Script = https://s1.trrsf.com/update-1781903735/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Brasil

Publicidade

O que sucesso das camisas falsificadas da seleção brasileira diz sobre o Brasil

2 jul 2026 - 06h41
Compartilhar
Exibir comentários

Muito brasileiros optam por adquirir camisas falsificadas da seleção, que custam menos da metade do valor das originais.As camisas falsificadas da seleção brasileira disputam o fortemente o mercado com as originais. Os motivos que levam os consumidores a adquirir produtos pirateados são principalmente econômicos, mas, no caso das camisas da seleção, há também questões de consumo e cultura.

Valor elevado da "amarelinha" original leva torcedores a optar pela pirataria
Valor elevado da "amarelinha" original leva torcedores a optar pela pirataria
Foto: DW / Deutsche Welle

Com preços que variam entre R$ 450 e R$ 750, o valor das camisas oficiais da seleção brasileira equivalem a até 46% do salário-mínimo do país (R$ 1.621). Em contraste, versões não oficiais, muitas vezes anunciadas como de "primeira linha", são vendidas por entre R$ 80 e R$ 200, tornando-se uma alternativa viável para grande parte da população.

A comparação internacional ajuda a dimensionar o fenômeno. Na Alemanha, por exemplo, uma camisa oficial da seleção alemã custa cerca de 150 euros. Considerando um salário-mínimo mensal de aproximadamente 2.400 euros, o gasto representa pouco mais de 6% da renda, uma proporção significativamente menor do que a observada no Brasil.

Um brasileiro que recebe um salário mínimo ganha R$ 54,04 por dia de trabalho. Para comprar a "versão torcedor" da camisa oficial, que custa R$ 450, ele precisará trabalhar cerca de nove dias. Já os alemães, que recebem em média 80 euros por dia, precisam de apenas dois dias para vestir a camisa da seleção tetracampeã mundial.

Consumo, cultura e pertencimento

Para além do valor na etiqueta, o fenômeno também envolve questões de consumo e cultura. A vontade de pertencer a um grupo - nesse caso, de torcedores - faz com que a camisa, símbolo da seleção, se torne alvo de desejo independentemente do preço.

"A gente busca uma diferenciação, pelo consumo, de que é importante ter esses produtos, mesmo sabendo que existem essas diferenças [entre originais e não-originais]. É algo que faz parte da nossa cultura", avalia a pesquisadora Ayla Pinheiro Gomes, doutoranda em Comunicação pela Universidade Federal Fluminense (UFF).

Quanto custa fazer uma camisa?

Um levantamento divulgado pela emissora alemã SWR Marktcheck indica que uma camisa vendida por até 150 euros pode ter custo de produção de apenas 11,30 euros. O valor final inclui despesas com licenciamento, marketing, logística e tributação.

"Não existe uma estimativa [de custo de produção] para uma camisa de futebol ou uma camisa esportiva no Brasil", diz Ulisses Ruiz de Gamboa, economista da Associação Comercial de São Paulo. "De uma forma geral, as camisas pagam uma carga tributária de 35% no preço. Ou seja, um pouco mais de um terço do preço é devido a impostos, o que, evidentemente, vai encarecendo o produto."

Prejuízo e fiscalização

A pirataria é crime no Brasil e causa diversos prejuízos: aos donos da propriedade intelectual, a quem produz, ao Estado, que deixa de arrecadar impostos, e ao consumidor, que adquiriu um produto sem saber a origem dele.

O comércio de produtos esportivos falsificados já ocupa 34% do mercado brasileiro, de acordo com Renato Jardim, diretor-executivo da Ápice (Associação pela Indústria e Comércio Esportivo). Estudos realizados pela associação apontam que, só em 2025, foram vendidas 225 milhões de peças não-originais.

Em audiência pública na Câmara dos Deputados, em abril, Jardim disse que os cofres públicos deixaram de arrecadar R$ 7 bilhões em impostos em 2025 e que, apenas no setor de produção, cerca de 60 mil empregos formais não se concretizaram.

O volume de produtos não originais vendidos online e pelas ruas do país têm crescido nos últimos anos, o que levanta questionamentos sobre a eficácia da fiscalização dessas atividades.

Segundo Wagner Carrasco, delegado-titular da delegacia antipirataria do Departamento Estadual de Investigações Criminais de São Paulo, o trabalho da fiscalização enfrenta entraves como o volume da demanda e a própria legislação.

"Nós trabalhamos com a legislação que temos, com as possibilidades que temos e fazemos o máximo que pudemos. E isso eu falo, não só a Polícia Civil do estado de São Paulo, mas também outras polícias e outros órgãos, todos trabalham de uma forma muito veemente para combater esse tipo de delito", diz Carrasco.

De fevereiro a abril deste ano, a Receita Federal apreendeu 75 toneladas de produtos esportivos. O valor estimado das quase 430 mil camisas de seleções nacionais e times de futebol apreendidas é de R$ 14,5 milhões.

Em nota, o órgão diz entender que "muitos consumidores consideram alto o preço de camisas oficiais, mas combater falsificação não é defender preço alto; é defender legalidade, consumidor, empregos formais, arrecadação e concorrência justa".

---------

Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro.

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
Compartilhar
TAGS

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade
Meu Terra