Padre italiano assassinado no Brasil é beatificado como mártir
Solenidade foi celebrada pelo cardeal João Braz de Aviz em Jauru (MT)
O cardeal brasileiro João Braz de Aviz, prefeito emérito do Dicastério para os Institutos de Vida Consagrada, celebrou neste sábado (13), representando o papa Leão XIV, a missa de beatificação de dom Nazareno Lanciotti, missionário italiano assassinado por "ódio à fé", na paróquia Nossa Senhora do Pilar, na cidade de Jauru (MT).
Em sua homilia, o cardeal definiu dom Nazareno como "testemunha exemplar da vida cristã para toda a Igreja e para a humanidade". A cerimônia ocorreu no local onde o missionário atuou por quase 30 anos, dedicando-se aos mais necessitados até o martírio, que foi reconhecido no ano passado, ainda no pontificado do papa Francisco, poucos dias antes da morte do pontífice argentino.
Nascido em 3 de março de 1940, em Roma, dom Nazareno foi ordenado padre em 1966 e se mudou em 1972 para o Mato Grosso, atuando na Diocese de São Luiz de Cáceres.
Na cidade de Jauru, no oeste do estado, fundou o asilo "Coração Imaculado de Maria" e se tornou uma voz reconhecida contra latifundiários e traficantes de drogas. Em uma ocasião, chegou a se ajoelhar em meio a um confronto por posse de terras na região para impedir que pessoas morressem.
Em 11 de fevereiro de 2001, enquanto jantava com amigos após uma missa, foi baleado com um tiro na nuca por dois homens encapuzados que invadiram a casa paroquial em Jauru, simulando um assalto. O italiano chegou a ser transferido para o Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, mas acabaria morrendo em 22 de fevereiro daquele ano.
Para o Dicastério para as Causas dos Santos, dom Nazareno foi morto "por ódio à fé", o que configura um martírio. Dessa forma, não foi exigido um milagre para torná-lo beato.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.