Depois de cobrança de aliados, PT amplia participação de Alckmin em campanha
Após pressão de aliados diante do avanço de Flávio Bolsonaro, o PT ampliou o papel de Geraldo Alckmin no segundo turno. Considerado estratégico para atrair o eleitor moderado e acalmar o mercado financeiro, o vice-presidente intensificou agendas de rua, gravou inserções eleitorais e assumiu a interlocução com setores religiosos e empresariais enquanto Lula foca em articulações internas. Alckmin também passou a ser cotado para o Ministério da Fazenda como sinal de estabilidade fiscal.
Discreto até agora na sua participação na campanha eleitoral, o vice-presidente Geraldo Alckmin ganhará mais espaço nesse segundo turno, depois de cobrança de aliados por uma presença sua mais forte não apenas em atos, mas na própria propaganda eleitoral.
"Esquecido" no primeiro turno, Alckmin fez poucos atos sozinho, sem Lula, e também não participou das inserções eleitorais. Agora, com Lula ainda se concentrando em gravações e reuniões internas de coordenação, a agenda já está cheia.
A cobrança por uma participação mais ativa do vice-presidente já vem de antes do primeiro turno, mas aumentou depois que Flávio Bolsonaro ficou quase 2 pontos percentuais à frente do presidente na votação de domingo.
A avaliação dos aliados é que Alckmin tem capacidade de atrair um eleitor moderado que não quer votar em Flávio, mas não sente confiança em Lula.
Da mesma forma, Alckmin teria esse espaço com o mercado financeiro. Oriundo do PSDB, o vice, mesmo tendo se aliado com o PT, é visto mais favoravelmente pelo mercado. Até agora, no entanto, o PT havia deixado essa interlocução com o ministro da Fazenda, Dario Durigan.
Como mostrou a Reuters, Alckmin é mesmo cotado para assumir o Ministério da Fazenda em um eventual novo mandato de Lula, o que é considerado um sinal de estabilidade fiscal.
AGENDA POPULAR E MERCADO FINANCEIRO
O vice-presidente gravou inserções eleitorais na quarta-feira e também fez uma visita à feira de Ceilândia, maior cidade-satélite do Distrito Federal, com Leandro Grass, candidato do PT ao governo do DF, que disputa o segundo turno.
Nesta quinta, foi à comunidade de Paraisópolis, em São Paulo.
Nas duas participações, fez um tipo de campanha que Lula não tem feito, até pelas dificuldades de ser presidente: caminhar nas ruas, tirar fotos, postar vídeos.
O vice ainda deve ter outra agenda popular no próximo domingo: participar de uma manifestação organizada pela União Nacional dos Estudantes (UNE) na Avenida Paulista.
Alckmin também deve assumir dois outros papéis nesse segundo turno, de acordo com fontes ouvidas pela Reuters: o contato com comunidades religiosas e com empresários e representantes do mercado financeiro.
Ainda que católico fervoroso, o vice-presidente tem boa relação com religiosos de diferentes matizes, e sua agenda já está tomada de eventos do tipo.
Na noite desta quinta, participa de uma live com católicos chamada "Plenária Povo de Deus com a Democracia"; no sábado, grava uma sabatina com evangélicos e ainda participa de um evento de apoio à chapa presidencial organizado pelo grupo Judias e Judeus pela Democracia, em São Paulo.
No dia 12, como faz há 40 anos, Alckmin irá a Aparecida, participar da missa na Basílica pelo dia da Padroeira.
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