Caso Isabelle Caracristi: Entenda o motivo que levou à prisão namorado de jovem encontrada morta em condomínio no CE
João Munhoz Neto foi preso nesta terça-feira, 22; o celular dele já havia sido apreendido e passa por análise
O mandado de prisão preventiva contra o bacharel em direito João Munhoz Neto, de 35 anos, namorado de Isabelle Caracristi, de 22 anos, foi baseado em duas tipificações penais: ameaça e incitação ao suicídio. A informação foi dada pela TV Verdes Mares, afiliada da Rede Globo no Ceará.
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A jovem foi encontrada morta no último dia 13, no pátio do condomínio onde morava com ele em Fortaleza. Munhoz Neto foi preso nesta terça-feira, 22, em um prédio na Avenida Santos Dumont, no bairro Aldeota, na capital cearense.
Conforme a emissora divulgou, o pedido de prisão foi baseado nos seguintes artigos do Código Penal:
- 122: induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou a praticar automutilação ou fornecer material para que a vítima provoque ferimento contra si;
- 147: ameaça.
Ao Terra, a Polícia Civil esclareceu que a finalidade da prisão é a de garantir a instrução criminal e para assegurar a aplicação da lei penal.
A advogada Lígia Peixe, que representa Munhoz Neto, declarou à TV que recebeu com surpresa o pedido de prisão, já que ele havia se apresentado voluntariamente às autoridades na noite de segunda-feira, 21.
"Entregou o celular, deixei meus telefones, disse que a hora que precisassem ouvi-lo ele estaria em qualquer lugar. Demos o endereço [dele], e de repente a gente é surpreendido com isso. Foi suicídio? Foi, o que é que ele tem a ver com isso? Ele não estava em casa”, afirmou.
A advogada também confirmou que o homem é casado, mas que há um processo de divórcio em andamento. "Ele em nenhum momento negou para ela. Talvez por isso a mãe não goste dele. Ele estava separado, de fato, da esposa, mas existe já o procedimento de divórcio amigável", declarou Lígia.
As autoridades informaram que o celular dele passa por análise.
Versão dada por ele
Um dia antes de ser preso, o namorado de Isabelle prestou depoimento à Polícia Civil e negou que tenha feito qualquer ameaça à jovem. Ele afirmou que no dia da morte, a jovem insistiu em voltar para o apartamento onde moravam, enquanto ele saiu para participar de uma missa.
Ainda segundo o depoimento, o bacharel em direito estava na celebração quando recebeu mensagem de Isabelle que disse estar sentindo dor no pescoço. O homem teria dito que quando retornasse, a levaria para o hospital. Entre 19h14 e 19h16, ele recebeu a última mensagem dela relatando que "não estava aguentando" e que sentia "uma sensação estanha".
Relacionamento com Isabelle e dia da morte
Munhoz Neto e Isabelle namoravam desde julho deste ano, após se conhecerem em um escritório de advocacia, onde a jovem estagiava. A estudante de Direito se mudou para o apartamento do namorado, onde também moram a mãe dele, Sara Regina Alexandre Munhoz, e o irmão.
No dia da morte de Isabelle, as câmeras de segurança registraram os dois juntos às 17h58. João Munhoz aparece descendo para buscá-la na portaria e os dois sobem juntos de elevador.
Às 18h33, João deixa o prédio com outra roupa. Às 19h22, dez minutos antes da última mensagem enviada para a mãe, em que diz que a ama, Isabelle entra no elevador a caminho da cobertura do prédio, no 23º andar. O apartamento do namorado está localizado mais abaixo, no 15º andar.
A polícia apontou que a morte de Isabelle ocorreu às 20h40. As imagens também mostram o namorado voltando para o prédio às 22h48, quando o carro da perícia forense já está na garagem. Ele desapareceu depois da morte da jovem.
Em nota, a Secretaria de Segurança Pública do Ceará afirmou que os exames realizados mostraram lesões no corpo de Isabelle compatíveis com impacto contra o solo. Além disso, os exames deram resultado negativo para substâncias toxicológicas, e confirmou que ela não estava grávida.
Quem é João Munhoz Neto?
O namorado de Isabelle sumiu e excluiu os perfis nas redes sociais, mas manteve ativa sua página no LinkedIn. Lá, há a descrição de sua trajetória profissional: formado em Direito em 2023 pela Uninassau, João atuava como correspondente jurídico. Ele ainda não tem registro na Ordem de Advogados do Brasil (OAB).
João Munhoz diz ter experiência no Tribunal de Justiça do Estado do Ceará, igualmente, no Juizado Especial Cível e Criminal do Ceará, Conselho Regional de Corretores de Imóveis (CRECI-CE) e em um escritório especializado na área Cível, Empresarial e Previdenciária. Além disso, tem uma pós-graduação concluída e outra em andamento.
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