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Nova Friburgo sofre com falta de água, luz e transporte

12 jan 2011
21h21
atualizado em 13/1/2011 às 00h43
Cláudia Marapodi
Direto do Rio de Janeiro

Os moradores de Nova Friburgo, uma das cidades da Região Serrana do Rio de Janeiro mais prejudicadas pelas fortes chuvas, enfrentam uma série de dificuldades básicas para reconstruir suas vidas. Nesta quarta-feira, não havia energia e comunicação desde às 3h, o abastecimento de água estava interrompido e o transporte público parou devido ao desabamentos e vias intransitáveis.

O excesso de lama e lixo era visível em todas as partes. Além disso, os hospitais não têm condições de receber todos os feridos e os telefones da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros não funcionam. A prefeitura decretou estado de calamidade e, segundo o Corpo de Bombeiros, esta é a pior tragédia provocada pelas chuvas em Nova Friburgo, maior até do que a enchente que assolou a cidade em 1996.

A professora Mazé Gralalo, 63 anos, disse que foi horrível testemunhar a queda de um prédio residencial em frente a sua casa, no bairro de Olaria. "Nunca na minha vida pude imaginar ver algo assim. Eu estava em meu quarto e de repente ouvi um estrondo ensurdecedor. Era inacreditável, parecia uma implosão com muita poeira laranja do barro. Foi uma cena de terror", afirmou.

Segundo ela, que disponibilizou sua casa para equipes de socorro e para a imprensa, a Defesa Civil isolou a área onde o prédio desabou para que curiosos não se exponham ao perigo. De acordo com as autoridades, todas as outras casas ao lado do prédio estão condenadas e podem cair a qualquer momento.

"Visão era de chorar", diz comerciante
A comerciante Thaís Oliveira, 45 anos, moradora das Braunes, bairro de clase média, percorreu 5 km de carro para abastecer e só encontrou um posto de gasolina no bairro de Olaria. No caminho, muita lama e destruição. Para chegar ao Centro, a comerciante disse que precisou procurar caminhos alternativos porque várias ruas estavam impossíveis de transitar.

"No Centro a visão era de chorar. Lama por todo lado e vários comerciantes tentando limpar a sujeira para recuperar as mercadorias. A situação é devastadora. E o mais grave de tudo isso é que nenhum estabelecimento comercial está funcionando e as pessoas estão precisando de água mineral, velas e comida, mas não há onde comprar", disse ela.

De acordo com o eletrotécnico Claudio Pereira, 52 anos, "a energia (elétrica) foi interrompida para evitar maiores tragédias, porque vários postes caíram e poderiam causar danos elétricos e acidentes maiores". Segundo ele, deve demorar em torno de cinco dias para a situação voltar ao normal, já que muitas áreas devem ter suas redes elétricas refeitas para não haver risco de curtos.

"Andei de Olaria até o Hospital São Lucas, que fica na entrada da Teresópolis-Friburgo, e a situação é aterrorizante. Só pra se ter uma ideia, há pedras de 5 t na frente do hospital. O Friburgo Shopping teve 1,2 m de água dentro das lojas do primeiro piso. O Hospital da Unimed está ilhado e o ginásio de um colégio no centro está sendo usado como necrotério", disse Claudio Pereira.

Mais de 260 mortos
As fortes chuvas que atingiram os municípios da região serrana do Rio nos dias 11 e 12 de janeiro provocaram enchentes e inúmeros deslizamentos de terra. Pelo menos 267 pessoas morreram nas cidades de Teresópolis, Petrópolis e Nova Friburgo. De acordo com a Secretaria de Meio Ambiente e a Defesa Civil, em 24 horas foram registrados 140 mm de chuva, volume esperado para todo o mês de janeiro na região.

Fonte: Especial para Terra
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