não são príncipes e devem amar a pobreza:

O papa Francisco disse neste domingo que os bispos devem dirigir as comunidades com diálogo e precisam ser pastores próximos às pessoas, agindo com simplicidade e sem ambição.

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O Pontífice fez essas manifestações no discurso que dirigiu ao comitê de coordenação do Conselho Episcopal Latino-Americao (Celam), formado por 45 bispos da América Latina. A reunião aconteceu no Rio de Janeiro logo após o encerramento da 28ª Jornada Mundial da Juventude (JMJ).

O Papa se referiu à Missão Continental, o documento surgido da 5ª reunião do Celam, em Aparecida, em 2007, onde foram traçadas as linhas a serem seguidas pela igreja latino-americana no século 21.

Referindo-se aos bispos, Francisco disse que são eles que conduzem a pastoral. São homens que, segundo o líder religioso, devem ser pastores, próximos das pessoas.

"Homens que amem a pobreza, seja a pobreza interior como liberdade perante o senhor, seja a pobreza exterior como simplicidade e austeridade de vida. Homens que não tenham 'psicologia de príncipes'. Homens que não sejam ambiciosos, homens capazes de velar sobre o rebanho confiado e cuidando de tudo aquilo que o mantém unido, vigiar seu povo com atenção para os eventuais perigos que o ameacem, sobretudo para garantir a esperança, que haja sol e luz nos corações", conclamou.

"O lugar do bispo para estar com seu povo é triplo: à frente, para indicar o caminho; no meio, para mantê-lo unido e neutralizar os debandes; ou atrás, para evitar que algum fique atrasado, mas também, e fundamentalmente, porque o rebanho também tem olfato próprio para encontrar novos caminhos", completou.

Francisco explicou que não queria exagerar em detalhes sobre a pessoa do bispo, mas acrescentar, incluindo-se na afirmação, que a igreja e sociedade como um todo estão atrasados no que a Conversão Pastoral se refere.

Em um longo discurso, Francisco analisou o documento de Aparecida e assinalou que a Igreja é instituição, mas quando se posiciona como centro acaba se transformando em uma ONG, sendo autorreferencial e se fragilizando na necessidade de ser missionária.

O bispo de Roma se referiu também à intervenção do clero nos negócios públicos e privados, chamada de clericalismo, o que, de acordo com ele, é também uma tentação muito atual na América Latina.

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"Curiosamente, na maioria dos casos, trata-se de uma cumplicidade pecadora: o padre clericaliza e o laico lhe pede por favor que se clericalize, porque no fundo é mais cômodo. O fenômeno do clericalismo explica, em grande parte, a falta de maturidade e de liberdade cristã em boa parte do continente laico latino-americano", denunciou.

O Pontífice disse também que existe na América Latina uma forma de liberdade laica que se expressa fundamentalmente na piedade popular e acrescentou que a proposta dos grupos bíblicos, das comunidades eclesiais de base e dos conselhos pastorais segue a linha de superação do clericalismo e de um crescimento da responsabilidade laica.

Francisco destacou que Aparecida propôs a renovação interna da Igreja e disse que é necessário com frequência que os bispos reflitam se o trabalho que fazem é mais pastoral que administrativo, se promovem espaços e ocasiões para manifestar a misericórdia de Deus, se participam da missão aos fiéis laicos e se são apoiados, "superando qualquer tentação de manipulação ou submissão indevida".

Francisco também citou algumas tentações contra a missão, entre elas o "reducionismo sociabilizante, que abrange os campos mais variados, desde o liberalismo de mercado até o marxismo; a ideologização psicológica, que reduz o encontro com Jesus Cristo a um conhecimento, ignorando a transcendência da missão e a proposta agnóstica que se dá em grupos de elitistas; e os denominados católicos ilustrados, por serem herdeiros do Iluminismo".

Após a reunião, o Papa deverá cumprimentar os voluntários da JMJ e seguir, de carro fechado, para o aeroporto internacional do Rio de Janeiro, de onde irá ainda esta noite para Roma.

Papa Francisco no Brasil
A Jornada Mundial da Juventude (JMJ) 2013 foi realizada entre os dias 23 e 28 de julho, no Rio de Janeiro. O evento, organizado a cada dois ou três anos, promove um encontro internacional de jovens católicos com o Papa. Esta edição da JMJ reuniu mais de 3 milhões de pessoas, entre elas peregrinos de 175 países. A JMJ 2013 marcou também a primeira visita internacional do papa Francisco desde sua nomeação como líder máximo da Igreja Católica, em 13 de março deste ano. A próxima edição do evento será realizada em 2016, em Cracóvia, na Polônia.

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EFE   
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