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O que se sabe sobre incidente com material radioativo no Ipen

Houve contaminação da vestimenta de dois profissionais em unidade de pesquisa da USP

12 jun 2026 - 08h40
(atualizado às 10h24)
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Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), na USP; Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) investiga possível vazamento de material radioativo
Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), na USP; Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) investiga possível vazamento de material radioativo
Foto: Marcio Fernandes/Estadão / Estadão

Cnen confirmou ter ocorrido contaminação da vestimenta de dois profissionais após procedimento de rotina em uma unidade de pesquisa da USP. Episódio aconteceu em maio e veio a público após denúncia de entidades.A Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) confirmou na noite desta quinta-feira (11/06) a ocorrência de um incidente com material radioativo em São Paulo, em uma unidade do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen) localizada dentro do campus da Universidade de São Paulo (USP), na zona oeste da capital paulista.

Conforme relatório divulgado pelo órgão, foi detectada a presença de traços de tecnécio-99 durante um procedimento rotineiro, quando era feita a retirada de uma máquina de esterilização utilizada no processo produtivo de um radiofármaco.

De acordo com o documento, dois trabalhadores foram submetidos a exames para medir o nível de radioatividade nos seus corpos, nos quais foram detectados níveis de radioatividade considerados baixos, comprovando que não teria havido contaminação no organismo dessas pessoas.

Onde, quando e como ocorreu

O Ipen informou na madrugada desta sexta-feira (12/06) que a contaminação se restringiu à área controlada do Centro de Radiofarmácia do instituto - instalação responsável pela produção de radiofármacos usados em exames e tratamentos médicos - e que os servidores não foram contaminados, apenas a roupa de um deles apresentou vestígios de radiação.

O Ipen é e responsável por atividades nas áreas de tecnologia nuclear, radioisótopos e pesquisa científica. A instituição funciona no campus da USP e é associada à universidade para fins de ensino e pesquisa, embora sua gestão técnica e administrativa seja exercida pela Cnen.

Segundo a Cnen, o episódio ocorreu no dia 29 de maio passado. O ocorrido veio a público nesta quinta-feira após denúncias do Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Federal no Estado de São Paulo (Sindsef-SP) e da Associação dos Servidores do Ipen (Assipen).

O tecnécio-99 é amplamente utilizado na medicina nuclear, especialmente em exames de diagnóstico por imagem, e possui meia-vida curta, o que reduz seu potencial de permanência no organismo.

Relatos complementares indicam que a contaminação inicial teria ocorrido na roupa de um trabalhador e, posteriormente, atingido também o calçado de outro profissional, por meio de resíduos no ambiente.

Segundo o Ipen, após a roupa de um técnico ter sido contaminada durante um procedimento de rotina, "o incidente foi prontamente identificado pelos detectores da instalação, e o operador realizou a limpeza e o isolamento imediato de sua vestimenta. Após esse procedimento, o piso próximo ao detector reteve um leve traço de contaminação que, na segunda-feira, dia 1° de junho, causou a contaminação do calçado de um segundo operador".

Quem foi afetado

O incidente envolveu dois trabalhadores classificados como "indivíduos ocupacionalmente expostos", ou seja, profissionais que atuam diretamente com materiais radioativos e são monitorados regularmente.

Ambos passaram por exames específicos de detecção de radioatividade no corpo, conhecidos como contagem de corpo inteiro. Os resultados apontaram níveis baixos e descartaram contaminação interna.

Segundo o Ipen, apenas vestimentas de proteção apresentaram contaminação, e nenhum funcionário precisou de acompanhamento médico prolongado.

As autoridades afirmam que a contaminação ficou restrita a uma área controlada dentro do Centro de Radiofarmácia. Isso significa que o material radioativo não se espalhou para outras áreas do instituto nem para o ambiente externo.

Investigações e medidas adotadas

O caso foi formalizado por meio de um Relatório de Ocorrência Interna (ROI) e encaminhado à Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN), responsável por supervisionar instalações com material radioativo no Brasil.

A ANSN abriu investigação e solicitou informações adicionais ao Ipen para avaliar as circunstâncias do incidente e verificar se os protocolos de segurança foram seguidos corretamente. Além disso, os trabalhadores envolvidos passaram por novos treinamentos de segurança, e o episódio segue sob análise técnica.

Questionamentos e repercussão

O caso ganhou repercussão após o Sindsef-SP e a Assipen pedirem esclarecimentos, levantando dúvidas sobre possíveis falhas de segurança e a necessidade de procedimentos emergenciais.

O sindicato e a associação afirmam que a situação teria exigido procedimentos emergenciais de descontaminação radiológica. Segundo as entidades, houve retenção das roupas utilizadas pelos trabalhadores envolvidos, incluindo terceirizados, além da atuação da equipe de Proteção Radiológica para controlar a situação, o que contribuiu para o aumento das preocupações públicas.

Riscos à população

Até o momento, não há evidências de que o incidente tenha afetado a população em geral. As autoridades reforçam que o evento foi de baixa magnitude e permaneceu limitado a áreas internas e controladas do instituto.

Especialistas destacam que episódios desse tipo podem ocorrer em instalações que lidam com materiais radioativos, mas são monitorados por sistemas rigorosos de segurança e controle.

O incidente no Ipen envolveu um vazamento limitado de material radioativo durante uma operação técnica, afetando apenas dois trabalhadores e de forma superficial. As análises indicam que não houve contaminação interna nem exposição significativa.

Embora o caso siga sob investigação, as informações disponíveis apontam que os protocolos de segurança funcionaram para conter o problema rapidamente. Ainda assim, o episódio reforça a importância de vigilância constante em instalações nucleares e transparência na comunicação com a sociedade.

md/cn (ots)

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