Mutirão atende 200 crianças e reforça a importância dos cuidados com a visão desde cedo
Hospital Banco de Olhos São Pietro realiza ação da campanha De Olho nos Olhinhos, que alerta para sinais de doenças oculares na infância
Em Porto Alegre, o Hospital Banco de Olhos São Pietro atendeu 200 crianças em um mutirão da campanha nacional "De Olho nos Olhinhos", criada por Tiago Leifert e Daiana Garbin com apoio do CBO. A ação visa agilizar filas e alertar sobre a saúde visual infantil, já que 20% dos estudantes têm distúrbios oculares. O evento reforçou a necessidade de exames no primeiro ano de vida para detectar precocemente problemas como erros refrativos e o retinoblastoma, câncer ocular com mais de 90% de chance de cura.
Duzentas crianças que estavam na fila aguardando por atendimento oftalmológico especializado foram atendidas neste sábado, 26, em um mutirão realizado pelo Hospital Banco de Olhos São Pietro. A ação integrou a campanha nacional De Olho nos Olhinhos e reuniu pacientes encaminhados pelo Governo do Estado do Rio Grande do Sul para avaliações realizadas ao longo da manhã, em Porto Alegre.
A iniciativa chama atenção para a importância de acompanhar a saúde dos olhos desde os primeiros anos de vida. Muitas doenças oculares na infância evoluem sem sinais evidentes e, quando identificadas precocemente, têm mais chances de tratamento e correção.
Criada pelos jornalistas Tiago Leifert e Daiana Garbin, a campanha De Olho nos Olhinhos conta com a parceria do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) para conscientizar as famílias sobre a importância da saúde ocular infantil. A mobilização reúne instituições de saúde de todo o país e reforça a necessidade de avaliações oftalmológicas regulares desde cedo.
Atendimento leva segurança e tranquilidade às famílias
Entre as famílias atendidas estava a de Niria Poli Feistler, que saiu de Gramado Xavier com a filha Maria Vitória, de 6 anos. A menina foi encaminhada para avaliação após a mãe perceber um desvio no olho esquerdo e receber também uma recomendação da escola. Como o município não oferece esse tipo de atendimento especializado, mãe e filha viajaram até Porto Alegre para a consulta.
Ao fim da avaliação, receberam a orientação de retornar para acompanhamento. Por enquanto, Maria Vitória não precisará usar óculos. "A gente fica mais tranquila porque tirou as dúvidas e já sabe como ela está. Foi possível fazer todos os exames que ela precisava", contou Niria.
Fernanda Souza Pelin, moradora de Porto Alegre, levou a filha Maria Eduarda, de 8 anos, para retomar o monitoramento de um estrabismo diagnosticado no próprio hospital quatro anos atrás. A mãe destacou o acolhimento da equipe e a praticidade de realizar os exames e receber os resultados durante o atendimento. "É difícil encontrar lugares tão humanizados. A forma como tratam a família e o paciente faz diferença", avaliou.
O cuidado com a visão começa na infância
Além de ampliar o acesso às consultas, a ação busca conscientizar as famílias sobre problemas que podem impactar a visão e o desenvolvimento infantil. Segundo o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), cerca de 20% das crianças em idade escolar apresentam algum distúrbio oftalmológico, sendo os erros refrativos — como miopia, hipermetropia e astigmatismo — as alterações mais frequentes.
"O acompanhamento oftalmológico deve começar ainda no primeiro ano de vida. Muitas doenças oculares infantis não causam dor nem sintomas evidentes nas fases iniciais, mas podem comprometer a visão de forma permanente quando o diagnóstico demora a acontecer", afirma o oftalmologista do Grupo São Pietro, Fausto Stangler.
Outro foco da campanha é o retinoblastoma, considerado o câncer ocular mais comum na infância. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), são estimados cerca de 400 novos casos por ano no Brasil. Quando diagnosticado precocemente, as chances de cura podem superar 90% em centros especializados.
Entre os principais sinais de alerta está a leucocoria, conhecida como reflexo branco na pupila, que pode ser percebido em fotografias com flash. Estrabismo e alterações no aspecto ou movimento dos olhos também podem ser sinais do retinoblastoma e indicar a necessidade de avaliação oftalmológica.
"O reflexo branco em fotografias, popularmente chamado de 'olho de gato', é um sinal que nunca deve ser ignorado. Nem sempre significa retinoblastoma, mas indica que a criança precisa ser avaliada por um oftalmologista o quanto antes", explica Stangler.
Para o especialista, iniciativas como o mutirão ajudam a reduzir filas de atendimento e a ampliar a conscientização sobre a saúde ocular infantil, objetivo que está no centro da campanha De Olho nos Olhinhos, realizada em todo o país.
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