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Novo Congresso representa risco para a legislação ambiental, diz Observatório do Clima

8 out 2026 - 17h49
(atualizado às 18h02)
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Resumo
Estudo do Observatório do Clima aponta que o novo Congresso brasileiro põe em risco a legislação ambiental, já que quase 70% dos eleitos têm baixo ou nenhum compromisso com a causa. A bancada, inclinada à direita e liderada pelo Partido Liberal de Flávio Bolsonaro, reúne 64 senadores e 345 deputados contrários a pautas ecológicas. O cenário eleva a preocupação com retrocessos, como o afrouxamento do licenciamento ambiental, mineração em terras indígenas e redução de áreas protegidas.

O próximo Congresso ‌brasileiro provavelmente representará um obstáculo ainda maior para a legislação de proteção ambiental após as eleições deste mês, mostrou um estudo do Observatório do Clima, apontando que quase 70% dos parlamentares eleitos têm pouco ou nenhum comprometimento ⁠com questões ambientais.

O estudo analisou projetos de lei, propostas legislativas, ‌discursos e declarações públicas de parlamentares novos e reeleitos e concluiu que 64 dos 81 membros do Senado ‌têm um histórico de comprometimento "muito baixo" ‌ou "baixo" com questões ambientais. Na Câmara dos Deputados, ⁠345 dos 511 parlamentares foram classificados na mesma categoria.

O Partido Liberal, sigla do senador Flávio Bolsonaro (RJ) -- que enfrentará o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno das eleições presidenciais ainda neste mês --, é o que tem ‌menor comprometimento com as questões ambientais dentre as principais legendas, ‌segundo o estudo.

Todos ⁠os 28 ⁠senadores do partido eleitos no domingo, assim como os deputados eleitos, foram ⁠classificados como tendo um ‌comprometimento muito baixo nesta ‌área.

Outros partidos de direita, incluindo Novo, Republicanos, Progressistas e União Brasil, também apresentaram baixo apoio a causas ambientais, afirmou o estudo.

Defensores do meio ambiente podem enfrentar ⁠um cenário político mais desafiador com a inclinação do Congresso ainda mais à direita e caso Flávio Bolsonaro -- cujos comentários sobre mudanças climáticas já causam preocupação -- seja eleito presidente, afirmou o Observatório ‌do Clima.

A Reuters entrou em contato com os partidos mencionados, mas não obteve resposta.

Propostas que podem enfraquecer as proteções ⁠ambientais, incluindo medidas para reduzir áreas protegidas, permitir a mineração em terras indígenas e facilitar os requisitos de licenciamento ambiental, podem ganhar força sob o novo Congresso, acrescentou o grupo.

"Este quadro evidencia quatro anos de muito esforço para aqueles que atuam em clima e meio ambiente, e muita preocupação tanto com graves retrocessos quanto com as terríveis consequências disso tudo para a crise climática. Somando com um governo negacionista de Flávio Bolsonaro, isso significará o caos ambienta", disse Suely Araújo, coordenadora de políticas públicas do Observatório.

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