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Operação Terra Prometida: irmãos de ministro já estão presos

28 nov 2014 - 16h30
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Neri Geller, ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento
Neri Geller, ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento
Foto: Josi Pettengill / Secom-MT

Irmãos do ministro da Agricultura, Neri Geller, e suspeitos de participarem de um suposto esquema bilionário de fraudes na concessão de lotes de terras públicas que deveriam ser destinadas à reforma agrária, os fazendeiros Odair e Milton Geller se entregaram à Polícia Federal (PF) na noite desta quinta-feira.

Os dois estão entre os investigados na Operação Terra Prometida. Outras 39 pessoas, entre servidores do Instituto Nacional da Colonização e Reforma Agrária (Incra) e fazendeiros, foram presas em caráter preventivo. Onze investigados que tiveram a prisão preventiva autorizada pela Justiça ainda não foram encontrados. A PF também cumpriu 142 mandados de busca e apreensão e 30 de medidas restritivas. Odair e Milton Geller estão no Centro de Custódia de Cuiabá, onde vão prestar depoimento nesta sexta.

“A investigação vai continuar. Vamos analisar toda a documentação apreendida. Novos personagens começaram a aparecer e pode haver novos desdobramentos da operação”, informou o delegado Hércules Ferreira Sodré, confirmando que o ministro Neri Geller não é citado na investigação e que não foram encontrados indícios de que ele mantenha qualquer tipo de vínculo comercial com os irmãos.

Realizada simultaneamente em dez cidades do Mato Grosso e nos Estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, a operação contou com a participação de 222 policiais federais e foi resultado de quatro anos de investigações. Nesse tempo, a PF afirma ter encontrado indícios de que, servindo-se do poder econômico e político de que dispõem, fazendeiros e empresários adquiriam irregularmente por preços baixos ou simplesmente invadiam terras da União destinadas à reforma agrária, chegando a coagir e ameaçar os reais beneficiários para que vendessem ou abandonassem suas áreas. Com isso, promoviam uma “verdadeira reconcentração fundiária” de terras da União.

A estimativa é que cerca de mil lotes possam ter sido negociados de forma criminosa pelo grupo, causando um prejuízo de aproximadamente R$ 1 bilhão aos cofres públicos. Um desses lotes, segundo o delegado, foi por muito tempo ocupado pela multinacional do setor de alimentos Bunge, que então o vendeu ao grupo Fiagril, um dos alvos da Operação Terra Prometida (nome alusivo à passagem bíblica em que Deus promete terras ao povo). Entre os principais sócios da Fiagril está o empresário e ex-prefeito de Lucas do Rio Verde, Marino Franz, que foi detido na quinta.

“Era uma compra e venda de terras dentro dessas áreas da União... O que já sabemos é que a Bunge explorou um desses lotes por mais de dez anos e, então, o vendeu a Fiagril”, disse o delegado, sem fornecer mais detalhes sobre as suspeitas que pesam contra outros grandes produtores rurais e empresas do setor agrícola. Os irmãos Geller, por exemplo, são suspeitos de colocar os lotes adquiridos ilegalmente em nome de parentes e empregados. A PF chegou a anunciar que ao menos 80 fazendeiros podem estar envolvidos no esquema, que conta também com a participação de servidores do Incra e de prefeituras.

O presidente do Incra, Carlos Guedes de Guedes, determinou o afastamento dos servidores suspeitos de participação nas fraudes. “Para a instituição, é sempre muito ruim ter servidores arrolados em uma investigação como essa”, disse Guedes, ao garantir que o instituto já adotou medidas administrativas para evitar os desvios e garantir que as áreas da reforma agrária sejam ocupadas exclusivamente por assentados ou agricultores familiares.

Agência Brasil Agência Brasil
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