Narcotráfico é freio ao crescimento da economiza do Brasil, diz jornal Le Figaro
O jornal francês Le Figaro publica nesta segunda-feira (29) uma matéria de sua correspondente no Rio de Janeiro, Eléonore Hughes, sobre o crime organizado no Brasil, "que coloca a economia do país sob seu controle", diz o título. Para o diário, o problema "faz tanto parte da paisagem quanto as praias do Rio de Janeiro".
Le Figaro explica que em todo o território brasileiro, grupos de narcotraficantes são um forte freio ao crescimento, prejudicando tanto as receitas do Estado quanto o orçamento das famílias. Citando dados do Instituto Igarapé, o jornal publica que o custo acumulado da criminalidade e das economias ilícitas no Brasil pode chegar a até R$ 1,5 trilhão por ano, o equivalente a algo entre 12% a 14% do PIB do país, e o mesmo tamanho das economias de Portugal ou da República Tcheca.
Sozinho, o PCC - recentemente classificado de terrorista pelos Estados Unidos - tem um faturamento anual estimado em quase R$ 7 bilhões, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, salienta o diário.
Além disso, essas organizações criminosas também geram custos diretos adicionais para a população que vive em territórios controlados por elas facções e milícias. Le Figaro cita como exemplo o Rio de Janeiro, onde muitas comunidades estão sob domínio de narcotraficantes ou milicianos e os moradores são obrigados a financiar suas atividades comprando deles produtos e serviços.
Plano para asfixiar narcotráfico
Diante da urgência de lutar contra esse problema, a matéria lembra que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou recentemente um plano de R$ 11 bilhões para tentar asfixiar financeiramente as organizações criminosas, mirando nos fluxos ilícitos e na lavagem de dinheiro. No entanto, o jornal avalia que a iniciativa, além de ser tardia, deveria também reforçar a regulamentação das plataformas de apostas online, do setor das criptomoedas e até das "fintechs".
Le Figaro argumenta que, no ano passado, uma investigação coordenada entre polícia, Receita Federal, Ministério Público e outros órgãos públicos revelou que os lucros gerados do PCC sobre o setor de biocombustíveis transitavam, entre outros canais, por empresas financeiras digitais instaladas na região da Faria Lima, coração financeiro de São Paulo.
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